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Um novo filme para assistir nas férias: “O touro Ferdinando”

por em 13 de Janeiro de 2018
Detalhes
 
Ano de lançamento

2018

Título original

Ferdinand

Duração

106 minutos

Roteiro

Brad Copeland

Positivos

+ Boa animação;
+ Personagens cativantes;
+ História divertida e fofa;
+ Boa trilha sonora;

Negativos

- Não é muito marcante;
- Poderia ter sido mais.

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Sinopse
 

Ferdinand, um pequeno touro, prefere estar sentado tranquilamente sob um sobreiro, apenas sentido o perfume das flores, à sair pulando, bufando e batendo de frente com outros touros. À medida que Ferdinand cresce grande e forte, seu temperamento permanece calmo, mas um dia, cinco homens vêm para escolher o "maior, mais rápido e mais forte touro" para as touradas em Madrid e Ferdinand é erroneamente escolhido.

 

Touro Ferdinando nasceu em 1936 pelas mãos do autor Munro Leaf e do ilustrador Robert Lawson. A maioria das pessoas conhece o simpático touro através da animação da Disney – Ferdinando, o touro – que lançou em 1938 e levou prêmio de melhor curta-metragem. Atualmente, Carlos Saldanha (“A Era do Gelo”, “Robôs”, “Rio”) resolveu transformar em um filme e assim nasceu o novo “O touro Ferdinando”, que acrescenta à trama algumas questões polêmicas que não existiam. E antes de continuar, queria frisar o fato de que na época do lançamento do livro, ele foi proibido em alguns lugares por conta da sua temática pacifista (por exemplo, a Alemanha).

No livro, a história é mais simples: Ferdinando é um touro que desde o seu nascimento não se importa com touradas, coisa comum a seus compatriotas, e só pensa em passar o dia deitado na colina cheirando flores. Um dia, após sentar acidentalmente em uma abelha e ter um suposto ataque de raiva, Ferdinando é convocado para uma tourada. Porém, no meio da arena, ele senta no chão e se recusa a participar. Os organizadores do local desistem de Ferdinando e levam ele de volta para a sua colina, para cheirar flores o resto de sua vidinha. E fim.

A nova história leva tudo isso a um passo adiante, mas não vai longe o suficiente. Aqui Ferdinando é o pacífico e meigo filho de um grande e poderoso touro que morre em uma tourada, fazendo com que o pequeno bezerro entre em desespero e consiga fugir do rancho onde vive com seus amigos. Ele é encontrado por Juan, que o leva para a sua casa e o adota. Ferdinando se torna o melhor amigo da filha de seu salvador, a pequena Nina (que na dublagem brasileira tem a voz da nossa querida Maísa). O tempo passa, e ele se torna como seu pai: grande e poderoso, mas ainda o mesmo bezerro amante de flores e da paz. Após um acidente na vila, levam Ferdinando de volta ao rancho, onde reencontra seus antigos amigos, faz novos, e agora vai precisar de um plano para escapar e voltar para a sua família humana, antes que seja obrigado a participar de uma tourada e, muito provavelmente, morrer.




O filme aborda questões interessantes, como a crueldade das touradas, a vida que esses touros levam etc. Apesar disso, o longa fica no seguro e não ousa penetrar as camadas dessas problematizações, o que fariam da história algo mais profundo e marcante. Os assuntos ficam no raso, e não há muita consequência. A sutileza com que começam tratando, por exemplo, do abate dos animais que não servem ao seu propósito violento é jogada de lado e esquecida. Me incomodou um pouco, principalmente porque é subestimar demais as crianças, e “Divertidamente” está ai para provar que um filme pode ter várias camadas e atingir um público variado, sem precisar ficar no lugar comum das animações para agradar.

Os personagens são ótimos, mas passam por muitos estereótipos, como o personagem principal que traz mudanças e reflexão, a melhor amiga que é alívio cômico, os colegas esquecidos que se tornam amigos para toda a vida, o “rival” que tem inveja e depois se acerta com o protagonista etc etc. São muito mais do mesmo. Não quer dizer que sejam ruins, claro. A construção de alguns deles é bem interessante, principalmente a dos amigos de infância de Ferdinando, como Magrão (que nunca irá para uma tourada por ser pequeno demais) ou Guapo, o touro com problema de ansiedade. Você se envolve bem com eles, e torce para a felicidade individual de cada um, o que é um grande ponto positivo.

A animação é muito boa, e é legal ver uma história que se passa na Espanha com personagens de características do local e não americanizados. Os touros tem um visual muito único, então você pode facilmente identificar quem é quem, sem confundi-los. Já os humanos são muito parecidos entre si, e eu prefiro supor que é proposital, e não desleixo (já que eles não são o foco da história). A trilha sonora é muito boa, complementando bem as cenas, deixando mais divertidos alguns momentos e destacando cenas tensas ou tristes. Gostei bastante, mas não é o tipo de trilha que eu vá atrás depois.

É o tipo de filme fofinho, que vai fazer você suspirar, rir e se emocionar, mas não vai permanecer muito tempo na memória. Infelizmente. Mas aproveitando que os filhos e as filhas tão de férias do colégio, vale uma ida ao cinema com as crianças com um grande balde de pipoca.

Trailer: