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Indicação de leitura natalina: Um conto de Natal, de Charles Dickens

por em 22 de dezembro de 2017
Detalhes
 
Lançado em

1843

Nome original

A Christmas Carol

Positivos

+ enredo envolvente;
+ livro cativante;
+ história curta;
+ personagens maravilhosos;
+ excelente desenvolvimento;
+ lição de moral <3

Negativos

- Dickens é perfeito. Aceitem.

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Sinopse
 

"Um Conto de Natal" do britânico Charles Dickens (1812-1870) é uma das histórias mais famosas da literatura ocidental. O enredo nos traz a figura de Ebenezer Scrooge, um avarento homem de negócios londrino, rabugento e solitário, que não demonstra um pingo de bons sentimentos e compaixão para com os outros. Scrooge não deixa que ninguém se aproxime e rompa a sua dura carapaça, preocupando-se apenas com os negócios, o dinheiro e os lucros. No anoitecer frio da véspera natalina, ele é visitado pelo fantasma de Jacob Marley (seu antigo sócio comercial, morto há sete anos) que o repreende e anuncia que Scrooge se prepare, pois será visitado por três espectros do seu próprio passado, presente e futuro... A história da redenção do velho Scrooge vêm comovendo adultos e crianças de todas as épocas.

A história foi escrita entre outubro e novembro de 1843, para ser publicada em capítulos de jornal, com ilustrações de John Leech, em dezembro do mesmo ano. O enredo é familiar a todos: foi filmado várias vezes e televisionado; adaptado para o teatro e para crianças. Transformado em desenho animado e HQs. A figura e o personagem de Scrooge teve vários descendentes literários, um dos mais célebres é o Tio Patinhas de Walt Disney: "Uncle Scrooge McDuck" em inglês.

 

          

Nascido em Portsmouth (Inglaterra) em 1812, Charles John Huffam Dickens, ou somente Charles Dickens, é um dos maiores renomes da literatura inglesa, conhecido mundialmente por clássicos como “Oliver Twist”, “David Copperfield”, “Grandes esperanças” e, o que eu considero mais conhecido, “Um conto de natal”. Você pode nunca ter ouvido o nome dele na sua vida ou até mesmo nunca ter lido nada desse autor, mas com certeza você já se deparou com alguma adaptação da sua obra mais famosa: “A christmas carol”, que foi traduzido de diversas maneiras, tais como “Um conto de natal”, “Cânticos de natal” ou até mesmo “Canção de natal”. Mas, não importando a tradução do título, seu conteúdo é tão conhecido que mesmo que você nem mesmo saiba como se chama, o pensamento mais comum é “Ah, já vi isso antes, mas de outro jeito”.

Ebenezer Scrooge é um velho rabugento, mão de vaca, mesquinho e solitário que odeia o natal e a alegria em si. Não demonstra compaixão, empatia, enfim, bons sentimentos. Tudo com o que ele se preocupa em sua vida são os negócios, seus lucros, dinheiro. É quando na véspera do natal, sozinho em sua mansão fria e vazia, ele é visitado pelo espírito do seu falecido sócio, Jacob Marley, que o repreende e avisa que ele será visitado pelos três espíritos do natal: passado, presente e futuro. É quando o velho Scrooge tem que se deparar com muitas verdades em sua vida, e repensar sobre ela, antes que seja tarde demais.

Reconheceu? Não?! Talvez você tenha assistido “Os fantasmas de Scrooge” (2009), com o nosso querido Jim Carrey em uma animação da Disney? Ou quem sabe, “O conto de natal do Mickey” (1983), também da Disney, onde o tio Patinhas é o velho Scrooge?! Até a Barbie tem sua própria versão, com o filme “Barbie em a canção de natal” (2008), que meu filho me fez assistir umas 500 vezes. Bill Murray também teve sua versão, com o filme “Os fantasmas contra atacam” (1988). Podemos citar também “O conto de natal dos Muppets” (1992), o filme “Adorável avarento” (1970), “Uma história de natal dos Flinstones” (1994), e eu poderia citar filmes inspirados em “Um conto de natal” para sempre. E isso eu estou somente falando da parte cinematográfica, já que podemos também nos deparar com peças, livros, quadrinhos, todos inspirados nele. Também já vi plots um pouco diferentes, como, ao invés de ser o velho Ebenezer, ser um personagem qualquer que é mulherengo, ou avarento, ou um babacão, ou coisa assim, que na época do Natal é visitado(a) pelos espíritos dos natais e acaba mudando. Então se você nunca ouviu falar ou nunca se deparou com essa história, saia da concha em que você está vivendo, por favor.

Sinceramente, eu AMO o livro, e eu AMO as obras inspiradas nesse livro. Eu acho a temática de redenção explorado por Dickens muito boa, pois ele faz com o que o personagem se depare com os próprios defeitos, com velhos erros, rancores guardados, e perceba que apesar de tudo isso, ele é humano e pode sempre mudar para melhor. Ebenezer é um personagem que, apesar de fazer parte de um conto curto, tem um crescimento maravilhoso e bem explorado dentro da narrativa. Dickens adora explorar personagens, digamos, mais reais, de maneira que a sociedade sempre pôde se identificar com os dramas apresentados pelo autor. Além da suas críticas mais sutis à sociedade, como o próprio Scrooge, que representaria a ganância pelo lucro, sendo um personagem que não se importa com mais nada, somente com lucro – sem nem ao mesmo usufruir dele!

É interessante ressaltar que Dickens escreveu em uma Inglaterra que acabara de passar pela Revolução Industrial, com fábricas e manufaturas, a construção de ferrovias que passaram a interligar as cidades e o interior do país, as leis de livre-comércio que incentivavam ainda mais o capitalismo etc etc. E sabemos que com o desenvolvimento de um país a todo vapor, as taxas de analfabetismo tendem a diminuir. Mas, naqueles tempos, as pessoas não tinham esse acesso todo à livros como temos nos dias atuais. As histórias, em geral, eram escritas em folhetins, que eram publicados, obviamente, em jornais (inclusive, no Brasil essa prática foi muito vigente por muito tempo). Nessa época surge um público ávido por boas histórias, e os jornais trouxeram isso na forma desses romance-folhetim, como o caso do nosso querido “Um conto de natal”. As vezes tais histórias demoravam meses ou até mesmo anos para finalizar (tem um caso específico de uma história francesa, que o autor ficou cansado de tanto falar do mesmo personagem, pois sua história já durava 6 anos!, e matou o coitado. A comoção foi tanta, que ele teve que dar um jeito de ressuscitar a criatura e continuar a história por mais alguns anos.). Para finalizar essa pequena curiosidade, Dickens era um dos autores favoritos da época, e, sabendo que as famílias se reuniam para ler as histórias, ele gostava de criar enredos bons, com personagens complexos e bem montados, de tal maneira que ele chegou a escrever histórias que, ao se tornarem livros, chegaram a ter 800 páginas!

Agora podem ir atrás do livro, aproveitem que desde o mês passado o natal bate em nossas portas. “Um conto de natal” pode fechar suas leituras do ano com chave de ouro.