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Resenha: O Cemitério, Stephen King

por em 24 de julho de 2017
Detalhes
 
Lançado em

1983

Nome original

Pet Sematary

Positivos

+ Capa maravilhosa;
+ Narrativa incrível;
+ Assustador;
+ Personagens bem construídos;

Negativos

- Não encontrei.

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Sinopse
 

Louis Creed, jovem médico de Chicago, acredita que encontrou seu lugar naquela pequena cidade do Maine. Uma casa boa, o trabalho na universidade, a felicidade da esposa e dos filhos. Num dos primeiros passeios para explorar a região, conhece um cemitério no bosque próximo à sua casa. Ali, gerações e gerações de crianças enterraram seus animais de estimação. Para além dos pequenos túmulos, onde letras infantis registram seu primeiro contato com a morte, há, no entanto, um outro cemitério. Uma terra maligna que atrai pessoas com promessas sedutoras. Um universo dominado por forças estranhas capazes de tornar real o que sempre pareceu impossível. A princípio, Louis se diverte com as histórias fantasmagóricas do velho vizinho Crandall. Só aos poucos começa a perceber que o poder de sua ciência tem limites. Prepare-se para páginas de puro pavor. Em uma de suas mais terríveis histórias, Stephen King mostra como a dor e a loucura, muitas vezes, dividem a mesma estrada.

 

Que Stephen King é o rei do horror, ninguém discorda. De tempos em tempos o hype de suas obras estoura de maneira absurda, e depois volta a diminuir. Nunca some, é claro. Impossível esquecer do rei. No momento temos a ansiedade pelo novo filme de “It”; a série “O nevoeiro” que vai sair na Netflix; temos  o filme “A Torre Negra”; o livro “Sleeping Beauties” em parceria com o filho dele; temos outra série de TV, “Mr. Mercedes”, além de “Castle Rock” que é uma série que conta com a produção de nosso amado J.J. Abrams e se passa no universo do titio King. É tiro atrás de tiro. Como nenhum saiu ainda, estou aqui para falar de uma das minhas obras favoritas do autor: “O Cemitério”.




Na adolescência eu tentei ler vários livros do autor, mas na época eu não entendia a narrativa dele e largava antes de chegar na metade. Quem conhece as obras dele, sabe que ele adora contextualizar tudo, então demora um pouco a engrenar a história, e eu era uma adolescente sem muita persistência mesmo (eu tinha quatorze anos, idade essa que todas a evidências apontam que eu era uma ameba). Até que um dia eu assisti ao filme d’“O iluminado” e amar a ponto de alugar o livro na biblioteca do colégio e persistir vitoriosamente na leitura e aprender uma importante lição de vida: Stephen King é um autor muito f*da. Até hoje eu me arrepio ao lembrar de como ele construiu a narrativa até o ponto em que você fica desesperado lendo, em um looping complexo entre querer parar de ler porque não aguenta mais a ansiedade e não conseguir parar de ler porque sua ansiedade só vai embora depois que você terminar e descobrir como tudo aquilo acaba

Voltando ao livro em questão, que no caso é “O cemitério”, eu fiquei interessada em lê-lo após a indicação do meu boy. Eu já li vários outros livros do autor, mas esse eu não conhecia. Uma amiga maravilhosa então me deu (OBRIGADA JANA, VOCÊ É UMA DEUSA <3) e eu engoli o livro. Não literalmente, mas ainda é uma possibilidade tal amor que eu sinto por ele, e Hannibal me ensinou que existem meios de se honrar as pessoas amadas, e uma delas é comendo. Por que não o livro, não é mesmo?




A história começa bem simples: uma família, os Creed, se mudando para uma pequena cidade do Maine com a esposa e as duas crianças do casal. A casa fica em frente a uma movimentada estrada, e são vizinhos de um casal de velhos muito simpáticos, que logo se afeiçoam a eles. Perto da casa existe um bosque e logo descobrem haver lá o que chamam de “simitério”, onde gerações de crianças enterraram seus amados bichos ali.

A narrativa se desenvolve ao redor da família e sua rotina, sendo o pai o personagem principal. Louis é médico, um marido dedicado, e pai devoto. Ele se mudou para ser médico da universidade local, procurando uma estabilidade que proporcionasse bons momento em família e um trabalho que pagasse bem o suficiente para viverem com bastante conforto. E por um bom tempo, foi isso o que aconteceu. Como toda narrativa do titio King, as coisas começam devagar. Ele apresenta fatos isolados, de maneira que parecem ser somente coisas normais do cotidiano, até que eclode alguma situação absurda. No caso de Louis, aparece um estudante para atendimento médico e ele está parcialmente morto, com o cérebro escorrendo e tudo. Esse estudante lhe diz coisas misteriosas antes de morrer, e após o incidente, Louis tem pesadelos com ele. Nesse pesadelo, o rapaz o alerta sobre o “simitério”, dizendo que ele jamais deveria ir até lá ou desencadearia algo muito ruim. Já sabemos que isso vai acontecer, o que não sabemos é quando ou porquê.

Louis atribui o pesadelo ao trauma de ter visto o rapaz morrer de forma tão violenta na sua frente e apaga de sua mente. Muito tempo depois, acontece outro acidente: o amado gato de sua filha morre. Devo citar antes de isso acontecer, houve um momento bem tenso no começo do livro quando sua filha descobre que todos os seres vivos morrem e Louis precisa explicar sobre o tópico à filha, causando um enorme desconforto na família em geral, pois sua esposa tem um profundo trauma relacionado à morte e não queria que a filha soubesse sobre o assunto. Então, quando o gato morre atropelado na estrada movimentada, Louis fica desesperado. É quando o seu vizinho, o velho Jud, lhe diz para ficar tranquilo. Eles pegam o cadáver e acabam por leva-lo até o “simitério”, mas não aquele que Louis conhece, um que vai além, um que traz arrepios a sua pele, e um desconforto na sua alma. Jud parece transformado ao leva-lo até lá para enterrarem o gato. Na manhã seguinte, exausto, Louis percebe que o gato voltou, mas não parece o mesmo gato, e ao mesmo tempo, é ele.

A partir daí a narrativa fica cada vez mais densa, mais envolvente. O que diabos é aquele segundo “simitério”? Como Jud sabia do lugar? Por que Louis não consegue sentir outra coisa pelo gato além de repugnância? E as coisas vão se desenrolando como uma avalanche, até o final surpreendente, que dá arrepios em cada canto do seu corpo.

Stephen King não desperdiça narrativa. Tudo o que ele solta no livro é importante, então você fica sempre preso, procurando pistas sobre o que vai acontecer. E as vezes, quando você as desvenda, você fica chocado com o que descobre e não quer acreditar. Ele vai mesmo fazer isso?! E ele faz. Ou pior. O livro é incrível, te prendendo de maneira espetacular. E como eu disse, o final não é nada do que você poderia pensar que seria. Os personagens são deliciosamente bem construídos, o modo temporal do livro é bem marcado, e cada ação é bem pensada. Nada de pontas soltas para o senhor King.

Se você não leu, está na hora. Além da disso, encontrei a adaptação cinematográfica, no Brasil é chamada de “Cemitério maldito”, e foi lançada em 1989. Não assisti ainda, mas irei. Quem sabe não rola uma resenha por aqui, comparando, não é mesmo?

 

Obs: Aparentemente esse filme tem uma continuação. Será que presta?!