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Crítica do filme – A Mulher Maravilha

por em 10 de abril de 2015
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Ano de lançamento

2009

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Sinopse
 

Mulher Maravilha contará a origem da amazona na mística ilha grega de Temíscira e sua inevitável jornada pelo mundo dos homens, onde ela se estabelece como heroína que segue suas próprias regras. Entretanto, o conflito se estabelece quando o deus da guerra, Ares, escapa da sua prisão e jura vingança contra o mundo dos mortais e dos deuses. Cabe à Mulher-Maravilha impedi-lo.

 

A Mulher Maravilha veio ao mundo dos quadrinhos pela primeira vez em 1943, na revista All Star Comics #8, nos EUA, e desde então conquistou o posto de símbolo feminino (e feminista) no mundo dos homens super heróis. Ela teve sua origem contada algumas vezes, e nessa animação vemos uma que foi comum: a boa e velha origem do bebê de areia (meu filho chamou assim, resolvi aderir).

A animação começa com a guerra para libertar as Amazonas do controle de Ares, que pelo que entendi, escravizou-as por muito tempo. O embate termina com Hipólita descendo a porrada no Deus da Guerra e sendo impedida de matá-lo pelos deuses Zeus e Hera, que permitem que ela o aprisione sem poderes pela eternidade. E para apaziguar sua raiva do mundo, lhe dão a ilha de Temíscira, onde não sofreriam a passagem do tempo e permaneceriam isoladas do mundo que tanto lhes fez mal. Além disso, Hipólita foi abençoada com uma criança, Diana, que nasceu só da mãe, de areia e a benção dos deuses.

O tempo passa e elas constroem sua civilização, e depois de pelo menos um século isoladas, um misterioso avião cai na ilha e a ilha “recebe” o oficial bonitão, Steve Trevor.  Depois de capturá-lo e pensar em matá-lo,  as Amazonas repensam e decidem devolver o rapaz à sua nação e precisam escolher uma embaixadora. Elas então fazem um torneio, que obviamente é vencido por Diana, que ganha à roupa da Mulher Maravilha, o bracelete, a tiara lunar… digo, tiara, enfim, o uniforme completo. E o jato invisível também, se é isso que estão se perguntando. Enfim, nesse meio tempo, Ares foge da sua prisão com a ajuda de uma das amazonas, que vira seu braço direito e amante. Diana acaba tendo duas missões: devolver Steve Trevor aos EUA e devolver Ares ao seu aprisionamento, antes que ele se livre dos braceletes mágicos que os deuses lhe impuseram para que ficasse preso na ilha das Amazonas.

Ares derrotado por Hipólita

Ares derrotado por Hipólita

Bom, eu odiei o filme. Eu amo a Mulher Maravilha, e sinceramente, o modo como ela foi retratada foi deprimente. Mas, vou começar pelo começo, e citar somente alguns dos muitos furos do filme, porque não dá para falar de tudo.

Começando pela própria Mulher Maravilha, uma personagem criada para ser forte, inteligente, independente, o símbolo do feminismo em uma época que não existia uma revista de super heroína, ou onde as personagens normalmente eram retratadas como simplesmente mocinhas indefesas para serem salvas. Nesse filme, ela teoricamente é assim, exceto pelo fato de que ela não é. Novamente retrataram a personagem como simplesmente alguém que só tem músculos, um Superman com pouca roupa. Ela parte para a agressão ao menor sinal de que algo está errado, sem pensar em mais nada. Ainda bem que misteriosamente as pessoas estavam fora da cidade ou estariam todas mortas.

Outro ponto que me incomodou na personagem foi como trabalharam o desprezo que ela tinha por homens. Sim, desprezo. Porque sua mãe lhe ensinou que homens são vilões, seres nojentos que só querem entrar em suas calças e coisas assim. E então tem o Steve Trevor, que deveria ser o contraponto desse desprezo e lhe ensinar que não é bem assim, mas o modo como ele fez isso foi justamente tentando seduzi-la com galanteios baratos e frases incrivelmente machistas. Em poucos momentos o feminismo foi trabalhado com a personagem, inclusive, apenas em dois momentos: um em que ela ensina a uma menininha que ela não tem nada que ser deixada de lado em brincadeiras só porque os meninos acham que meninas são fracas e outro momento em que ela dá lição de moral em uma mulher que troca favores masculinos por vislumbres de sua feminilidade. E pior, no fim, ela se torna exatamente isso: um brutamontes bonito e domesticado pelo seu homem, que precisou ter muitas conversas com ela para que ela aceitasse seu machismo.

Falando nele, Steve Trevor foi criado para ser o par romântico, sua “donzela em perigo”, como forma de parodiar o papel da mulher nas historias, de chocar, digamos assim. Ele é apenas um homem humano que deveria atrair o perigo, ser a Lois Lane de Diana. Infelizmente nesse filme a mocinha em perigo é a própria Mulher Maravilha, que é quem leva a pior em combates contra seres ultra fortes e Steve consegue, de alguma maneira, se sobressair e salvá-la. Em uma parte do filme ele dá uma lição sobre misoginia, acusando-a de que a visão dela dos homens está errada e ele simplesmente se importa com ela. Ok, o discurso seria bem bonito e até teria terminado bem se não fosse todo o contexto do filme, onde ela foi sim colocada no papel de mocinha indefesa só para provar o que? O ponto de vista de que homens podem salvar mulheres sem elas serem meras donzelas em perigo? Estamos falando da Mulher Maravilha lutando contra Ares, o Deus da Guerra, contra uma irmã amazona, contra outros seres sobrenaturais. Steve Trevor NÃO deveria ter tido nem chance de respirar, quanto mais de conseguir sair dali dando discurso sobre gênero depois de toda a baboseira machista que ele derramou no filme inteiro.

mulher maravilha 2009

Aliás, a história toda meio que gira ao redor de baboseiras machistas, como, por exemplo, Ares foi liberto pelo erro de (adivinhem só) uma mulher carente, mulher esta que termina o filme com uma frase do tipo “Somos amazonas, mas também somos mulheres. Você nos negou filhos e família.”Só para esclarecer, não há nada de errado em uma mulher sonhar em ter uma família e filhos, o que me deixou com nojo na frase é porque ela fala como se fosse uma regra e não uma questão de que a rainha não deu escolha à suas amazonas para quererem outra coisa além de serem guerreiras, como é repetidamente mostrado pela irmã de Ártemis, que sofre desprezo o filme inteiro, INTEIRO, por não ser uma guerreira e sim uma mulher culta, educada e inteligente, a ponto dela se “redimir” após a morte e se tornar uma guerreira. Ridículo.

Em questões lutas, eu achei as batalhas fracas. Há muita violência, mas nada demais. A história com Ares ficou super corrida, e até meio patético, embora a cena em que apareça o Hades seja bem… interessante, mesmo que o personagem pareça mais com Baco. A Mulher Maravilha é uma psicopata, mata todo mundo, e não parece se preocupar com a vida dos inocentes não, sinceramente. E mesmo se eu não tivesse me incomodado com o machismo vigente na história, a história em si foi muito fraca, muito rala, não explora em quase nada a origem dela, tanto que ela volta pros EUA não por causa da justiça ou sei la o que, mas por causa do Steve. Me lembrou muito o final de “A Pequena Sereia”.

É um filme que se tem algum propósito, eu perdi no meio dessa confusão. Mas se você gostou ou ficou interessado em assistir, depois troquemos figurinhas! Comentem o que acharam do filme, e fique a vontade para discordar. Senão, a meu ver, você não está perdendo muita coisa não vendo o filme.