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A Desconhecida – Mary Kubica

por em 20 de julho de 2017
Detalhes
 
Editora
Lançado em

2017

Nome original

Pretty Baby

Positivos

- Capa bonita;
- Personagens bem construídos;
- Mistério envolvente;

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Sinopse
 

Mais um instigante thriller psicológico da mesma autora de A Garota Perfeita, best-seller do The New York Times Todos os dias, a humanitária Heidi pega o trem suspenso de Chicago e se dirige ao trabalho, uma ONG que atende refugiados e pessoas com dificuldades. Em uma dessas viagens diárias ela se compadece de uma adolescente, que vive zanzando pelas estações com um bebê. É fato que as duas vivem nas ruas e estão sofrendo com a fome, a umidade e o frio intenso que castigam Chicago. Num ímpeto, Heidi resolve acolher Willow, a garota, e Ruby, a criança, em sua casa, provocando incômodo em seu marido e sua filha pré-adolescente. Arredia e taciturna, Willow não se abre e parece esconder algo sério ou estar fugindo de alguém. Mas Heidi segue alheia ao perigo de abrigar uma total estranha em casa. Porém Chris, seu marido, e Zoe, sua filha, têm plena convicção de que Willow é um foco de problemas e se mantêm alertas. Em um crescente de tensão, capítulo após capítulo a verdade é revelada e o leitor irá descobrir quem tem razão.

 

 

“A desconhecida” é o novo livro da autora Mary Kubica, que já lançou o bem-sucedido “A garota perfeita”. Mary disse que, ao contrário do que fez com seu primeiro livro (que ela escreveu escondido), esse novo livro passou pelo aval de várias pessoas queridas e ela tem muito orgulho dele. E eu acho que ela deveria ter mesmo. É uma história incrível.

O livro se passa na visão de três personagens: Heidi, uma mulher casada, que trabalha em uma instituição sem fins lucrativos dando auxílio a refugiados; Chris, o marido de Heidi, que trabalha com alguma coisa na área de exatas (eu sou de humanas, não entendo dessas coisas) e Willow, uma adolescente que mora nas ruas com uma bebê. Tudo se inicia quando Heidi vê Willow na estação de trem, e se comove com a situação da menina – que está parada na chuva com a bebê enrolada dentro do casaco. Na terceira vez ou quarta que elas se veem por acaso na rua, Heidi não aguenta. Vai falar com a menina, tenta ajudar pagando um jantar, fraldas, o que for. E não descansa até conseguir levar Willow e a bebê para a própria casa.

 

” – Qual o seu nome? – pergunto. Ela não me diz seu nome. Não a princípio, pelo menos. – Eu me chamo Heidi – digo, optando por começar. Parece ser a coisa certa a fazer. Eu, lembro a mim mesma, sou a adulta. – Heidi Wood. Eu tenho uma filha. Zoe. Ela tem doze anos.” (p.53)

A narrativa então se transforma em um crescendo. Temos uma divisão de visões que torna tudo muito interessante. Heidi conta a história a partir da sua visão do presente, mesclando com algumas lembranças traumáticas do passado que importam ainda muito para ela no presente. Os momentos com Chris são contados somente no presente, ele raramente faz alguma alusão ao passado, focando sempre no que está acontecendo e suas preocupações. Já as passagens do ponto de vista de Willow são os mais interessantes, pois nunca é do presente e sim do futuro. Willow está presa, e você não sabe o motivo, só sabe que tem algo a ver com Heidi. Ela está passando por um interrogatório, e aos poucos você conhece um pouco do que aconteceu no passado da adolescente e como terminou daquela maneira. Mary conseguiu ligar as narrativas de uma maneira deliciosa, de forma que quanto mais você lê, mais você entende o que está acontecendo e mais você se surpreende. Me lembrou um pouco a narrativa “crescendo” de Stephen King, onde ele começa aos poucos, vai tornando tudo muito complicado, mas sempre aos poucos, construindo a narrativa de forma que te prenda completamente em uma teia, e então o clímax chega e tudo termina tão rapidamente que você fica atordoado, depois de tanta tensão. E assim é Mary Kubica em seu livro, prendendo-o nos mistérios de sua narrativa.

Você não consegue deixar de se perguntar quem é Willow, porque ela mora nas ruas, se pergunta sobre o seu comportamento estranho – uma mistura de agressividade e reverência, sempre respeitando os mais velhos. São muitas perguntas, e você só poderá responde-las ao terminar a narrativa.

“- Então porque você fez o que fez? – pergunta ela. A mulher com o cabelo prateado longo, penteado reto. E dentes grandes. Como os dentes de um cavalo.

Eu não queria machucá-la. – digo. – Ou a sua família.” (p.48)

Os personagens são todos incríveis, bem reais. A filha de doze anos de Heidi é incrivelmente irritante, como somente uma adolescente mimada poderia ser. Os colegas de trabalho de Chris, o vizinho deles, todos os personagens são muito bem construídos e tem um lugar na narrativa. A autora faz você questionar vários pontos durante o livro, construindo cuidadosamente cada passo do caminho até o fim, que surpreende.

O livro não é muito comprido, com letras grandes. A capa é linda, e a diagramação está excelente. Esbarrei em um ou dois errinhos de digitação, mas são tão irrelevantes que mal dá para perceber. A história é envolvente, embora comece tão lentamente e de maneira confusa que você demora uns três capítulos para engrenar na leitura, mas depois é bem difícil de largar.