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“Star Wars: Os últimos Jedi” e o início de uma nova era.

por em 19 de dezembro de 2017
Detalhes
 
Ano de lançamento

2017

Título original

Star Wars - The last jedi

Duração

152 minutos

Roteiro

Rian Johnson

Positivos

+ Trilha sonora;
+ Desenvolvimento de personagens;
+ Fotografia impecável;
+ História;
+ Divertido, dramático, intenso;
+ Expansão do universo Star Wars;
+ Diversidades;
+ Add infinitum

Negativos

- Decepção com a falta de tempo de tela de alguns personagens;
- Poderia ter encurtado algumas cenas;

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Sinopse
 

Tendo dado seus primeiros passos no universo Jedi, Rey se junta à Luke Skywalker numa aventura com Leia, Finn e Poe que revela os mistérios da Força e os segredos do passado.

 

Depois de muito tempo de espera, “Star Wars – Os Últimos Jedi” não foi um simples tiro: foi um batalhão de fuzilamento. Eu, obviamente, esperava que o filme fosse bom e tinha muito medo do que aconteceria – principalmente com o falecimento da nossa princesa Carrie Fisher. E não somente foi bom, como me surpreendeu e o resumo que eu tenho para ele é: arrepios e lágrimas. Se você anda pelas internets da vida, já deve ter percebido que o longa dividiu opiniões, e muita gente não concorda comigo e alega que esse é o pior. Mas, nesse caso, eu vou parafrasear o meu irmão: “Problema sexual deles”.

A trama desse novo longa não tem nada muito complexo. A Primeira Ordem conseguiu praticamente dizimar a Nova República em “O despertar da força”, e agora restam alguns poucos rebeldes, e o resto da história é basicamente a sobrevivência desse grupo. E mais algumas coisinhas. Mas óbvio, não se desenrola de maneira simples, já que todo filme de Star Wars tem uma fórmula pronta que funciona muitíssimo bem e pode ser observada em todos os tipos de mídias (séries, livros, HQs, filmes…), e que sempre envolve muitas reviravoltas surpreendentes. Ou não.

O filme já inicia de maneira surpreendente, e só consigo comparar com o começo genial de “Thor: Ragnarok”, os minutos iniciais foram feitos para te prender e divertir ao mesmo tempo, para que em seguida você mergulhe de cabeça em uma cena intensa de guerra espacial. E o filme pode ser, basicamente, resumido assim: um primeiro ato intenso, com um segundo mais calmo e culminando em um terceiro ato ridiculamente cheio de cenas épicas, que foi só arrepios. Eu queria encher de spoilers, mas isso pode ficar para um próximo post, quem sabe?!

Os personagens aos quais nos afeiçoamos no filme passado são melhor explorados agora. Poe Dameron, com seu complexo de herói, tem um arco muito bem construído e mais estabelecido. Finn acaba se envolvendo com Rose, o meu novo crush, e eles são responsáveis por boa parte da expansão do universo Star Wars, explorando novos lugares e dando abertura para histórias paralelas, que eu espero que sejam contadas, em livros ou talvez HQS. Ambos tem uma missão específica, muito perigosa, e a narrativa tende a equilibrar os momentos dele com muita tensão e momentos de alívio cômico.

Rey, obviamente, ocupa boa parte do enredo central, tentando convencer um Luke Skywalker cansado da vida a lhe ensinar os caminhos que ela quer aprender. A química entre eles flui naturalmente, com Luke sendo o professor hesitante, que tenta afastar as intenções dela de transformá-lo em sua nova figura paterna (coisa que já vimos ela fazer com Han Solo), assim como Rey tenta a todo custo se conectar com Luke, exigindo mais do que ele quer dar. As lições que ele dá para ela são uma parte importante da narrativa, e não somente para aquele momento, mas para o resto da saga em si – de certa forma, é um momento crucial, que mescla um pouco de humor ao drama – algo que faz parte do filme inteiro, e conseguiram fazer as partes engraçadas não atrapalharem o desenvolvimento da cena ou destruírem a tensão. E sim, Mark Hammil finalmente aprendeu a atuar, então a carga dramática do seu personagem é tocante (e, claro, é chocante de se ver depois de tanto tempo vendo o Luke sendo um pastel). Ah, e uma dica: quando começar a cena do Luke com a Rey, com a entrega do sabre e tal, lembrem-se da primeira aparição do mestre Yoda. E eu falo da PRIMEIRA MESMO.

Se Kylo Ren no filme passado era apenas uma criança mimada, dessa vez ele foi explorado como um homem mais complexo, dando ênfase a esse lado atormentado. Esse personagem evolui, cresce, se expande dentro desse novo filme. A história também brinca muito com a dualidade presente entre Rey e Kylo, e o resultado são cenas marcantes, com uma química forte entre eles, os dois personagens experimentando dúvidas internas, conflitos que o outro se propõe a resolver ou ajudar a resolver. Em vários momentos você observa uma forte conexão entre eles, e além disso já entra numa spoiler zone perigosa, então pararei.

E eu acho que não preciso falar da Leia: a personagem dela tem uma das melhores cenas do filme, que sim, é fanservice, e eu amei, AMEI, AMEI, AMEI. Vocês vão ter que assistir, e se você já assistiu, deve saber do que estou falando (e se não gostou, vá chupar um limão estragado e bem azedo).

Eu também gostei de como o diretor não se importou em responder as especulações do povo, focando no que era realmente importante para a narrativa caminhar bem, fechando vários ciclos e abrindo outros de uma maneira inteligente. Ele fez um trabalho de direção incrível, na minha humilde opinião.




E falando em trabalho, o diretor de arte desse filme, junto com John Williams, merecem um beijo na boca. A fotografia desse filme… Gente, eu não consigo nem começar a explicar, de tão lindo. Eles brincam com as cores, com os cenários, com tudo. Tudo é muito bem explorado. A identidade visual e musical são marcantes demais. Eles se utilizam muito bem da trilha desenvolvida nos filmes passados, então você vai estar sempre reconhecendo aquele momento como pertencendo aquele personagem ou coisa assim. E as cenas… Tem tenta cena que dava para enquadrar e pendurar em uma parede que não consigo nem escolher a minha favorita!

O filme também teve o cuidado de explorar muito bem a complexidade dos usos da Força, trabalhando ainda mais com a ideia de Jedi e Sith como extremos, e o que poderia haver além disso. Normalmente temos vislumbres desse lado religioso da galáxia em séries, livros ou como em Rogue One, com o Chirrut – que seria mais um sensitivo da Força, por exemplo. Gostei do filme ter aberto as portas para discutir mais sobre essa parte do universo Star Wars, já que antes rolavam apenas vislumbres.

Parte negativa? Tem algumas cenas que as pessoas consideram desnecessárias e que poderiam ter encurtado, porém ainda não tenho uma opinião concreta sobre isso. Mas com certeza tem dois personagens que poderiam ser melhor explorados, como a Phasma. Novamente ela é apresentada como alguém muito incrível, forte e difícil, mas passa tão pouco tempo em tela que acaba sendo esquecida. De novo.

Em contrapartida, esse é um dos filmes com mais diversidade no elenco. É certo que as novas histórias de Star Wars estão fazendo isso com mais frequência, mas esse é o que você pode ver essa escolha mais claramente. Você não precisa procurar pela diversidade, ela simplesmente está lá. E não somente no trio principal – Poe, Finn e Rey.

Aproveitando esse momento, queria dizer que agora todo mundo quer aparecer no universo de Star Wars, então temos nomes no elenco como Benicio Del Toro (DJ), Edgar Wright (membro da resistência), Joseph Gordon-Levitt (Slowen-Lo), Lily Cole (Party Girl Lovely), Tom Hardy (Stormtrooper), Simon Pegg (Unkar Plutt), e pelo que eu também li, os príncipes Harry e William fazem Stormtroopers! Ou seja, depois de termos várias participações especiais em “O despertar da força”, acho que todo mundo se empolgou para dar uma aparecida em “Os últimos Jedi”.

Vou parar por aqui antes que eu acabe dando spoiler. Mas saibam: essa é a minha opinião. Eu sou muito fã da saga e adorei o caminho que Star Wars está tomando, sinceramente. Tem pessoas que reclamam que ele não se parece com os outros, e eu dou graças à deusa por isso. O diretor não teve medo de abrir novos horizontes, explorar novos caminhos, e ainda assim colocar muita cena só para agradar fã, sem atrapalhar o desenvolvimento e que ainda faça parte da narrativa. Gostei de como os personagens estão crescendo, gostei das coreografias, da trilha sonora, da fotografia, e principalmente, de como a história sempre te deixa sem fôlego, ou sempre te faz duvidar dos caminhos seguidos. Para mim, “Star Wars – os últimos Jedi” é uma excelente história, e eu queria ter mais dinheiro para ir todos os dias no cinema assistir e reassistir até meus olhos caírem. Mas pode ser que você não goste tanto quanto eu, então, vá ao cinema e assista na melhor qualidade de todas (você pode até odiar o filme, mas não tem como reclamar da beleza dele) e depois me diga: valeu a pena?!

 

Trailer: