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Alucinadamente feliz: um livro engraçado sobre coisas horríveis

por em 11 de setembro de 2017
Detalhes
 
Lançado em

2016

Nome original

Furiously Happy

Positivos

+ Divertido;
+ Tocante;
+ Inusitado;
+ Permite uma diferente perspectiva sobre viver com distúrbios, destacando preconceitos;
+ ad infinitum

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Sinopse
 

Jenny Lawson está longe de ser uma pessoa comum. Ela mesma se considera colecionadora de transtornos mentais, já que é uma depressiva altamente funcional com transtorno de ansiedade grave, depressão clínica moderada, distúrbio de automutilação brando, transtorno de personalidade esquiva e um ocasional transtorno de despersonalização, além de tricotilomania (que é a compulsão de arrancar os cabelos). Por essa perspectiva, sua vida pode parecer um fardo insustentável. Mas não é.
Após receber a notícia da morte prematura de mais um amigo, Jenny decide não se deixar levar pela depressão e revidar com intensidade, lutando para ser alucinadamente feliz. Mesmo ciente de que às vezes pode acabar uma semana inteira sem energia para levantar da cama, ela resolve que criará para si o maior número possível de experiências hilárias e ridículas a fim de encontrar o caminho de volta à sanidade.
É por meio das situações mais inusitadas que a autora consegue encarar seus transtornos de forma direta e franca, levando o leitor a refletir sobre como a sociedade lida com os distúrbios mentais e aqueles que sofrem deles, sem nunca perder o senso de humor. Jenny parte do princípio de que ninguém deveria ter vergonha de assumir uma crise de ansiedade, ninguém deveria menosprezar o sofrimento alheio por ele ser psicológico, e não físico. Ao contrário, é justamente por abraçar esse lado mais sombrio da vida que se torna possível experimentar, com igual intensidade, não só a dor, mas a alegria.

 




Quem é Jenny Lawson?

 Dona do “The bloggess”, autora de dois best-sellers (e outras coisas), Norte-Americana que vive nos Texas. 44 anos, casada com Victor, e tem uma filha que eu acho ter dez anos chamada Hailey.

De acordo com os muitos psiquiatras que ela visitou durante a sua vida, ela é depressiva altamente funcional com transtorno de ansiedade grave, depressão clínica moderada e distúrbio de automutilação brando proveniente de um transtorno do controle de impulsos. Ela também tem transtorno de personalidade esquiva (que ela descreve como sendo uma fobia social chapada de anfetamina) e um ocasional transtorno de despersonalização. Além disso, ela tem artrite reumatoide e doenças autoimunes. Ah, e TOC moderado e tricotilomania (que seria o impulso de arrancar os cabelos). E fala sobre tudo isso, de maneira engraçada, no livro que vou falar sobre: “Furiously Happy” ou “Alucinadamente feliz”.

Alucinadamente Feliz: um livro engraçado sobre coisas terríveis

A maior parte das pessoas não gosta de falar sobre transtornos/distúrbios mentais. No geral, algumas até mesmo gostam de fingir que não existem. Ou, no pior dos cenários, há uma romantização absurda deles. E Jenny escreveu um livro sobre como é viver com esses transtornos (que já vimos que ela tem muitos) de uma maneira muito bem-humorada.

Com uma pegada que vai do sarcasmo até uma veia humorística puxada para uma coisa leve e um pouco aleatório, Jenny nos conta sobre dias horríveis, sobre dias bons, sobre como decidiu ser alucinadamente feliz e dizer sim para todas as coisas mais idiotas possíveis e se permitir viver com felicidade, mesmo que em muitos dias ela nem mesmo consiga levantar da cama, que as vezes sua ansiedade está tão horrível que ela fica se escondendo até passar.

Quem vive com transtornos mentais sabe o quão difícil é a luta diária contra o seu próprio cérebro, contra todos esses demônios que impedem que você faça algo. E Jenny colocou em seu livro muita força de vontade e espírito para conversar francamente com os leitores sobre como é viver assim, e como ela cansou de ser triste e sofrer, e tem conseguido (até certo ponto) ser alucinadamente feliz.

Outro ponto interessante é ver as interações dela com, por exemplo, seu marido Victor. Às vezes eu gargalhei alto e me senti indo direto para o inferno. E a filha dela com certeza é muito fofa. Ela também tem vários bichinhos, e conversa sobre tudo isso com muita leveza.

Aliás, se interessarem, ela é muito ativa nas redes sociais, e tem facebook, twitter, Pinterest, além do seu blog pessoal.

Na capa no livro tem um guaxinim sorrindo de braços abertos. Gostaria de dizer que esse é o guaxinim que ela tem empalhado em casa, e ela resolveu transformá-lo na capa do livro pois ele parece simpático. Ela o usa para abraços, ou dar um high Five em si mesma quando precisa. E ela tem dois, um maior e um menor, e ambos morreram de causas naturais. Ou quase.

Não tem muito o que escrever sobre o livro, pois ele é uma série de depoimentos da autora, e eu só consigo dizer que foi uma das minhas melhores escolhas de leitura. O livro é fantástico, e todo mundo deveria ler. No presente momento, estou desejando o primeiro livro dela intitulado: “Vamos fazer de conta que isso nunca aconteceu. Histórias (quase) reais de uma vida surreal”.

Um pouco sobre os distúrbios mentais de Jenny

A autora descreve muito bem o que ela sente, essa é uma verdade. Então quem lê o livro e não possui distúrbios mentais, vai poder entender um pouco melhor o que se passa. E quem possui, é provável que se identifique – mas não dou certeza, pois sabemos que cada pessoa passa e lida com as coisas de maneiras diferentes.

Gostaria de lembrar que as descrições a seguir são apenas resumos baseados em uma pesquisa feita pela internet. Eu não sou especialista na área de saúde, e se você achar que possui qualquer um dos sintomas ou conhece alguém assim, existem muitos profissionais qualificados que podem ajudar. Transtornos mentais não devem ser levados de maneira leviana, e muitos podem levar ao suicídio.

  1. Transtorno de personalidade esquiva: é descrito, em poucas palavras, como desconforto social e desejo de evitar contato interpessoal. Diferente da Fobia Social, esse transtorno é caracterizado pelo medo da rejeição (de acordo com a minha pesquisa). Muitas pessoas podem ler isso e achar que possuem esse transtorno (afinal, medo de rejeição, quem não tem?), mas não é assim ok? Essa á uma descrição bem resumida MESMO e somente um profissional pode te diagnosticar.
  2. Tricotilomania: seria um impulso irreprimível e urgente de arrancar cabelos do corpo. Pode ser da cabeça (isso inclui sobrancelhas), dos braços, da perna. É associado como uma espécie de TOC. No livro, Jenny conta que ela costuma puxar fios de cabelo de tal forma que costuma sangrar. De acordo com os sites, pessoas com esse distúrbio sentem muita vergonha e evitam situações sociais, mas não conseguem parar, pois arrancar os fios lhe dão uma imediata sensação de alívio.
  3. TOC moderado: é considerado um transtorno caracterizado por compulsões, obsessões ou os dois. Existe uma diversidade de sintomas, e para que a pessoa seja diagnosticada, essas obsessões ou compulsões precisam tomar parte do dia da pessoa (aparentemente, se tomar mais que uma hora do seu dia), ou que comprometam a vida da pessoa de alguma forma.
  4. Distúrbio de automutilação: pode ser definido como qualquer comportamento intencional envolvendo agressão direta ao próprio corpo. Não necessariamente está ligado ao suicídio, e costuma ser um comportamento recorrente.
  5. Depressão: esse é o distúrbio mais conhecido por todos. A depressão é uma doença que atinge várias áreas químicas do cérebro. Existe na internet diversos sites que falam sobre ela, dando sintomas e insistindo que no caso de a pessoa se identificar com eles, vá atrás de um profissional. Então não vou me estender nela, por hoje.

Setembro Amarelo

Nossa primeira publicação sobre o setembro Amarelo foi sobre o filme “Uma mente brilhante” e tratou um pouco da esquizofrenia.

Desde 2014, a CVV (centro de valorização a vida) e outros órgãos de saúde do Brasil vem promovendo essa campanha no mês de setembro em prol da conscientização e prevenção do suicídio. E nós do Soul Geek resolvemos fazer a nossa parte para conscientizar as pessoas em relação não somente ao suicídio, mas aos distúrbios mentais que podem acabar levando as pessoas a se matar.

Procurem se informar, sempre. E lembrem-se que não é fraqueza buscar ajuda!

Vou deixar aqui um link super legal do canal “Minutos psíquicos” sobre a diferença entre um psicólogo e um psiquiatra, para o caso de você sempre ficar na dúvida sobre quem procurar na hora de pedir ajuda: