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Filme Pipoca
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Guess who?! Pica-Pau virou filme!

por em 2 de outubro de 2017
Detalhes
 
Ano de lançamento

2017

Título original

Woody Woodpecker

Duração

1h34m

Roteiro

Alex Zamm e William Robertson

Positivos

+ Personagens divertidos;
+ Animação boa;
+ A criançada vai gostar.

Negativos

- Alguns furos;
- Clichê;
- Algumas cenas fora de contexto.

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Sinopse
 

O travesso Pica-Pau está metido em mais uma de suas insanas brigas por território. Os inimigos da vez são o vigarista Lance Walters (Timothy Omundson) e sua namorada Vanessa (Thaila Ayala). Precisando de dinheiro, eles estão determinados a construir uma extravagante mansão na floresta e lucrar com sua venda, mas Pica-Pau também mora no terreno e não pretende deixá-los em paz.

 

Woody Woodpecker, ou, como o conhecemos, Pica-Pau foi criado em 1940 pelo artista Walt Lantz, que foi responsável pelo desenho “Oswald the Lucky Rabbit”, cujos direitos foram comprados de seu criador original: Walt Disney! (Walt parece ser um nome muito comum para a época, aliás…). Apesar do inicial sucesso do personagem de Oswald, a sua popularidade foi acabando e Walt Lantz precisava de um novo personagem, e assim nasceu Andy Panda! Vocês acharam que ia ser o Pica-Pau, mas ainda não foi. Durante os anos de 1939 e 1940, ele era o grande astro dos desenhos de Walt, até que o autor, que estava em lua de mel com sua esposa, Grace, acordou no meio da noite com barulhos – como se estivessem batendo à sua porta. Ele saiu para verificar quem era, mas não encontrou ninguém. Após um tempo, ele teria descoberto que era um pica-pau de crista vermelha fazendo enormes buracos no telhado do chalé onde estavam, se preparando para estocar avelãs para o inverno! Walt teria ficado com sangue nos olhos, querendo caçar o pica-pau, mas sua esposa não só o impediu, como lhe deu a magnífica ideia de usá-lo como personagem. Ele conta essa história AQUI. E assim nasceu o maluco Pica-Pau, que primeiro apareceu como coadjuvante nos episódios de Andy Panda, fazendo um estrondoso sucesso e ganhando o seu próprio show, que durou por muitos e muitos anos, sendo exibido aqui no Brasil pela primeira vez na extinta TV Tupi, no ano de 1950, mas dublado mesmo ele só foi na década de 60, na TV Record.  E agora, esse mês, estreia “Pica-Pau: O filme”, e já fomos conferir.

A história é um enredo bem simples: um rico advogado, pai relapso e esnobe chamado Lance Walters (Timothy Omundson), que acaba sendo demitido por falar verdades sobre a empresa dele na TV (para um cara que ganhou dinheiro como advogado, ele não é lá muito esperto né?). Como plano secundário para se reerguer e manter o estilo de vida dele e da noiva, Vanessa (Thaila Ayala), decide construir uma casa milionária no terreno que herdou do avô e fica na fronteira com o Canadá, um local lindo e que teoricamente qualquer pessoa rica iria querer ter. Ou seja, especulação imobiliária. Na real, a maquete da casa é ridícula, mas vida que segue.

Prestes a viajar, a ex-mulher de Lance bate à porta e diz que precisa que ele cuide do filho deles por uns dias. Lance não tem outra opção a não ser levar o filho Tommy com eles. Apesar do climão, eles chegam no terreno, que é lindíssimo, porém, na mesma noite, descobrem que o local tem outro morador: um Pica-Pau de crista vermelha, louco por pasta de amendoim, que iria tentar atrapalhar os seus planos para construir a sua casa milionária, por motivos de… Não tem motivos. Ele vai só pelo prazer de importunar mesmo.

E paralelamente a isso, temos os vilões, que são dois caçadores idiotas – um que é muito idiota e outro que é razoavelmente idiota – e ambos descobrem que o Pica-Pau de crista vermelha está extinto há pelo menos cem anos, e vale muito dinheiro se conseguirem captura-lo. Ah, e temos uma guarda florestal, que é uma moça muito interessada no bem estar da natureza, e que aparece mesmo só para dar uma ou outra lição de moral em Lance, mas seu peso narrativo é quase ínfimo.

A história é extremamente clichê. Eu já vi centenas de outros filmes de seção da tarde que tem o mesmo enredo, de problemas familiares, o pai relapso que é noivo de uma mulher “desagradável”, onde acontecem várias coisas, e o pai aprende a se conectar com o filho, tem um vilão ou dois que são estúpidos, uma mensagem sobre natureza, outra sobre família, um humor bem simples, com piadas bobas e pontuais… Essas coisas. Aliás, só uma vírgula sobre a personagem da Vanessa: tratam ela como vilã nas chamadas para o filme, e eu não estou entendendo o motivo. É porque ela gosta de viver no luxo e não gosta de crianças? Porque ela não toma nenhuma atitude de maltratar o Tommy, por exemplo. No geral, ela procura ignorar a existência dele. O máximo que ela faz é se indignar com o Pica-Pau, gastar muito dinheiro e usar salto alto em um terreno arenoso. Aliás, ela é quem termina com o pai, e isso não é nem spoiler, porque nos primeiros cinco minutos já descobrimos que vai ter outro par romântico para o pai nessa história, que tem que ser uma moça boazinha que gosta da natureza. Mas enfim, jamais entenderei.

O Pica-Pau não tem motivação nesse filme. Como eu disse, ele parece atazanar os outros, só pelo prazer de fazer isso, e reencena cenas clássicas do seu próprio desenho ao tomar atitudes que destroem coisas, queimam, explodem, eletrocutam, e não há nenhum tipo de consequência. Para contrabalancear o seu apetite voraz por confusão, o personagem quebra a quarta parede, conversando o tempo todo com o público, deixando claro que é apenas um filme, e que as crianças não devem fazer isso em casa. Particularmente eu gostei desse Pica-Pau, apesar de haverem muitas cenas que são mal construídas, não tem importância narrativa, e parecem estar ali só para mostrar o quão irritante ele pode ser. A animação dele está excelente, e vai convencer a criançada.  

Os adultos parecem ser a parte mais caricata do filme, o que deve dizer algo sobre a visão que as pessoas têm sobre o público infantil. Quanto às crianças, elas são maravilhosas. Eu gostei muito do elenco mirim, pois o personagem de Tommy, como toda boa criança, vai para a cidade fazer amigos. A química entre eles é muito boa, e eles são tão comuns, que o público mirim deve poder se colocar no lugar deles facilmente e se imaginar no filme.

O filme mesmo é bem bobo, não traz nenhum tipo de inovação, peca muito em dar lições de moral para criança, mas se você quer um filme leve, divertido e sem pretensões para assistir com sua criança, “Pica-Pau: O filme” vai ser uma boa escolha. Porém, nós, adultos, não somos o público alvo, então não se irritem com isso. O filme estréia essa semana, então fiquem de olho.

Trailer: