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Uma mente brilhante: quem foi John Nash?

por em 9 de setembro de 2017
Detalhes
 
Gênero
Diretor
Ano de lançamento

2001 no Brasil

Título original

A beautiful mind

Duração

2h14m

Roteiro

Akiva Goldsman

Positivos

+ História bem construída;
+ Personagens cativantes;
+ Há uma tensão bem trabalhada;
+ Atuação incrível;
+ Me perguntando porque o cara do Westworld usa a mesma roupa a anos e não envelhece;
+ Trilha sonora marcante;

Negativos

- Maquiagem de envelhecimento HORRÍVEL na Jennifer Connelly;

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Sinopse
 

Uma Mente Brilhante é baseado no livro A Beautiful Mind: A Biography of John Forbes Nash Jr., de Sylvia Nasar. O filme conta a história real de John Nash que, aos 21 anos, formulou um teorema que provou sua genialidade. Brilhante, Nash chegou a ganhar o Prêmio Nobel. Diagnosticado como esquizofrênico pelos médicos, Nash enfrentou batalhas em sua vida pessoal, lutando até o fim de sua vida.

 

Quem foi John Forbes Nash Jr.?

Nascido em 1928 em Bluefield, West Virginia, nos Estados Unidos, ele é ninguém menos que o gênio matemático que inspirou o filme “Uma mente brilhante”, dirigido por Ron Howard. No filme, Russel Crowe atua de maneira incrível no papel de John Nash.

Em 1948 ele foi aceito no programa de doutoramento de Princeton, se interessando por áreas puramente matemáticas, como topologia, geometria, álgebra, teoria do jogo e lógica. Apesar de tudo, ele não comparecia as aulas, sendo autodidata. Antes de acabar o curso, ele provou o teorema do ponto fixo de Brower (de acordo com a Wikipédia, esse teorema é um resultado sobre a existência de pontos fixos e ajuda a comprovar outros teoremas, ou seja, é bem importante), depois resolveu alguns enigmas bem difíceis e escreveu uma tese de doutorado que lhe rendeu o Prêmio Nobel de Economia 45 anos depois. Esse trabalho ficou conhecido como “Equilíbrio de Nash” e revolucionou o estudo da estratégia econômica.

De 1951 a 1959 trabalhou como professor no MIT, e de acordo com o site de pesquisa, foi quando seus problemas psíquicos começaram a se agravar. 1958 teria sido o ano que ele começou a demonstrar sinais de esquizofrenia e teria sido obrigado a largar o emprego no MIT para se hospitalizar contra a sua vontade. De acordo com a minha pesquisa, ele teria sido diagnosticado com esquizofrenia paranoide e depressão com baixa autoestima. Ele só conseguiria se “recuperar” da doença em 1990, e em 1994 ele ganhou o Prêmio Nobel.

O filme “Uma mente brilhante”

O filme foi baseado na biografia (com o mesmo nome) escrito por Sylvia Nasar, e conta mais ou menos o que eu já contei. John Nash é apresentado como um rapaz brilhante, egocêntrico, um pouco esquisito, antissocial, já na época do seu doutorado em Princeton. Ele tem ideias megalomaníacas, mas geniais, sobre a matemática e tem uma sede por ser reconhecido que quase supera o seu brilhantismo como gênio matemático. A princípio ele se sente frustrado, sufocado com a sua necessidade de provar ser melhor, e por causa de sua amizade com Charles, seu companheiro de quarto, ele consegue desopilar um pouco.

Graças a uma brincadeira com seus amigos no bar, ele consegue desenvolver o chamado “Equilíbrio de Nash” e finalmente teria algum reconhecimento. O filme pula para anos depois, com John trabalhando no MIT, ajudando o governo ocasionalmente a desvendar alguns enigmas, e sendo o pior professor de todos. É quando ele conhece Alicia, uma aluna incrivelmente inteligente interpretada por Jennifer Connelly, então já sabemos que ela é dotada de uma beleza superior. John fica incrivelmente atraído por ela e começam a sair, até que se casam.

Nesse meio tempo, John foi chamado para trabalhar no governo contra os russos, encontrando o que seriam códigos enviados por meio de periódicos (jornais) e revistas da época. Tudo se desenrola de maneira tensa, com muito suspense. Ele diz que é tudo confidencial, então as pessoas ao seu redor confiam nele.




Nesse ponto não vou me importar em citar o plot twist do filme, pois já sabemos que é baseado na vida de John Nash e que ele sofria de esquizofrenia. É nesse ponto do filme que esse plot twist é jogado na sua cara, mas até então a teia foi montada com tanta precisão, que você mesmo se questiona sobre a doença dele, até ela ser confirmada. O resto da história se desenrola na luta dele contra a esquizofrenia, e é trabalhado de uma maneira muito bacana, principalmente porque Alicia não é pintada como uma heroína super forte que passou por tudo de cabeça erguida. Mostra os problemas reais do casal, e acaba sendo uma história de superação até mais forte.

A atuação de Russel Crowe como John Nash está incrível, e Jennifer Connely consegue casar a sua atuação muito bem com a dele. O filme é sensível, intrigante, e em vários pontos te deixa entrar na paranoia do personagem sem que você perceba, e a melhor parte é que não rola aqueles flashbacks clichês para provar a quem está assistindo que tudo foi parte da mente doente de John. Nós, o público, fazemos isso imediatamente, rolando o filme detrás para frente, e lembrando de cenas que devem ter sido super esquisitas para as pessoas de fora verem, pois ele estava falando sozinho. Na época em que o filme lançou, em 2001, isso deve ter sido um susto e tanto.

Esquizofrenia

Em 2017 a doença já é conhecida, e diferente da época em que John Nash foi diagnosticado, o conhecimento e os tratamentos são mais eficazes. Apesar disso, ainda há muita ignorância.

De acordo com alguns sites, a esquizofrenia (como qualquer doença) varia de acordo com as pessoas. Em alguns casos, os pacientes retratam ouvir vozes; em outros, eles alegam ser perseguidos por alguma instituição, como o governo ou a polícia. No caso de John Nash, ele acreditava que comunistas o perseguiam. Às vezes não são pessoas de alto escalão, pode ser simplesmente o tele jornalista. Aparentemente existe uma divisão do que seriam “sintomas positivos” (alucinações, delírios, desorganização de pensamentos) e “sintomas negativos” (apatia, isolamento social, desesperança profunda), sendo o índice geral de esquizofrênicos suicidas maior do que o do resto da população. Claro que tudo isso é um conhecimento bem raso, e a doença é uma coisa muito mais complexa. Eu estou aqui só para dar uma ligeira noção, já que eu não sou psiquiatra.

A esquizofrenia é muito associada com personagens ruins, principalmente por causa do famoso caso do norte americano Edward Theodore Gein, que teria cometido atos bizarros e morrido em um hospital psiquiátrico. Aparentemente ele é considerado como esquizofrênico, e teria inspirado diversos psicopatas mundialmente famosos como Norman Bates de “Psicose”, ou Leatherface do filme “O massacre da serra elétrica”.

A noção das pessoas sobre esquizofrenia é bem distorcida e sempre associada com coisas ruins, quando na verdade, a maior parte da população que sofre da doença vive em sociedade de maneira natural, pois são diagnosticadas e tratadas.

Setembro Amarelo

Muitos de vocês devem estar familiarizados, a essa altura, desde 2014, para ser precisa, que todo mês de setembro vem sendo tratado como “Setembro Amarelo” e traz nele uma significação forte: é o mês em que as pessoas trazem à tona vários assuntos que ainda são tabus na sociedade, como depressão e suicídio. A ideia começou com a intenção de conscientizar a população em geral e ajudar na prevenção do suicídio, e nós do Soul Geek estamos aqui para ajudar nisso da melhor forma possível.

Todo mundo conhece alguém que tem algum tipo de transtorno, e pode ser que você não tenha conhecimento o suficiente para ajudar, então não custa nada dar uma pesquisada. Ouvir muitas vezes é o melhor caminho. E na dúvida sobre o que fazer, procurar um profissional.

O canal “Minutos Psíquicos” traz vídeos para a compreensão de muitos destes transtornos, e aqui segue um link que pode ajuda-los a entender melhor sobre o tema de hoje:

P.S: Já falamos sobre o tema na nossa resenha sobre “A menina submersa – Memórias” da autora Caitlín R. Kieman. Leiam aqui.