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As Crônicas de Artur 1 – O Rei do Inverno por Bernard Cornwell

por em 23 de outubro de 2016
Detalhes
 
Lançado em

1995

Nome original

The Winter King

Positivos

- Livro bem detalhado;
- Personagens carismáticos e bem descritos;
- Batalhas épicas;
- Rever histórias já conhecidas por um novo ângulo;

Negativos

- Detalhado as vezes até demais.

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Sinopse
 

O Rei do Inverno conta a mais fiel história de Artur, sem os exageros míticos de outras publicações. A partir de fatos, este romance genial retrata o maior de todos os heróis como um poderoso guerreiro britânico, que luta contra os saxões para manter unida a Britânia, no século V, após a saída dos romanos. "O livro traz religião, política, traição, tudo o que mais me interessa," explica Cornwell, que usa a voz ficcional do soldado raso Derfel para ilustrar a vida de Artur. O valoroso soldado cresce dentro do exército do rei e dentro da narrativa de Corwell até se tornar o melhor amigo e conselheiro de Artur na paz e na guerra.

 

   download Um dia um amigo me mandou uma mensagem dizendo que tinha uma trilogia de livros que eu deveria ler. Eu aceitei, obviamente, porque eu sou esse tipo de pessoa. A trilogia é “As crônicas do rei Artur” do autor britânico Bernard Cornwell, e eu, até o presente momento, só li o primeiro: “O rei do inverno”. Está nos planos terminar a trilogia antes do fim do ano, mas nunca se sabe o que a vida nos reserva.

            Enfim, a história é sobre Derfel (estava esperando que eu dissesse Artur, não é mesmo?) e o tempo que passou “servindo” Artur. Derfel é um personagem obviamente fictício, e nunca se ouviu falar dele em outra adaptação das histórias do rei Artur, o que é excelente, pois temos uma nova perspectiva. Aliás, o brilhantismo do livro é que é a história dentro da história. Como assim? Derfel vai contar a sua história para Igraine, que insiste em conhecer a história do místico Artur. Após muita insistência, ele cede e acaba por começar a escrever tudo o que lembra. E aí está: ele começa a escrever de maneira floreada, preenchendo espaços em branco de sua memória com uma ficção bonita para que Igraine possa se entreter na leitura, e pintando algumas partes com leves distorções da realidade. Ou seja: lemos um livro de um livro. Inception <o______o>




O reino se chama Dumnonia, e o rei ainda é Uther Pedragon. Derfel era apenas um garoto e o que soube foi que o príncipe, Mordred, havia sido morto em batalha e por isso a última esperança do reino é o neto de Uther que ainda estava para nascer. Infelizmente a criança nasce com o pé deformado, mas apesar do mau agouro que isso significava, o avô ainda declara a criança (também chamada Mordred) como herdeira. Aqui vemos então Ynis Wydrin, ou Avalon, onde Merlin e Morgana moram (eles são irmãos), para onde o herdeiro e sua mãe são enviados para sua proteção, digamos assim. Mas apesar de se esperar que estivessem a salvo, assim que Uther falece um dos inimigos da Dumnonia, o rei Gorfyddyd, marcha até Ynis Wydrin com o intuito de matar o herdeiro (ou, como Uther estava morto, o novo rei). Derfel e alguns poucos conseguem fugir com a criança, inclusive a própria Morgana e uma nova personagem icônica, Nimue – amante e aprendiz de Merlin. Eles são salvos por Artur, que voltou correndo para proteger o novo rei. Nesse meio tempo, ele se torna uma espécie de governante provisório, de forma a protege-lo dos inimigos e salvar Dumnonia do caos em que ela se tornou.

A história é vista, como eu falei, de um novo ponto de vista, então temos um Artur diferente. Aqui ele não é apenas um senhor da guerra, ele é carismático, é amado, pensa sempre nos outros antes de pensar em si (até a chegada de Guinevere) e é um eterno sonhador, almejando a paz entre todos os povos. Mas infelizmente Dumnonia é alvo de invasões, além de toda a guerra interna, então temos uma narrativa bem intensa. Derfel é um incrível narrador, além de um personagem esplêndido: corajoso, intrépido, forte, com uma voracidade pela vida e leal. Nós o vemos crescer e suas imagens em relação à vida e ao próprio Artur vão amadurecendo conforme você vai avançando na leitura – muito deliciosa, por sinal, mas um pouco arrastada devido às partes políticas e descritivas.

Eu gostei das partes em que ele descreve as guerras e as lutas, não são tantos autores que conseguem fazer isso de forma que te prenda e torne a coisa realista. É também incrível como ele consegue trabalhar as perspectivas tanto pagãs quanto cristãs, mostrando a linha tênue da época entre as duas religiões, que brigavam para ver qual estava certa, citando as crenças individuais e em conjunto. É uma análise constante e sutil.

Há o acréscimo de personagens, como Nimue (uma personagem só amorzinho, de tão foda que é), e outros que já conhecemos de eras, como Lancelot e Galahad. Temos também uma perspectiva renovada de Merlin, que ainda é o druida mais poderoso da Bretanha, mas sua personalidade mutável é sempre incrível. Morgana ficou um pouco apagada devido à Nimue, então não temos tantas notícias dela na narrativa. Vemos Guinevere, que, eu não sei vocês, é impossível gostar dela em qualquer livro ou filme que eu veja. Acho ela eternamente insuportável.

Para quem gosta de narrativas históricas bem construídas, de um plot excelente e bem amarrado, creio que a trilogia é indicada pra você. Ainda tenho os outros dois para ler e espero que todos leiam também, e, para quem quiser, sabem que eu sou super aberta a discussões de cunho literário. E que venha “O inimigo de Deus”!