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“Caixa de pássaros”: um thriller psicológico para você não querer mais abrir os olhos

por em 2 de janeiro de 2018
Detalhes
 
Lançado em

2015

Nome original

Bird Box

Positivos

+ Leitura tensa;
+ Personagens carismáticos;
+ Projeto gráfico topster;
+ Capa bonitona;
+ História muito boa;
+ Temática pós-apocaliptica

Negativos

- O final é frustrante.

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Sinopse
 

Romance de estreia de Josh Malerman, Caixa de pássaros é um thriller psicológico tenso e aterrorizante, que explora a essência do medo. Uma história que vai deixar o leitor completamente sem fôlego mesmo depois de terminar de ler.
Basta uma olhadela para desencadear um impulso violento e incontrolável que acabará em suicídio. Ninguém é imune e ninguém sabe o que provoca essa reação nas pessoas. Cinco anos depois do surto ter começado, restaram poucos sobreviventes, entre eles Malorie e dois filhos pequenos. Ela sonha em fugir para um local onde a família possa ficar em segurança, mas a viagem que tem pela frente é assustadora: uma decisão errada e eles morrerão.

 

“- Meu nome é Malorie! Vim de Westcourt!

Há uma pausa. Então:

– Seus olhos estão fechados? – indaga a voz de outro homem.

– Estão! Meus olhos estão fechados.” (p.42)

Eu tenho um fraco por livros que são thrillers psicológicos. Principalmente os que fazem questão de explorar a mente humana, que nos tiram da nossa bolha do cotidiano e nos apresentam um viés novo: e se coisa x acontecesse? Como a humanidade reagiria?

Caixa de pássaros” é um desses livros. Eu não posso aprofundar muito a história, pois é necessário que você tenha as surpresas que vão permeando o caminho durante a leitura. Mas, para resumir, um dia a humanidade começou a enlouquecer. Simples assim: você sai de casa, vê algo e quando chega em casa, se mata. Cruelmente. As pessoas começam a ficar assustadas e a se trancar, utilizando de proteções nas janelas e evitando sair a qualquer custo. Malorie é a nossa principal, e é a história dela que vamos acompanhar, desde o suicídio de sua amada irmã, até a sua chegada ao abrigo, onde ficará com várias pessoas que também estão tentando sobreviver.

A narrativa se desenrola entre o presente e o passado, onde no momento presente, Malorie está saindo do abrigo, depois de quatro anos, com seu filho e filha, que ela treinou de maneira extenuante desde o momento de seu nascimento até ali para que possam escutar e não ver. Elas procuram um lugar melhor. O passado é o que aconteceu até o momento em que ela decidiu sair do abrigo, e porque está sozinha, se no passado morava com várias pessoas corajosas.




A história é intrigante, do começo ao fim. A narrativa faz com que você duvide, com que você reflita e crie diversas teorias sobre o que devem ser o que os personagens chamam de “criaturas”. Porém, aviso: se você pretende descobrir o mistério do que elas são, vai se frustrar. Eu cheguei ao fim e me frustrei imensamente, mas depois de muita reflexão percebi que o foco da história não está em desvendar o que são as criaturas, ou porque as pessoas enlouquecem, e sim na experiência humana diante desses fatores desconhecidos. E durante o livro, o autor explora isso de diversas maneiras.

O livro é bem escrito, e somos colocados diante de diversos personagens: alguns simpatizamos, outros nem tanto. Cada um tem sua personalidade bem marcada, inclusive a da própria Malorie. Vemos uma mulher forte e decidida, mas que tem todos os defeitos de um ser humano normal, já que o autor não foca somente na força das pessoas, mas na sua fraqueza também. Há momentos em que ela precisa tomar decisões, e a medida que a narrativa avança, e podemos observar o seu crescimento como pessoa, entendemos cada vez mais suas escolhas.

O autor consegue explorar bem os aspectos que se propõe dentro do livro, e ambientação é um dos mais importantes. Os locais por onde passa a personagem, ou seus companheiros, são descritos de forma que possamos nos sentir lá. Tudo é muito claustrofóbico, visto que eles precisam passar boa parte do tempo de olhos fechados, principalmente se forem sair de casa (eu não citei, mas a última arma de defesa da humanidade é basicamente fechar os olhos. Se você não vê, você não enlouquece.). E ele descreve muito bem as sensações de ter que viver sempre com medo, sempre de olhos fechados, no escuro, sempre esperando que o próximo passo seja em direção da loucura.

O livro é bem curto, não chega a ter trezentas páginas. A editora fez um bom trabalho gráfico, e não me lembro de nenhum erro destoante na tradução ou de digitação. Para o primeiro livro do autor Josh Maleman, ele fez um excelente trabalho.

E para os cinéfilos de plantão, os direitos do livro foram comprados, de acordo com as minhas fontes, por ninguém menos que nossa amada Netflix, e o longa deverá estrelar Sandra Bullock no papel de Malorie. Aparentemente quem irá dirigir será Susane Bier (“Serena”, “O gerente da noite”) e terá como roteirista Eric Heisserer (“A chegada”). Não tem uma data de estreia específica ainda, mas deverá sair a qualquer momento de 2018. É cruzar os dedinhos e esperar que seja tão incrível quanto o livro.