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Crítica – Planeta dos Macacos: A Guerra

por em 3 de agosto de 2017
Detalhes
 
Ano de lançamento

2017

Título original

War For The Planet of The Apes

Duração

140 Minutos

Positivos

- Bom Desenvolvimento de Personagem
- Enredo coeso
- Ótima Fotografia
- Trilha sonora imersiva

Negativos

- Conclusão apressada do último ato
- Marketing desencontrado

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Sinopse
 

Planeta dos Macacos: A Guerra é um filme pesado e com uma narrativa carregada, e que trabalha muito bem o desenvolvimento da história por meio das motivações dos personagem.

 

Escrito e dirigido por Matt Reeves, Planeta dos Macacos: A Guerra, originalmente War For The Planet of The Apes, estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 03 de agosto.

Sinopse

César e seu grupo são forçados a entrar em uma guerra contra um exército de soldados liderados por um impiedoso coronel. Depois que vários macacos perdem suas vidas no conflito, César luta contra seus instintos e parte em busca de vingança. Dessa jornada, o futuro do planeta poderá estar em jogo.

Crítica

Como fã da série original de Planeta dos Macacos eu devo confessar que quando fiquei sabendo que ela iria ter um reboot, eu torci o nariz. Principalmente porque já tinham tentado inovar com o remake do Tim Burton. Mesmo depois de assistir o Planeta dos Macacos: A Origem eu ainda não estava muito convencido, já que eles tinham alterado coisas na série original. Porém, eu sempre reconheci que o primeiro dessa nova trilogia era um bom filme, só não era o Planeta dos Macacos que eu conheci. Pois bem, ao assistir o último filme desse arco, tenho a felicidade de dizer: que bom que eu estava errado.


Antes de qualquer coisa eu tenho que dizer que Planeta dos Macacos: A Guerra não é um filme de ação; eu sei que todos os trailers e o marketing vendem um filme de ação com cenas de batalhas e tudo mais… Só que não é bem assim. O filme tem ação, mas a ação dele é usada em pequenas doses. Se eu fosse descrever o estilo do filme diria que ele é um road movie com elementos de faroeste, bem parecido com o que foi feito em Logan só que com uma guerra como pano de fundo. Nesse longa temos uma história robusta, que te mostra quais são as repercussões de uma guerra. Vemos aqui um ambiente pesado, personagens cansados e momentos emocionantes.


Nesse filme temos um Cesar mais velho, mais experiente e assombrado pelas consequências dos atos de Koba. Em contrapartida, vemos os humanos em decadência, a ponto de deixar sua humanidade de lado para tentar se salvar. Triste é saber que nem precisamos de um futuro pós apocalíptico para desenvolver essa veia cruel e desumana. Inclusive esse é o tipo de filme que faz você se questionar sobre muitas coisas. A dualidade aqui é trabalhada com maestria, e apesar de você inicialmente acompanhar Cesar como um figura sensata e o Coronel como um estereotipo extremista, isso é desconstruido ao decorrer do filme com o protagonista tomando atitudes extremas e impensadas, e o antagonista mostrando um ponto de vista até certo ponto compreensível frente ao que ele está enfrentando.

Um dos pontos que eu mais curti nesse filme foi o vilão. O Coronel interpretado por Woody Harrelson é um personagem que impõe medo, mas não por ser um personagem indestrutível ou uma ameaça sobre-humana. O antagonista impõe medo por ser um vilão muito humano e palpável, do tipo que pode facilmente existir sem precisar de um mundo pós apocalíptico. Eu pude ver um antagonista que vê no protagonista um desafio, algo intrigante e ameaçador. E que embora cometa atos repulsivos, mostra respeito ao Cesar, mesmo que de uma forma deturpada, chegando ao ponto de descrever ao líder dos primatas todas as suas motivações, o que me deu a sensação de ser uma forma desesperada de provar que seu motivo era válido, não só para seu rival como pra si mesmo.

 


Em Planeta dos Macacos: A Guerra eu consegui identificar uma semelhança muito grande com a história de Moisés, mas sem a parte religiosa envolvida, abordando apenas o contexto de jornada do personagem em busca de salvar seu povo de uma escravidão. Infelizmente não posso traçar uma abordagem mais detalhada das semelhanças, pois seriam muitos spoilers, mas vale a citação. Como no longa o protagonista tem uma figura quase messiânica, eu posso dizer que curti muito a conclusão de seu arco narrativo. E apesar da resolução do último ato ser um pouco corrida, isso não chega a estragar a experiência. Esse pequeno deslize do final é facilmente perdoado quando se analisa o conjunto da obra. E um dos pontos fortes desse tal conjunto da obra é a trilha sonora, que amplifica todas as emoções expostas na tela, com batidas tribais exaltando o rústico e a eminência de uma guerra, ao mesmo tempo que lembram um pouco da trilha sonora dos filmes originais.


Planeta dos Macacos: A Guerra é um filme pesado e com uma narrativa carregada, e que trabalha muito bem o desenvolvimento da história por meio das motivações dos personagem. Ele conta com um roteiro coeso e uma execução fluida, e apesar da conclusão ser um pouco corrida, todo o resto é trabalhado no tempo certo e executado de forma eficaz. É um ótimo filme com uma campanha de marketing confusa, mas que vale muito a ida ao cinema.

Trailer