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A Caverna do Dragão tinha um final… Agora tem uma continuação!

por em 4 de dezembro de 2016
Detalhes
 
Lançado em

2014

Nome original

Duas Cores

Positivos

- Houve uma melhora na história;
- Briga épica;
- Vitória dos Nerds;

Negativos

- Mesmos erros do livro anterior;
- Leia a resenha crítica que você vai entender.

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Sinopse
 

A tão pedida continuação do livro com o final do desenho Caverna do Dragão conta o que aconteceu após a batalha no castelo de Letizia.
Os amigos agora se vêem no Submundo, um lugar onde duas nações se enfrentam e eles tem que buscar as armas gêmeas para não deixar o Reino ser destruído e encontrarem o caminho para casa.

 

E ai Geeks! Alguns de vocês talvez lembrem que há alguns meses eu postei a crítica do livro “A caverna do dragão”, escrita pelo brasileiro Eduardo Assumpção ou D4mon3. Para quem não lembra, leiam aqui! (http://www.soulgeek.com.br/caverna-dragao-de-d4mon3/). Nesse mesmo artigo, eu citei que o livro possui uma continuação (e logo haverá uma terceira parte), chamada “Duas Cores”. E, surpresa, eu li. Sim, eu tenho uma veia masoquista, muito obrigada por repararem. O novo livro é uma continuação direta do fim do primeiro. Atenção para spoilers do primeiro livro. Só avisando.

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            No fim do primeiro livro nossos heróis voltam para o início, naquela já citada sala de estátuas. Infelizmente, só há cinco deles lá. Eric fez um sacrifício heroico e ficou para trás, teoricamente morto, junto com o Vingador (o motivo pelo qual acharam que o Vingador estava morto ainda é um mistério para esta que voz escreve, visto que o Eric se jogou – no ar – em cima dele sem a sua arma mágica e eles caíram sim, mas o Vingador meio que tem asas… E magia…e tal…, mas estou divagando.), deixando assim somente os cinco amigos desolados para voltarem para casa. Mas, graças a personalidade perturbada de Hank, que se sente extremamente responsável pelos amigos, e meio que por um empurrãozinho do Mestre dos Magos (ele pode negar, mas parece que vai lá só perturbar o juízo do moço) decide voltar ao Reino, salvar Eric e entregar Uni ao seu destino, como deveria ter sido feito desde o começo, mas pelas reviravoltas da vida não conseguiram nem chegar perto disso. Claro que nada acontece de graça no Reino, então o preço a se pagar para conquistar essa meta é ir até o Submundo e capturar as Armas Gêmeas, como o Mestre dos Magos queria que eles tivessem feito desde o começo, em vez de irem para casa.  Então eles vão.

            No Submundo eles conhecem os Crânicos, criaturas vermelhas, e os Grilingues, criaturas azuis. Obviamente que vermelho é do capeta, então eles se aliam aos azuis, que é liderado por Agma Ilban, o Duque. Ele lhes diz que já eram esperados pelo seu povo, pois há uma espécie de lenda que diz que juntos eles irão seguir até a ilha dos dragões, onde devem encontrar as armas gêmeas (as tais faladas no primeiro livro que complementam seus poderes e tal) e derrotariam os Crânicos para dar fim à guerra entre as duas raças. Os portadores obviamente acreditam e vão fazer de tudo para que isso aconteça (até porque é toma lá dá cá: os heróis são ajudados a pegar o que precisam e no caminho só precisam exterminar uma raça inteira para ajudar os novos amigos. Piece of cake).

            Esse novo livro foi escrito, creio que três anos após o primeiro, por insistência dos fãs da saga que por terem apreciado a primeira parte, insistiram que houvesse uma continuação. Então, nesse meio tempo houve uma evolução significativa na narrativa, inclusive na qualidade da história, que melhorou bastante. Mas ainda assim, o autor comete quase todos os mesmos erros que no primeiro livro.

Mas, primeiramente falando de coisas boas, gostei do destaque em Presto, que é praticamente o protagonista dessa segunda parte, dando uma certa representatividade aos jovens atrapalhados e que se acham inúteis no mundo. Ele tem um crescimento sofrido e mal executado, mas deu para ver o cuidado com que o autor pensou no caminho no jovem, para que ele se desenvolvesse e terminasse não mais como o rapaz que faz tudo por um acaso e passa o tempo todo reclamando, mas como um jovem mais maduro que tem confiança em si mesmo.

            Também nesse livro ele realizou o sonho de muitos fãs ao fazer um Mestre dos Magos que finalmente respondeu alguma coisa de maneira simples e direta. Devo admitir que foi um sopro de ar fresco. Além disso, apreciei a caracterização dos Grilingues e dos Crânicos, que apesar das cores óbvias, ficou bem legal. Tem a imagem deles na capa, então você não precisa só imaginar. E das duas raças, a minha coisa favorita, com certeza, foi o Ancher. Achei o personagem maravilhoso.

            Eu particularmente não me lembro muito da série animada. Assistia até a exaustão quando criança, mas já fazem muitos anos desde a última vez (sim crianças, eu na verdade sou velha), então, apesar do autor ter me contado que há vários Easter Eggs no livro, infelizmente é algo que passou batido para mim e eu fico triste. Mas eu sei que eles são bons, pois, contando a história para o meu namorado, ele imediatamente identificou um, então, se você é muito fã da série, já aviso que você vai esbarrar em um material muito bom de referência. (Segue vídeo ilustrativo):

            Porém, apesar de todas essas maravilhas…. Bem, vou começar pela capa, que é horrível. Desculpa gente, mas alguém achou essa capa bonita? Os desenhos são ótimos, mas simplesmente não tem espaço para tudo aquilo ali na frente. Minha irmã, que é designer, quase teve uma síncope, e deixar a capa desse livro perto dela é pedir para a coitada ter uma convulsão instantânea. E se você pensa “Ah, mas tudo bem, eu aguento ler livros que tem a capa feia, isso é o de menos”. De fato, é. SE você conseguir esquecer a diagramação ridícula. Além dos erros de digitação, revisão…. Particularmente, como leitora, é uma ofensa abrir um livro tão cheio de erros! Eu me perdia várias vezes na narrativa pelo simples fato de que um parágrafo que deveria ter fim continuava em outro parágrafo e ambos não tinham ligação um com o outro! Ou uma conversa que deveria ser finalizada e continuava como um parágrafo aquém da cena que estava acontecendo ou, por exemplo, quando acaba uma cena e vão iniciar outra, há um pequeno espaçamento para deixar isso claro, mas nesse livro isso não acontece na maioria das vezes, ficando tudo colado e confuso. É tipo, corta a cena no meio para continuar depois de um enorme espaço? Qual o sentido?! Doeu no coração e fica extremamente confuso. A editora fez um trabalho bem porco mesmo.

            Quanto a história, apesar da ideia ser boa, há muitos e muitos furos no meio dela, muitos diálogos sofríveis e sem sentido, além de ter iniciado alguns “assuntos” que não tiveram desenvolvimento ou ele foi tão mal elaborado que você não entende nada, e no fim das contas você está se perguntando aonde aquela história foi parar, porque ninguém mais fala naquilo. Tem alguns plots que são jogados na sua cara até a exaustão, e você espera que eles tenham algum tipo de importância, mas no fim das contas, não teve. É como estar ouvindo a conversa da minha avó, que começa falando de patê de presunto e termina me perguntando porque, se eu não como patê decidi não andar de moto? É nesse nível o desenvolvimento das coisas. E sim, minha avó (materna) não faz o menor sentido, mas eu gosto muito dela mesmo assim. <3 beijos vó.

Além disso, temos a origem do namoro de Sheila e Eric, que foi o pior de todos. Eu sei que é spoiler, mas eu preciso falar: Porque uma garota que aparentemente foi atacada por três caras iria beijar um desconhecido? Só porque ele a salvou? Essa seria a resposta? Porque é totalmente sem sentido. Ela estaria no mínimo se acabando de chorar. Se fosse a Diana, que é sempre durona e casca grossa, eu poderia até deixar passar. Mas a Sheila é posta como uma garota bem mais emocional. A menos que isso se ligue ao passado porra louca da personagem (perdoem o palavrão), de quando ela tinha… 14 anos? Ainda sem pistas sobre a idade dela. Mas ainda assim… por mais doida que a menina fosse com 14 anos, ela ainda iria estar se tremendo inteira de medo, a menos que ela fosse uma personagem de mangá shoujo, porque pessoas de mangá shoujo são doidas. MAS NÃO É! Então não siga o exemplo delas, muito obrigada.

            Falando em Diana, a personalidade dela muda muito nesse livro. E não é para melhor. De moça inteligente, cheia de iniciativa e vida, ela passa a ser uma garota diferente, mais apagada, carente e manipulada. O autor ainda tentou lembrar a todos que ela é incrível nas habilidades dela, mas falhou no resto. Ele diminui boa parte da sagacidade da personagem, que era uma líder nata e agora só faz seguir o bocó do Hank. E outro fato terrível é de que assim que eles pisam no Submundo, o Duque – obviamente um cara bem mais velho – dá em cima dela. Sim. Acredite. Ele fica alisando a pele da moça, elogiando a cor. Aliás, uma cena muito sem sentido, pois ela fica brava quando ele fala da cor da pele dela, sendo que ele é….azul. Olá? Foi uma cena sem sentido, porque foi uma parte super mal desenvolvida da personagem, lembrando que a história de racismo dela foi pessimamente construída e o autor mesmo adora lembrar a todos que ela é negra. Já entendemos isso no primeiro livro, obrigada.

            Há então o plot que domina mais da metade da história e eu quis morrer de tédio: Diana/Presto/Agma Ilban. Eu já citei na resenha anterior o quão forçado é o casal Diana e Presto, mas aparentemente o autor estava muito feliz e satisfeito, de tal forma que resolveu que eles mereciam mais destaque. Nesse livro Presto, um rapaz de boas com a vida, muito inseguro, mas de boas, virar um cara abusivo, confuso e extremamente ciumento, a ponto de tratar Diana como LIXO quase o tempo todo. Tudo isso porque outro cara estava dando em cima dela. A princípio ela se incomodava… ou será que gostava? Dos avanços do Duque. A verdade é que o autor me deixou confusa, porque hora ela sentia frio na barriga com ele, hora ela se sentia estranha, mas enfim. O fato é que Diana não fazia nada. Nem dava abertura para o Duque, que parecia ignorar a falta de interesse da moça e continuar flertando. De certa forma, ele não é insistente, e ela não diz para ele parar, mas também não faz nada. Mas Presto fica possesso e, reiterando, trata Diana como LIXO. Aliás, talvez ele tratasse lixo melhor. E a moça, OBVIAMENTE, se afasta dele, magoada. Quanto mais ela se afasta, pior ele a trata, e ainda fica tentando humilhar o Duque, que, apesar de ter pelo menos uns cem anos a mais que eles todos juntos (Edward, é você?), acaba tendo briga de poder com Presto, mas de um jeito maduro, de forma a mostrar quem realmente manda ali. Que é obviamente ele. Então, eu tenho que rever todo um triângulo amoroso chatíssimo. E Hank/Sheila/Eric é passado na nossa cara constantemente também, o que me faz querer morrer duas vezes mais, porque é outro triângulo péssimo. Ou seja: o mundo está farto de triângulo amoroso, ainda mais uma OVERDOSE DELES!! EM UM SÓ LIVRO!!

Aliás, lembrando que o Hank é o MAIOR fura-olho da história. Além de ser um personagem maçante e sem iniciativa, que se acha o líder, mas só faz ficar parado com o peso da responsabilidade que ele enfiou na cabeça que tem e inclusive, a própria namorada ZOA ELE por conta disso. Não na frente dele. Sheila é muito passiva para isso. O que, aliás, eu gostei de ela estar falando essas coisas (mesmo que seja só nas costas), pois mostra a quão observadora e perspicaz ela pode ser quando o autor não quer que ela seja só uma personagem de triângulo amoroso.

E não posso esquecer de Bobby, que é sempre ele mesmo. Mas me dá uma gastura imensa, pois ele é tratado sempre como “garotinho”, mas ele tem doze anos, e é sempre citado como se ele tivesse sete anos de idade. Exceto nas batalhas. E fizeram uma espécie de romance para ele, o que ficou muito bizarro, porque ele obviamente não tem maturidade para pensar nisso (já que é tratado como se tivesse acabado de fazer 7 anos e não tem muito crescimento dentro da história), mas todo mundo não pode nem ver ele com a menina que já dizem que é a namorada dele e eu fiquei me lembrando dos meus alunos do quarto ano que não podem ver um menino e uma menina conversando que já começam a fazer insinuação de que eles tão namorando… O que não é uma coisa muito elogiosa para se pensar.

O livro também prossegue com explicações demais, no velho esquema de “contar que está acontecendo uma coisa, depois explicar o que está acontecendo e porquê, mas não há necessidade porque os leitores não são estúpidos. ” Me sinto lendo os quadrinhos de origem do Batman de novo, cada ação explicadinha. “VEJAM! O GRANDE BATMAN! ELE PULOU A JANELA PORQUE O CRIMINOSO ESTAVA ATIRANDO NELE!”, e ai o Batman pensa “Ainda bem que eu pulei a janela ou iria levar um tiro!”. Tão me entendendo? É tenso.

Tem alguns momentos do livro em que parece ter faltado atenção aos detalhes, como a cena em que as personagens não podem se comunicar por causa da distância e elas se comunicam em… Libras! Exceto que teoricamente as personagens não são brasileiras, e sim norte americanas e a língua de sinais de lá é ASL (American Sign Language). Faltou uma nota de rodapé ai ein!

            Lembrando novamente de que eles são norte-americanos, a narrativa da história continua me parecendo um livro em inglês que foi mal traduzido, com uma repetição de expressões sem graça e que não condizem com a idade dos personagens, como “bobo”. Esse é o xingamento mais pesado da história inteira. Eu entendo não querer usar palavrão, mas nem precisa. Nosso idioma é bem vasto, dá para se utilizar de um número incrível de palavras que significam ofensas sem realmente usar palavras torpes. Aliás, apesar de não saber utilizar as nossas palavras ofensivas, ele resolveu que iria acrescentar muitas expressões formais do nosso idioma no meio da história. Teve uma palavra que nem eu sabia o significado e eu tive que procurar no dicionário, e é porque eu leio feito uma condenada. Imagina um leitor que não curte ler? O póbi vai viver com o google aberto procurando expressões no colo.

Bem, acho que já deram para entender que, apesar de ter tido melhoras vitoriosas, a saga precisa de uma rápida melhora para ser realmente boa. Começando pela capa. Mas já parece ir pelo caminho certo: a história deixa você genuinamente curioso.

E para quem gosta, o terceiro livro será lançado em 2017, se não me engano. Enquanto isso, logo teremos uma entrevista com o autor, e assim poderão conhecer um pouco mais a pessoa que teve a audácia de pegar uma história tão famosa e dar a ela um formato só seu, estampando aqui sua própria marca com sucesso. Afinal, não se chega a ter uma trilogia lançada sem ter fãs, não é mesmo?