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Game Review: Drakengard 3

por em 26 de maio de 2016
Detalhes
 
Plataforma
Desenvolvedor
Tempo de Jogo

12 horas

Série/Franquia

Drakengard

Diretor/Produtor

Access Games

Data de lançamento

Maio de 2014

Avaliação do Editor
 
Jogabilidade
8.6

 
Gráfico
5.0

 
Modo Single Player
8.0

 
Modo Multiplayer
0.0

Pontuação Total
7.2

Deslizar para avaliar
Avaliação do Usuário
 
Jogabilidade
10

 
Gráfico
10

 
Modo Single Player
10

 
Modo Multiplayer
10

Pontuação do Usuário
1 rating
10

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Hoje falaremos de uma terra média cheia de mistérios e histórias mal contadas. Desentendimentos e lutas familiares… e um pouco de bom humor, vai.. Hoje falaremos de Drakengard 3.

Desenvolvido pela Access Games (também responsável por alguns Ace Combat, Deadly Premonition, D4: Dark Dreams Don’t Die e a edição especial de Devil May Cry 4) e publicado pela gloriosa Square Enix, Drakengard 3 é um jogo de ação, com elementos de RPG do tipo hack ‘n’ Slash lançado em dezembro de 2013 no Japão e em maio de 2014 no resto do mundo exclusivamente para PlayStation 3. Vale notar que, apesar de ser um jogo exclusivo, não foi publicado ou distribuído pela SCE, logo, a exclusividade se dá por conta da praticidade, já que se trata de um título muito popular no Japão, que não é tão popular assim no resto do mundo.

Drakengard 3 - BoxArt

Capa ocidental do jogo com o alusivo de exclusividade.

Visual

Meu primeiro contato com Drakengard se passou nos tempos de PlayStation 2 com o primeiro título da série. Jogo protagonizado por Caim, cujo diferencial eram os combates aéreos onde controlávamos o dragão Angelus. Isso na época era sensacional. Então, um dia zapeando pelo Youtube, encontrei o trailer do novo Drakengard 3. Minha reação não poderia ser diferente de “Wow.. já quero…”. Mas, fala sério, pelo vídeo abaixo, quem não quereria?

Contudo, apesar do belíssimo trabalho com a cinemática, essa beleza toda acaba aí. Os gráficos do jogo são pra lá de ultrapassados para um jogo de 2013. God of War 3, por exemplo, rodava mais liso e com melhores gráficos já em 2010.

E não falo só da queda de resolução brutal para o Gameplay, como também as constantes quedas de framerate que o jogo sofre. Acho que a Unreal Engine, motor gráfico do jogo, não foi, nem de longe, otimizado para o título. Por vários momentos cheguei a pensar os gráficos no primeiro título pareciam melhores.

Drakengard 3 - In Game

Mas também existem coisas boas. A dublagem é ótima. De todos os personagens. Me peguei parado por diversos momentos só ouvindo as conversas entre eles. Atenção especial para a Tara Platt, quem dá a voz à protagonista, Zero, pelo excelente trabalho. A trilha sonora não é algo a se destacar, mas cumpre bem seu papel. São boas músicas e todas originais.

Jogabilidade

Apesar das constantes quedas de framerate, Drakengard 3 traz um gameplay interessante. Traz os elementos anteriores, de o personagem utilizar várias armas e essas armas se refinarem, com uma nova roupagem. Agora o jogador é capaz de trocar de arma durante a sequência, o que amplia de forma absurda as possiblidades. Contudo, para facilitar essa nova função, escolhemos apenas 4 armas para irmos para o combate.

Os combates montados foram outra decepção. A jogabilidade se manteve no padrão da franquia, contudo os combates são bem mais raros e tem um script natural para acontecer, diferentemente dos primeiros títulos em que o jogador tinha liberdade para ir para que lado quisesse. Em alguns momentos parece até um Quick Time Event. Outra novidade do jogo é que em alguns pontos do mapa fica um símbolo brilhando. Caso você vá a esse símbolo e aperte o botão de interação, Mikhail desce e te ajuda no combate.

A medida que matamos inimigos, o sangue deles vai jorrando e sujando a roupa da Zero. Quando Zero fica completamente banhada de sangue (que é quando a barra medidora se enche) pressionamos os 2 analógicos para entrar no modo Intoner, um modo de frenesi que Zero ganha velocidade, dano e alcance nos ataques. São apenas alguns segundos, então devem ser em momentos bem escolhidos.

Cada mapa tem baús, alguns bem descarados e alguns bem escondidos. Você tem que procurar bem para encontrar todos. Em alguns baús você encontra armas, que podem ser de 4 tipos: Lança, Espada, Garra (ou punho) e Chakram (escolha bizarra, mas tudo bem..). Cada arma possui status de dano que aumenta conforme o nível da arma. Outras coisas que melhoram com o nível da arma são a sequência, que aumenta, e o alcance. Em outros baús você pode encontrar materiais para refinar as armas. Caso você queira refinar todas as armas, boa sorte. Você vai precisar.

Ao iniciar um capítulo, podemos escolher uma arma de cada tipo para levar e 2 discípulos. Na parte do enredo eu falo sobre eles, mas ao todo são 4 discípulos e, a bem da verdade, não faz muita diferença quais discípulos levar. Eles só lhe ajudarão nos combates e as conversas seguem como se todos os discípulos estivessem lhe acompanhando.




A dificuldade do jogo é outro divisor de águas. O início do jogo é bem tranquilo. Pra quem já tem alguma experiência com Hack n’ Slash, é como um passeio no parque de mãos dadas com a vovó. Durante as batalhas contra as irmãs a coisa muda um pouco, mas só um pouco. Você tem que prestar atenção nos padrões de ataques e saber como agir corretamente. O jogo apresenta alguns desafios para que você possa refinar as habilidades da Zero. E nesses desafios a coisa complica. Mas complica feio. Os primeiros são bem tranquilos, mas antes da metade já estão bem frustrantes. Passou da metade então eu simplesmente não consegui avançar nos desafios. Repetia-os até 10 vezes e desistia, por que simplesmente não via o que eu poderia fazer diferente para completar o desafio em tempo.

E a dificuldade não piora apenas nos desafios. Ao final do jogo, a narradora apresenta uma possibilidade, uma quebra no fluxo do tempo, que são chamadas de ramificações. A primeira ramificação é o final correto do jogo (na parte de enredo eu explico melhor), mas as outras 3 ramificações são mais explicativas sobre a história do jogo. E é aí que o bicho pega. A dificuldade de cada ramificação aumenta, em relação à anterior, de modo quase covarde e você, caso não seja um ninja do joystick, vai precisar de muita paciência e insistência (sim, sou bem paciente e insistente mesmo…) para a total conclusão do jogo.

Drakengard 3 - Zero 2

História

O mundo estava envolto em guerras civis onde os Senhores de Guerra maltratavam a população e a terra. No ápice da carnificina, 5 criaturas misteriosas chamadas Intoners apareceram e usando mágica através da música encerraram todos os conflitos. Graças à essa intervenção, a população passou a tratar e a respeitar as Intoners como divindades. As Intoners então se separaram e governaram terras diferentes. One continuou na cidade da catedral, Two foi para as terras desérticas, Three se mudou para as florestas, Four foi para as terras montanhosas e Five para as terras costeiras para dominar os mares.

Contudo, como pode ser visto na introdução mostrada lá no começo da análise, Zero se intitula uma Intoner também, mas com o objetivo de matar todas as outras 5.

Essa é a base mostrada da história de Drakengard. O resto é bem escondido do jogador, sendo boa parte revelada nas ramificações C e D e uma outra boa parte na pequena novela que conta a história de Zero e em uma série de mangás que contam um pouco da batalha das Intoners contra os Warlords e uma série que mostra algo bem mais no futuro que indica que a primeira ramificação, ou seja, o primeiro final, é o verdadeiro.

Resumindo o que é tratado em outras mídias, Zero nasceu em uma família pobre e, portanto, aprendeu a roubar comida antes mesmo de aprender a falar. Quando chegou à puberdade sua mãe à vendeu a um bordel sem sequer pensar duas vezes. Lá conheceu uma menina que passou a chama-la de Rose, devido a cor de seus olhos, e assim Zero, digo, Rose, passou a chamar a menina de Índigo, pelo mesmo motivo.

As duas resolveram então fugir do bordel e viver de seus furtos. Entretanto, em uma dessas fugas, Índigo deixou Rose à própria sorte. Foi então que Rose aprendeu que não deveria confiar em ninguém além de si mesma. Passou então a refinar seu método. Agora ela matava quem furtava para que, desse modo, a pessoa não a perseguisse. Quando sua lista de assassinatos ultrapassou os três dígitos, Rose já era bem conhecida e já existia um prêmio por sua cabeça.

Quando foi presa, Rose sofreu algumas torturas e foi levada a uma praça, onde ficou presa com outras 5 mulheres, que aparentemente eram líderes dos movimentos contra os Senhores de Guerra. Estas, sim, sofreram muitas torturas. Uma delas tinha pregos no lugar dos olhos e as mãos e os pés totalmente lacerados por queimaduras.

Nesse momento, Rose sentia ódio. Ódio contra o mundo. Contra tudo que a tornou o que ela era. E foi nesse momento que uma rosa surgiu (sim, a rosa que fica no olho dela) e a fez voltar à vida.

Drakengard 3 - Zero

Sim. Por mais bizarro que pareça, essa flor tem grande significado e relevância na história do jogo.

Zero é bem reservada e, por todas as vezes que perguntam o que a motiva a querer matar as Intoners, ela se sai com uma resposta vazia. Quase sempre dando a entender que é uma vilã e que está pouco se lixando para os outros. Mas isso sempre é motivo de desconfiança. Você fica sempre com a sensação de que tem algo faltando. Alguma peça que não foi exposta e que, no fundo, a Zero é boa. E sobre os que perguntam, cada Intoner tomou para si um discípulo para que pudesse utilizá-lo como catalizador de seus poderes mágicos. Zero, que não é besta, mata apenas as Intoners, tomando para si os discípulos. Os discípulos a ajudam nos combates e servem como seu harém pessoal…. é.. Japoneses tem alguns fetiches bizarros… enfim.

Conclusão

Drakengard é um universo obscuro com uma história profunda e cheia de espaço para interpretações. Espaços esses que foram um pouco preenchido pelas mídias alternativas (Mangás e novelas) mas que ainda deixam muitas perguntas.

Infelizmente o jogo sofreu com os problemas técnicos e, o que deveria ser um jogo épico, acabou sendo um jogo mediano, recomendado só para os fãs da série. Espero que o próximo título traga a qualidade que a série merece para a nova geração.

Minha nota para o jogo é 7,2.