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A nova adaptação cinematográfica de “Dona Flor e seus dois maridos”: crítica

por em 25 de outubro de 2017
Detalhes
 
Ano de lançamento

2017

Título original

Dona Flor e seus dois maridos

Duração

1h50m

Roteiro

Pedro Vasconcelos; Jorge Amado

Positivos

+ Elenco bom;
+ Fotografia;
+ Boa adaptação.

Negativos

- Narrativa arrastada;
- Romantização de relacionamento abusivo;
- Trilha sonora esquecível;
- Iluminação estranha.

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Sinopse
 

Nova adaptação do clássico homônimo de autoria de Jorge Amado. Dona Flor (Juliana Paes) é uma professora de culinária de Salvador que se vê dividida entre o amor de dois homens: o malandro Vadinho (Marcelo Faria) e o correto farmacêutico Dr. Teodoro (Leandro Hassum).

 

“Dona Flor e seus dois maridos” é mais uma adaptação cinematográfica do icônico livro de Jorge Amado. Para quem não sabe, ele lançou por volta de 49 livros, com alguns títulos que todos devem reconhecer, como “Tieta do Agreste”, “Gabriela cravo e canela” e “Tenda dos milagres”. Jorge Amado nasceu em 1912 e faleceu em 2001, com 88 anos. Fazia parte da escola literária brasileira do Modernismo, e na adolescência já fazia parte de movimentos literários que ajudaram a restaurar a literatura baiana. Ele chegou a receber vários prêmios, tanto nacionais quanto internacionais, e suas obras são adaptadas para as telas até hoje. E essa nova versão é do diretor Pedro Vasconcelos, que era ator, e já dirigiu novelas como “Escrito nas estrelas” (e eu só cito ela porque é a única que eu conheço, porque na época que lançaram eu gostei da história).

Sobre o novo filme, a história é sobre Flor (Juliana Paes), uma baiana linda, gentil e meiga, que conhece Vadinho (Marcelo Faria), pilantra, salafrário e mulherengo, e se casa com ele (não que na época que ela soubesse que ele era isso tudo). A vida deles é cheia de baixos, com Vadinho sendo viciado em jogos de azar e casas de prostituição, vivendo sempre as custas de Flor, que monta uma escola de culinária para poderem sobreviver (no livro desde o começo deixa claro que Flor é conhecida por todos por seus pratos deliciosos e bem caprichados, mas isso não é explorado no filme). Porém, nem tudo é ruim. Apesar de todas as baixarias que Vadinho apronta com a esposa, ele é louco por ela e a vida amorosa deles está sempre em alta. Até que, sete anos depois, ele morre. Não, não é spoiler. O filme começa com a cena dele morrendo, inclusive. Enfim, Flor quase morre de desgosto, mas supera. É quando conhece seu segundo marido, Teodoro (Leandro Hassum), que lhe dá absolutamente tudo… exceto uma vida sexual satisfatória. Por ser uma mulher extremamente fogosa, Flor começa a se sentir infeliz… E é quando o espírito de Vadinho ressurge! O resto só assistindo.

A história do filme resume, e muito, o livro. Claro que o livro é extremamente descritivo, eu não vou nem mentir que eu mesma não consegui termina-lo, mas ainda assim, o filme passa muito por cima de várias coisas. Aliás, eu posso classificar fácil o filme como “filme de arte”, já que ele se utiliza de diálogos tirados do livro, com narrações no meio das cenas, ângulos de câmera que servem para destacar as cenas e dar aquele ar de coisa cult, assim como iluminação definitivamente estranha. Eu achei os diálogos um pouco forçados, como se algumas vezes os atores e atrizes estivessem lendo falas prontas, mas eu acho que entendi o intuito, então é passável. Eu não curti a trilha sonora. Ela é utilizada como recurso narrativo, com personagens possuindo “música tema”; o que significa que toda vida que Vadinho aparece, por exemplo, e ele está bem com Flor, toca a mesma música, o que me lembrou muito novelas. De resto, a trilha sonora é esquecível.

O elenco está, no geral, ótimo, mesmo eu me incomodando com algumas atuações caricatas, como a do Leandro Hassum como Teodoro. O personagem dele é a de um farmacêutico sem graça, certinho demais, totalmente o oposto de Vadinho. As cenas que mais me incomodaram eram as que ele tinha que mostrar o quão sem graça era o sexo dele com Flor, e ele forçava algumas caretas, e um momento de “orgasmo” que ultrapassava o ridículo. Eu imagino que deveria ser um momento patético, mas vergonha alheia foi o que eu senti.

O filme também tem uma problemática social, que não é totalmente sua culpa (já que é uma adaptação). Sabemos o tempo todo que Vadinho é abusivo com Flor, e é triste ver uma história em que a personagem precisa ficar presa a um abusador. Como eu explico? Vadinho não era um homem honrado ou digno, então ele não via problemas e até incentivava a sua esposa a ser extremamente fogosa, já que era isso que o segurava e satisfazia. Mas Teodoro é o oposto de Vadinho, um homem de boa índole, que ama sua esposa e cuida dela, logo, Flor ser uma mulher com um apetite sexual saudável perto dele é um absurdo. Ela tem que se submeter as suas regras, e aceitar as migalhas que ele lhe oferece, ao ponto de viver infeliz por isso, e acabar… bem… com seu marido morto, que não presta nem como peso de papel.

Mas enfim, é uma análise bem vazia, considerando que o livro foi escrito nos anos 60, e ele é considerado uma mistura gostosa de contradições, casando o sério com o irresponsável, o prazer e o dever etc. E claro, a personagem de Dona Flor foi um grande sucesso. O primeiro caso literário brasileiro que eu vi de poliamor (risos).

Ah! E não é um filme para se assistir com a família. Muitas cenas eróticas, muitas pessoas peladas. Se levar o papai e a mamãe para o cinema, leve para ver outra coisa.

Enfim, “Dona flor e seus dois maridos” é bom para quem gosta de filmes de arte, bem cult. Eu sinceramente não gosto, achei a narrativa enfadonha e lenta, mesmo que a história em si seja rápida e o diretor tenha conseguido sintetizar o livro em um tempo bem razoável. Se você já é fã da história, já gostou das outras adaptações, então é possível que goste dessa também.

Trailer: