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O thriller psicológico “O jardim das borboletas” chega ao Brasil

por em 29 de dezembro de 2017
Detalhes
 
Lançado em

2017

Nome original

The butterfly garden

Positivos

+ Narrativa envolvente;
+ Personagens carismáticos;
+ Capa linda <3 + Diagramação maravilhosa + História profunda e chocante

Negativos

- Gatilho emocional
- O final, mas digo o finalzinho-inho, poderia ter sido um pouco melhor

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Sinopse
 

Quando a beleza das borboletas encontra os horrores de uma mente doentia. Um thriller arrebatador, fenômeno no mundo inteiro Perto de uma mansão isolada, existia um maravilhoso jardim. Nele, cresciam flores exuberantes, árvores frondosas... e uma coleção de preciosas “borboletas”: jovens mulheres, sequestradas e mantidas em cativeiro por um homem brutal e obsessivo, conhecido apenas como Jardineiro. Cada uma delas passa a ser identificada pelo nome de uma espécie de borboleta, tendo, então, a pele marcada com um complexo desenho correspondente. Quando o jardim é finalmente descoberto, uma das sobreviventes é levada às autoridades, a fim de prestar seu depoimento. A tarefa de juntar as peças desse complexo quebra-cabeça cabe aos agentes do fbi Victor Hanoverian e Brandon Eddinson, nesse que se tornará o mais chocante e perturbador caso de suas vidas. Mas Maya, a enigmática garota responsável por contar essa história, não parece disposta a esclarecer todos os sórdidos detalhes de sua experiência. Em meio a velhos ressentimentos, novos traumas e o terrível relato sobre um homem obcecado pela beleza, os agentes ficam com a sensação de que ela esconde algum grande segredo.

 

“- Não é tão diferente de falar com.. – Ela morde o lábio inferior rachado e faz uma careta quando sente o sangue escapar pela pele ressecada. Toma outro gole de água.

– Com? – pergunta ele delicadamente.

– Com ele – responde ela – com o Jardineiro.

– Ah, sim, o homem que sequestrou você… Você conversou com o jardineiro dele?

Ela balança a cabeça, negando.

Ele era o Jardineiro.” (p.15)

O jardim das borboletas”, de Dot Hutchison, é um thriller psicológico intrigante. A história é dividida em três partes, sendo narrada pela protagonista Maya e, em outros trechos, pelos agente do FBI Victor Hanoverian e Brandon Eddison.

A história já começa pelo “fim”. A polícia prendeu o serial killer, e as vítimas que sobreviveram estão a salvo. Porém, eles precisam juntar os fatos e descobrir exatamente o que aconteceu. É ai que entra Maya, uma das sobreviventes, e que parece ser a líder das garotas que escaparam, a única que parece poder contar a eles o que houve. Ela é de cara apresentada como uma mulher forte, mesmo tendo pouca idade, e sua personalidade é bem explorada dentro da história, de forma que conseguimos ter uma perspectiva melhor do que acontece. Habituada a uma vida difícil e sendo uma sobrevivente, Maya consegue manter a frieza em seus relatos, sem pintar os acontecimentos ou fugir deles.

O serial killer autoproclamado “Jardineiro” sequestrava e mantinha em cativeiro diversas mulheres ao longo dos anos. Ele as chamava de borboletas e as mantinha em seu “jardim”, um espaço escondido e projetado para se parecer com um jardim de verdade, com riacho, árvores, flores. Lá, o Jardineiro trata essas mulheres como sua propriedade, marcando-as como suas através de tatuagem e estupro, abusando física e psicologicamente de todas. Até o dia em que conseguiram fugir.

Somos apresentados a todos esses fatos aos poucos através da conversa de Maya com os agentes. A princípio só sabemos o que a sinopse nos conta, o que já é bastante ruim, mas descobrir lentamente, camada por camada, o que realmente houve, é bem pesado. Claro, a história tem o cuidado de pesar entre momentos chocantes e momentos leves, como se para deixar que o leitor respire um pouco antes do próximo murro no estômago.

O livro é bem pesado. Para alguém que possui gatilho emocional pode ser muito difícil de se ler dado à crueza dos relatos de Maya. A leitura em si, para todos, é maravilhosa. A narrativa é leve, mesmo que o que se esteja contando não o seja, com uma história que vai para o passado e volta para o presente, nos fazendo entrar intimamente na situação da personagem, seja no antes, seja no agora. Além dos acontecimentos no Jardim, temos também a retrospectiva da vida de Maya, que nos aproxima ainda mais dela.

Os personagens são muito carismáticos. A autora fez um trabalho majestoso definindo com exatidão as peculiaridades de cada uma das garotas, dos agentes e da própria Maya. Fica muito difícil não se apegar. Ela também teve um cuidado de descrever o serial killer de maneira que você pode enxergar o seu carisma, a sua força animalesca, mas não se apegar a ele. Aliás, é impossível não sentir repugnância. Ele é cruel, frio, e acredita tanto em suas convicções que você não sente outra coisa além de angústia. Como algum ser humano poderia pensar dessa maneira? O choque é um fator recorrente dentro da história. Questões de extremo tabu são levantadas o tempo todo nesse livro, e tratadas de maneira pontual, com cuidado, para que não sejam tratadas sem reflexão. É uma história que bate na sua cara, e dói.

O ambiente é bem descrito, tanto a delegacia – onde se passa o interrogatório – quanto o Jardim, onde as meninas vivem em cativeiro. Você pode perceber em vários momentos como, apesar de ser um ambiente “aberto”, o Jardim pode ser extremamente claustrofóbico.

Particularmente, eu não consegui parar de ler o livro até terminar. Achei a história intrigante, e você fica instigado a entender o que aconteceu, como foi que elas fugiram, quem são essas pessoas, quem é o Jardineiro, como ele pôde fazer tudo aquilo. Eu queria saber mais o tempo todo.

O livro é de capa dura e tem um desenho em alto relevo lindo na frente. O projeto gráfico está muito bonito. Existem um ou outro erro de tradução, mas são tão poucos e esparsos que se tornam irrelevantes, de maneira que não atrapalham a leitura. É um livro que é belo por fora e um tanto quanto cruel por dentro, mas que vale a pena ler.

Esse é o primeiro livro da série “Colecionador”, obra essa que já teve seus direitos cinematográficos adquiridos pelos produtores de “Spotlight” (2016). Agora é aguardar ansiosamente o que irão fazer, porque, sinceramente, se lendo eu já fiquei impactada, imagine assistindo.