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Game Review: Alice Madness Returns

por em 13 de junho de 2017
Detalhes
 
Tempo de Jogo

20 horas

Sinopse

A continuação do jogo de 2000, American McGee's Alice.

Série/Franquia

Alice

Diretor/Produtor

Spicy Horse

Data de lançamento

14 de Junho de 2011

Positivos

+ Ótimos visuais e design
+ Bom plot e enredo
+ Alice

Negativos

- Muito longo
- Câmera manual
- Pouca variação de combos e inimigos

Avaliação do Editor
 
Jogabilidade
7.5

 
Gráfico
8.0

 
Modo Single Player
7.0

 
Modo Multiplayer
0.0

Pontuação Total
7.5

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Avaliação do Usuário
 
Jogabilidade

 
Gráfico

 
Modo Single Player

 
Modo Multiplayer

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A experiência de jogar Alice é como ser imerso numa poesia difícil de entender. As belas e loucas paisagens e cenários são como rimas difíceis de compreender. Os seus extravagantes personagens são como aquelas incompreensíveis palavras que são complicadas até para achar num dicionário.

Isso resume bem o sentimento de jogar Alice Madness Returns, um verdadeiro retorno aos labirintos de uma mente que busca a sua essência e o seu sentido de existir num mundo que apenas oferece tragédias, decepções e injustiças. Mas não se deixe enganar pelas aparências dessa ilusória fragilidade, pois controlar Alice é uma experiência cativante.

Comparado ao seu antecessor, Madness Returns não desaponta de forma alguma os fãs que esperavam ansiosamente pela continuação, embora seja um título bastante esquecido atualmente (lançado em 2011).

Serei sincero em afirmar que nunca terminei de jogar American McGee’s Alice, lançado em 2000 utilizando a engine idTech 3 (a mesma do Quake 3 e Call of Duty). Mas posso garantir que o sentimento de jogar Alice de 2000 é o mesmo de 2011, mas agora com a Unreal Engine 3, que é bem mais poderosa, capaz de transformar e passar com mais fidelidade toda a insana poesia que Madness Return é.

Graficamente falando, Alice não desaponta em nada, trazendo belíssimos efeitos de partículas utilizando a tecnologia PhysisX, com belos efeitos em combate e cenários de tirar o fôlego, tanto visualmente como psicologicamente.

Sobre a trama, Alice, semelhante à história do jogo passado, continua a se punir por achar que foi culpada de ter iniciado o incêndio que levou a morte de seus familiares. Por causa disso, foi jogada num orfanato e, atormentada por essa ideia, sua sanidade começou a se esvair a cada ano até que, numa noite, foi convidada a entrar nas profundezas de sua própria mente: Wonderland, o País das Maravilhas.

Em Madness Return, fica evidente que, tentando se livrar dos traumas, acaba por, sem saber, desencadear uma destruição de Wonderland e, sem mais nem menos, sua mente volta a cair nesse mundo sombrio tão mudado por causa de tudo o que já aconteceu na infância e mais ainda na adolescência.

Ao descobrir isso, percebe que deve recuperar suas memórias e buscar ajuda de antigos amigos e aliados, onde até mesmo antigos inimigos tornam-se úteis para impedir que sua mente seja destruída e fracionada. Ou seja, se Wonderland morrer, sua mente também morrerá.

O primeiro aliado será o Cheshire Cat, o personagem mais enigmático de toda a série. Sua aparência terrivelmente modificada reflete exatamente as distorções causadas pelos traumas na vida de Alice. E qual a primeira ajuda que ele oferece? Uma arma. A principal arma de Alice contra seus pesadelos, sombras e distorções será uma faca de açougueiro, que ela usará com extrema fluidez e habilidade.

E embora eu tenha feito apenas elogios a este jogo, aqui vai minha primeira crítica que é a repetição nos combates. Mas claro que, ao longo do desenrolar e avançar da história e da macabra poesia, novas armas e equipamentos irão sendo adicionados ao arsenal da Alice. Mas quando eu digo repetição é a falta de variação dos combos. Se cada arma tivesse um modo de desbloqueio de combos variados, afirmo que este jogo facilmente seria um dos melhores do estilo.

Talvez por ter seu foco mais concentrado em ser um jogo de plataforma e puzzles é que o combate foi pouco trabalhado e incrementado. E aqui tem outro ponto negativo em relação à câmera, que atrapalha bastante nos momentos de plataforma e solução de puzzles. E mesmo quando Alice está em combate, com a possibilidade de travar a mira em um inimigo e mudarmos para qualquer alvo que desejamos que nossa simpática personagem destrua, a câmera também não costuma ajudar em nada na visão da arena de batalha. Na maior parte do tempo, cabe ao jogador controlar a câmera. 

“E qual o problema?” você pode perguntar. Bom, o problema é que isso aumenta a dificuldade de Madness Returns desnecessariamente. Não que seja um jogo difícil, pelo contrário, pois Alice sempre é presenteada por uma dificuldade crescente com uma curva suave de aprendizado. Entretanto, mesmo jogadores que tem o costume de jogar podem ter certas dificuldades em se adaptar ao movimento da tela, potencializando as chances de afastar alguns tipos de jogadores.

No final, temos uma experiência desnecessariamente longa, onde grande parte do jogo ocorre solucionando e superando puzzles de plataforma, pulando, flutuando de um lado para o outro em cenários gigantescos, mas que não oferecem mais do que isso. A pouca variedade de inimigos e de combos atrapalha bastante na sensação final. Longo porque a história quase falha em manter você interessado, mesmo que inserido nesses cenários enormes existam fragmentos de memória espalhados, mas que não mudam em nada, seja no entendimento da história ou na variação de fim.

A personagem Alice por si só é muito cativante, no melhor estilo “gothic Lolita”, mas para muitos players isso não será suficiente para gostar do jogo. Do meu ponto de vista, faltou mais profundidade no sistema de evolução dos poderes de Alice e no aumento progressivo de inimigos e desafios mais elaborados.