Resenha: A Bela e a Adormecida

por em 28 de dezembro de 2015
 

a-bela-e-a-adormecida1Autor: Neil Gaiman

Ilustrador: Chris Riddel

Nome original: “The sleeper and the Spindle”

Publicado em: 2013

Editora: Rocco Jovens Leitores

Sinopse: Ela era uma das bruxas da floresta e uma criatura má, relegada a uma vida à margem de tudo, há mil anos. Lançou uma maldição sobre a bebê ao nascer, tal que, quando completasse dezoito anos , a menina furaria o dedo e cairia num sono eterno…

 

Todos conhecemos as histórias de Neil Gaiman. Quem não conhece o trabalho dele, favor, vá conhecer. Vai ser uma das melhores coisas que você vai fazer na sua vida. Chris Riddell eu conheci por um acaso, vendo uns livros nas estantes da livraria em que eu trabalhei. Nunca li, mas achava o trabalho dele fantástico e finalmente, com “A bela e a adormecida”, eu pude olhar mais detalhadamente suas criações e sinceramente, é de encher os olhos. Eu li esse livro calmamente, apreciando cada detalhe e indico que todos leiam assim.

A história é uma espécie de releitura de contos de fadas, com personagens femininas pontuais e fortes. Mas tudo começa com três anões. Eles procuram um presente rico e bonito para a Rainha, querem algo único, e para isso atravessam os túneis que eles fizeram na cadeia de montanhas que separam dois reinos (o reino de sua Rainha e o outro reino). Mas, quando chegam à estalagem onde deveriam encontrar um amigo que os levaria até o vendedor, eles descobrem que a maldição deste outro reino está chegando. Aparentemente, uma maldição foi lançada na princesa desse outro reino, amaldiçoada desde o nascimento e que se concretizou há pelo menos oitenta anos, mas que agora está se espalhando para além do castelo. Castelo este que está cercado por espinhos intransponíveis, onde todo tolo que tentou quebrar a maldição morreu.

Os anões correm imediatamente de volta ao castelo para contar a notícia. A Rainha, prestes a se casar, imediatamente manda parar os preparativos para que possa descobrir e encerrar essa maldição antes que afete o seu reino.

A Rainha acordando.

A Rainha acordando.

Sabemos, obviamente, que o outro reino é o da “Bela Adormecida” e descobrimos de cara que a Rainha é na verdade a Branca de Neve. Ambas têm as histórias conectadas de uma maneira genial, além de que em momento algum Neil Gaiman precisa dizer o nomes delas para que possamos identificá-las. Branca de Neve é somente chamada de Rainha, por exemplo, e sua história é contada em pequenos pedaços soltos do livro, de maneira que se encaixem perfeitamente com o que está sendo contado, mas sem rolar um flashback de origem. É, obviamente, uma das magias de Neil Gaiman, e eu adoro como ele faz isso.

Os outros personagens são os anões, que ficam o tempo todo ao lado da Rainha, ajudando-a em sua jornada. Nenhum dos quatro é afetado pelo sono estranho que a maldição deveria causar, então é o grupo perfeito para a missão. Eles são corajosos, inteligentes e mágicos. As ilustrações são basicamente em preto em branco, mas o chapéu deles é uma das únicas cores no livro, sendo um tom de dourado que permanece presente em alguns momentos. Eu não posso passar daqui, pois além disso eu considero spoiler, pois o livro é curto.

A história em si é gostosa de ler. O livro é pequeno, sendo bem recheado com ilustrações que, como eu já falei, são incríveis. A história é densa, sendo profunda sem precisar de muitos detalhes. Ela é sinistra, sem precisar agir com terror. O suspense se mantém, e você termina o livro satisfeito e surpreso com o final. Eu ao menos terminei assim. E tem a polêmica do beijo lésbico também, que vocês só poderão descobrir lendo.

Em uma época de releituras, essa é uma que vale a pena, e o preço não está ruim, pois a qualidade do livro é incrível. Existe uma contracapa em papel vegetal que é linda, o livro é bem detalhado, os desenhos são belíssimos. Enfim, vale cada centavo gasto.