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Eu, você e a garota que vai morrer – Livro x filme

por em 18 de abril de 2017
Detalhes
 
Lançado em

2015

Nome original

Me, Earl and the dying girl

Positivos

- Earl;
- Filme muito bom <3

Negativos

- Personagem babaca;
- Personagem insuportável;
- Narrativa fraca e desconexa;
- Não tem graça;
- Força demais ser diferente.

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Sinopse
 

Livro que deu origem ao filme vencedor do Festival Sundance 2015, nas categorias Público e Crítica, com estreia marcada para 12 de junho nos EUA, Eu, você e a garota que vai morrer é uma mistura perfeita entre drama e humor e um retrato preciso da adolescência em face do amadurecimento. Na trama, Greg tem apenas um amigo, Earl, com quem passa o tempo livre jogando videogame e (re)criando versões bastante pessoais de clássicos do cinema, até a sua mãe decidir que ele deve se aproximar de Raquel, colega de turma que sofre de leucemia. Contrariando todas as expectativas, os três se tornam amigos e vivem experiências ao mesmo tempo tocantes e hilárias, narradas com incrível talento e sensibilidade. Crossover com enorme potencial no segmento young adult, o romance é perfeito para fãs de livros e filmes como A culpa é das estrelas e As vantagens de ser invisível.

P.S: Eu li essa bottom line e foi por isso que eu li o livro. Não acreditem nela.

 

O mundo precisa de livros diferentes. Isso é um fato. Hoje em dia acabo esbarrando em muito enredo parecido, além dos plots que são tão iguais que eu já sei passo a passo o que vai acontecer. Na literatura juvenil isso está quase virando regra. Em “Eu, você e a garota que vai morrer” o autor quebrar isso. Infelizmente, considero o livro uma bosta, mas não uma completa bosta. Vamos aos motivos.




A história é narrada por Greg, um garoto comum, nem um pouco bonito, que não é excepcionalmente inteligente ou bom em alguma coisa. Ele está no último ano no colégio e passou anos se esforçando para não ser amigo de ninguém ou se aproximar muito de um grupo com o intuito de ser invisível e não sofrer bullying. Acabou sendo o cara do colégio que é amigável e engraçado, que ninguém lembra, mas está sempre por ali. Ele tem uma amizade questionável com Earl, um jovem que fala mais palavrão do que qualquer pessoa que você conhece, fuma, bebe e seria o típico revoltado, se ele não fosse o melhor personagem. Earl tem uma vida, desculpem a palavra, bem fodida: a mãe é alcoólatra, tanto ele quanto os irmãos foram abandonados pelo pai, são todos jovens largados, sem supervisão e que tem que se virar na vida. Então a personalidade e o modo de viver do Earl na verdade formam um background seguro e sólido, que o tornam mais interessante.  Mas estou divagando.

Greg está animado pelo último ano, pois tudo o que ele construiu até ali estava dando certo (o que ele construiu = ser invisível), até que sua mãe o obriga a ser amigo de Rachel, uma ex-namorada que agora está com leucemia e a mãe dele acha que ele tem que dar apoio moral. E o resto da narrativa se desenrola ao redor dessa amizade, certo? Não.

Primeiro que Greg é um imbecil de marca maior. O autor se esforça tanto para que ele seja comum que ele ultrapassa a linha da babaquice. Greg é um personagem entediante, egoísta, que na verdade não se importa com ninguém e sofre quando tem que agir como se importasse com Rachel. Sério, ele SOFRE com isso. Ele tem muitas frases que resumidas são “Eu não queria estar aqui, porque eu sei que eu não me importo, mas eu me obrigo a ficar porque é a coisa certa, sendo que eu vou ficar só aqui tagarelando e tentando ser engraçado para ela rir, porque se ela rir, eu vou ao menos me sentir bem com isso tudo.” E são muitas frases mesmo em que ele repete isso. E a narrativa gira em torno disso tudo, e não da amizade dele com a Rachel.

Mas Becky, você disse que ele foi forçado pela mãe, é natural isso, não? Obviamente. É natural que ele não queira ser amigo dela, já que ele nunca foi e nunca se interessou de verdade por ela (ou por algum outro ser humano). Aliás, ele dedica um capítulo inteiro a todas as meninas da vida dele e tudo o que ele fala sobre elas é extremamente cruel e misógino. Ele é só mais um adolescente babaca que vê mulheres como peitos e vagina, e faria de tudo para ficar com a menina popular que tem seios enormes, mas infelizmente acabou por alguma razão tendo um pseudo namoro com Rachel, uma menina que ele descreve basicamente como sem graça e que trata como lixo até eles terminarem oficialmente. Então é óbvio que quando foi forçado a reatar uma amizade com Rachel só pelo fato de que ela vai morrer ele não queira fazer isso. Mas isso não o torna menos babaca, sinto muito gente.

Earl, por outro lado, é um cara que se importa com Rachel e mesmo sem conhece-la ele se esforça para que ela se sinta melhor, o que faz com que Greg sinta culpa por ser um bosta. Greg incrivelmente possui autocrítica, então ele sabe quando está sendo um bosta e se sente mal por isso, mas quando isso acontece, passa linhas e linhas com baboseira autodepreciativa que não acrescentam nada à narrativa, nem a vida pessoal dele, já que ele só aceita que ele é miserável. Ou seja, essa autocrítica não serve para algo relevante. Serve só para toda a baboseira que ele gosta de vomitar sobre ele mesmo, mas sem crescimento pessoal.

Ah! Não falei da Rachel. Certo.

Rachel é uma garota bem comum e gentil. Não é particularmente bonita ou inteligente. Mas ela é cativante mesmo assim, no seu jeito meigo e reservado. Acho que o ponto alto do livro é que o autor procura trabalhar com personagens que não excedem a realidade. Você consegue imaginá-los e se conectar com eles, pois pode ser qualquer pessoa. Menos com o Greg. Se você se conecta com ele, você é um campeão, no mau sentido.

A narrativa é MUITO arrastada, pois Greg parece vomitar palavras o tempo todo, e tem muitas partes bem randômicas. E ele é péssimo, então não tem nenhum prazer de ler o que “ele” escreveu. Mas ainda é um livro que apesar de eu não ter gostado, é interessante pela realidade com que o autor descreveu as coisas, mesmo ultrapassando a linha do personagem principal babaca. Porque mesmo ele sendo péssimo, você conhece pessoas como ele: sem empatia, que tentam ser engraçados a todo momento (mas não são tão engraçados), completamente comum e que não se destaca em nada.

A história também é diferente porque o câncer de Rachel é longe de ser o foco da narrativa, como normalmente acontece. Aliás, o foco da narrativa é basicamente Greg e o quão babaca ele é, e meio que tem a Rachel morrendo e o Earl (as vezes) no fundo. Não tem melodrama, nem romance, no geral, não tem nada de excepcional para se encontrar no livro. Ele é bem pequeno, não chega nem a ter trezentas páginas. Então se você por acaso se interessar, você ou lê rápido ou demora muito tempo para ler, como eu, pois é tão chato que você prefere fazer outra coisa, tipo uma faxina no quarto.




Porém, todavia, entretanto, esse livro possui um filme. Eu li algumas resenhas que falavam sobre o filme ser bem superior ao livro, então eu tive que conferir. Para a minha pessoa é uma raridade encontrar tal coisa, por isso é necessário descobrir. E não é que é verdade? A adaptação é extremamente superior. Porquê?! Vou contar.

Greg no filme não é um babaca. O personagem se parece mais com um ser humano normal, não é tão apático e egoísta. Aliás, ele é só um cara esquisito, introvertido, que tem medo de fazer amigos pois não costuma de encaixar. A história principal ainda é a mesma: ele é obrigado a ser amigo de Rachel, mas no filme ele REALMENTE fica amigo dela, e só repete duas vezes que “não é uma história de romance, então não esperem algo acontecer”, ao contrário do livro, que precisa ficar dizendo isso algumas vezes, acho que para tentar nos convencer de que não é “A culpa é das estrelas”, do John Green. Só que é impossível você confundir com um romance, já que o Greg do livro é babaca e ta cagando para a Rachel. Já no filme não, ele genuinamente se interessa pela vida da Rachel e se tornam amigos de verdade. O Earl foi suavizado no filme, não sendo tão agressivo, porém, a essência permaneceu, e você ama ele mais. <3

Eu li a resenha do site Omelete que alega que o filme é uma homenagem ao diretor Wes Anderson. Quem não o conhece, indico “Moonrise Kingdom”. Na minha concepção rudimentar, há semelhanças, de fato. Eu sou bem péssima para entender essas referências cinematográficas de diretor para diretor, então eu só apreciei. As cores, os ângulos, todo o cuidado da montagem. A trilha sonora que é boa também. Os atores foram muito bem escolhidos também, e inclusive, temos tia Petúnia de “Harry Potter” em uma participação super bizarra.

Então, no geral, já temos personagens ótimos, uma história boa (pois, como eu disse, apesar do centro ser o mesmo, eles melhoram tudo), trilha sonora boa… O filme é bem mais divertido, e você nem sente o tempo passando enquanto assiste. Eles incluíram algumas coisas engraçadas, deixaram mais dramático, colorido, envolvente. No livro a Rachel morre e você tá tão “meh” pra história que nem se comove. Mas no filme, é impossível você não ficar com o coração partido em mil pedaços, pois você finalmente pôde ter uma empatia real por todos os personagens.

Aliás, falando nisso, eu fiz uma reflexão sobre a Rachel ser a manic pixie dream girl do Greg (não sabe o que é essa expressão? Em resumo: A Manic Pixie Dream Girl existe unicamente na imaginação febril de roteiristas-diretores sensíveis para ensinar jovens homens profundos, cismados e sentimentais a aproveitar a vida e seus infinitos mistérios e aventuras. Fonte: GOOGLE.) e eu não tenho certeza. Ela realmente serve para ajudá-lo a aceitar uma amizade e a pensar adiante. Think about it.

No geral, o filme é sobre amizade, sobre cuidar uns dos outros. E eu gostei bastante. Entrou para a minha lista de “filmes melhores que os livros”. Só uma observação para o fato de que o diretor, Alfonso Gomez Rejon, é diretor também em Glee e em American Horror Story. Bem… versátil. Ah, e o Justiceiro (Jon Bethal) está no filme como professor. E o Hugh Jackman faz uma ponta. Eu ainda to chocada com esses detalhes, mas acho que é a vida.




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