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Crítica – Lino: Uma aventura de sete vidas

por em 29 de agosto de 2017
Detalhes
 
Ano de lançamento

2017

Título original

Lino – uma aventura de sete vidas

Duração

1h33m

Positivos

+ Animação bem feita;
+ Boa dublagem;
+ Referências da cultura nerd;
+ História interessante;
+ Divertido

Negativos

- Clichê;
- Odeio piada de peido;
- Parece muito baseado em histórias norte-americanas;
- Faltou um desenvolvimento maior da Janine.

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Sinopse
 

Lino é um animador de festas muito azarado que não aguenta mais seu emprego, pois precisa vestir todos os dias uma horrorosa fantasia de um gato gigante e aguentar sempre a mesma rotina de maus tratos das crianças.

Cansado de tudo e tentando se livrar da falta de sorte que o persegue, Lino resolve buscar a ajuda de Don Leon, um suposto “mago” não muito talentoso, que o transforma justamente no que ele mais queria se livrar: sua própria fantasia!

Em sua jornada para reverter o feitiço, Lino será confundido com o “maníaco da fantasia” e passa a ser procurado pela polícia, dando início a uma grande aventura.

 

“Lino – uma aventura de sete vidas” é a mais nova animação brasileira, com Selton Mello como dublador do protagonista Lino. Além dele, temos Dira Paes e Paolla Oliveira no elenco de dubladores também (tem outros, mas como eu não acompanho atores famosos, esses são misteriosamente os únicos nomes que eu reconheci).

A história é bem básica: Lino é um cara muito azarado, que acaba se envolvendo com um charlatão maluco que faz um feitiço dar errado e o transforma em gato gigante, e enquanto ele tenta voltar ao normal, tem que fugir da polícia por um crime que não cometeu. Interessante? Vamos aprofundar.

Bem, Lino é o típico protagonista que está acomodado com o fracasso. Desde criança ele tem um certo azar – algumas coisas são meio culpa dele – e ele resolveu carregar esse estigma pela vida dele. “Mas Becky, você está sendo muito dura com ele! O coitado é azarado mesmo! Nada dá certo na vida dele! ” Tô não gente. O cara não se esforça para melhorar de vida, se estagna em um emprego como “animador de festa” vestindo uma fantasia de gato que ele considera horrível durante 6 anos. Mora em um apê detonado, que por alguma razão ele fica quatro meses sem pagar o aluguel, mesmo trabalhando todo dia certinho. Eu sei que a vida é difícil, mas uma coisa é você se acabar de se esforçar e nada dá certo, a outra é você ficar esperando as coisas boas caírem no seu colo, mas você não faz nada novo. Mas enfim, a história precisa andar né. Como eu disse, ele passa quatro meses sem pagar o aluguel, então é despejado. Seu vizinho é um ex-colega de colégio que fazia bullying com ele e adivinhem? É bandido. Ou seja, crianças, não sejam bulliers. Aliás, crianças nesse filme são retratadas de maneiras extremamente estereotipadas ou para fazer “graça” (como as crianças do buffet que só faltam matar o Lino, chutam, mordem, gritam… E gente, eu sou da área de educação, não é bem assim que funciona não viu) ou para dar lição, como a pequena órfã que cai no colo do rapaz, por assim dizer.

Voltado ao Bruno, ele acaba oferecendo o seu apê para que Lino não durma na rua (porque todas as coisas dele foram jogadas na calçada). O problema é que de cara você percebe que o malandro tem planos para Lino, e que chamar ele para dormir lá não é bondade, e o pobre do protagonista, que acreditando que nada tem como piorar (nesse momento ouvimos um barulho de trovão ao longe, seguindo a clássica piada), acaba cedendo, sendo drogado. O pobi dorme o sono dos justos, completamente dopado, e Bruno se aproveita para usar a sua fantasia horrível de gato para roubar metade da cidade em uma única noite. O que o bandido não percebe é que acabou mostrando sua bunda acidentalmente para uma câmera, que capta sua tatuagem de coração que fica localizada na polpa direita da bunda (eita, que específica eu). Na manhã seguinte, Lino sai da casa do cara e acaba, por força maior, indo visitar Don Leon, um suposto místico que iria ajudá-lo a melhorar de vida.

Lino e Don Leon

Vou fazer um parêntese para perguntar se mais alguém tem gastura quando um personagem deixa de fazer coisas que seriam naturais ao ser humano, para que a narrativa continue sem quebra. Tipo, Lino não tomou banho, não comeu, não bebeu água, não trocou de roupa, o filme inteiro. Aliás, não mexeu nem nas coisas que estavam na calçada e foram jogadas lá no despejo atrás de roupa ou uma cueca limpa ou uma escova de dentes. Nada. Tudo ficou na calçada. Alguém mais? Não? Enfim.

Lino vai até Don Leon, que obviamente é uma fraude, mas serve como agente cômico o filme inteiro, principalmente quando se apresenta sendo discípulo do grande e poderoso “Henry Totter”. Eu dei um leve grito interno. Aliás, o filme tem várias referências à cultura pop, colocadas de maneira bem legal na narrativa e os nerds piram. Voltando. Don Leon é obviamente um charlatão (já disse isso mil vezes, eu acho), mas a magia que ele instrui Lino a usar é verdadeira, e o pobre coitado acaba transformado na sua fantasia de gato! Vamos cortar a cena para a delegacia, que um pouco antes, a policial (obviamente a crush de infância de Lino apresentada previamente) Janine foi instruída pelo seu chefe, um cara esquisito e machista que bebe muito café, de pegar o tal bandido mascarado usando roupa de gato. E para isso, ela vai contar com dois ajudantes paspalhos: Osmar e Melo, que são os estereótipos de policiais norte-americanos, um sendo branco, gordo, que come rosquinhas e bem burro, e o outro sendo o negro piadista, que também acaba sendo burro. Os dois são parceiros estúpidos, que acabam tendo que seguir com Janine, uma policial até que competente, mas obviamente infeliz com o serviço, atrás do tal bandido.

    Lino bolado com a vida

Voltemos para o Lino transformado em gato. Bem, agora que ele está numa situação que é realmente uma bosta, o rapaz tem que se esforçar ao máximo, junto com Don Leon, para voltar a sua forma normal e conseguir se esclarecer com a polícia, que o encontra em todos os lugares possíveis (o que prova que Janine é bem competente, apesar dos seus subordinados), e provar ser inocente. De repente, tudo o que ele quer é voltar a ser ele mesmo. Ah, e como eu disse, uma órfã cai no colo dele – em uma óbvia crítica sobre o sistema de adoção, pelo jeito, pois um monte de crianças em um… apartamento de adoção são cuidadas por uma mulher negligente que não larga o celular. E a órfã meio que se torna o seu bichinho de estimação, de certa forma. Mas não de um jeito pejorativo, é só porque ela é uma menina de dois anos muito fofa, que se afeiçoa ao principal, não sabe falar direito, e assume o papel que normalmente eu vejo sendo atribuído a animais em animações infantis, mas ela tem uma importância dentro da narrativa, mesmo que seu final seja bem absurdo. Absurdo bom, mas absurdo mesmo assim.

Tá certo Becky, mas o filme é bom, afinal? É. Ele é bom. Não é a melhor coisa que você vai assistir, mas para levar os filhos é um filme bem legal. Eu não achei engraçado, mas outras pessoas acharam as piadas engraçadas (eu achei forçado até demais, principalmente as piadas de peido, e olha que eu sou uma pessoa que ri muito fácil). A animação está ótima, a trilha sonora é interessante, mesmo não sendo marcante, a história em si é legal e divertida, mesmo sendo o cúmulo do clichê. Aliás, inspirada em todos os clichês norte-americanos já assistidos da vida, sobre superação, acreditar em si mesmo e não se deixar abalar pelos obstáculos da vida, e essas coisas. A dublagem é ótima, também. E como eu falei, a história é cheia de referências nerds, como a já citada de Harry Potter, tem Homem-Aranha, He-Man, entre outros.

Vale a pena uma ida ao cinema com as crias. O filme vai estrear dia 7 de setembro, então não percam a data!

Trailer: