Filmes
Filme Pipoca
0comentários

Crítica – Em Ritmo de Fuga (Baby Driver)

por em 25 de julho de 2017
Detalhes
 
Ano de lançamento

2017

Título original

Baby Driver

Duração

113 minutos

Roteiro

Edgar Wright

Positivos

- Direção, Montagem e Edição;
- Identidade Visual;
- Trilha Sonora;
- História empolgante;
- Bom equilíbrio entre ação, suspense, romance e comédia.

Negativos

- Uma única incoerência no roteiro... Mas se eu contar é Spoiler.

Avaliação do Editor
Pontuação Total

Deslizar para avaliar
Avaliação do Usuário
Pontuação do Usuário

You have rated this

Sinopse
 

Em Ritmo de Fuga é um filme inovador que pode ser considerado um tipo de musical de ação e com certeza vai te proporcionar uma ótima experiência cinematográfica.

 

Escrito e dirigido por Edgar Wright, Em Ritmo de Fuga, originalmente Baby Driver, estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 27 de julho.

Sinopse

Baby (Ansel Elgort), um jovem e talentoso motorista, especialista em fugas em assaltos, confia na batida da sua banda sonora pessoal para ser o melhor. Quando encontra Debora (Lily James), a mulher dos seus sonhos, ele vê a oportunidade de deixar para trás a sua vida de crime e sair de forma elegante desse universo. No entanto, ao se ver coagido a voltar a trabalhar para Doc (Kevin Spacey), um chefe do crime, e quando um golpe condenado ameaça a sua vida, o seu romance e a sua liberdade, ele terá de optar pela música certa…

Crítica

Uma grata surpresa, essa foi a sensação que tive ao assistir Em Ritmo de Fuga (Baby Driver). Mas antes eu tenho que contextualizar minha experiência: quando eu fui para a cabine assistir essa obra prima, eu não sabia de nada sobre o filme, nem mesmo tinha visto o trailer, e  foi muito agradável ver um filme tão bem produzido e dirigido. Principalmente quando eu presencio um lindo plano sequência apresentando o personagem principal em seu dia a dia. Sério, depois de ver Transformers que tem cerca de 30 cortes a cada 5 minutos, ver um plano sequência é um deleite.




Mas vou deixar de enrolar e começar a falar do filme em si. Baby Driver foi praticamente um parto para o Edgar Wright, não por ter sido doloroso, e sim por seu longo estágio de gestação. O diretor teve a ideia do longa nos ano 90 quando escutava “Bellbottoms”, de Jon Spencer Blues Explosion, e pensou: “Essa música ficaria ótima numa perseguição de carros”. E desde então vem maturando e testando coisas em seus outros filmes, até por em pratica nesse. Seu primeiro “teste”, que serviu como aquecimento para Baby Driver, foi um clipe da banda Mint Royale, no vídeo clipe vemos os primeiros passos sendo formados. Você pode conferir o clipe abaixo e ter um gostinho do que estou falando:

Se você assistiu o clipe, notou que todos os sons seguem a batida da musica “Blue Song“, e vemos exatamente a mesma coisa durante o filme, todos os objetos em cena contribuem para criar uma sinfonia. Mas Saulo, então esse filme é um musical? Não se trata bem de um musical, pelo menos não de um musical como conhecemos hoje em dia. Apesar da música ditar o ritmo e a narrativa do filme, nele não temos personagens cantando suas falas ou realizando performances musicais. Aqui o diretor pega um conceito aplicado recentemente por Guardiões da Galáxia, e eleva exponencialmente a experiência. Ah Saulo, então você está me dizendo que ele copiou o James Gunn? De maneira alguma. O Edgar Wright já vinha aplicando isso em seus filmes, não só a mixagem dos sons como todos os outros aspectos do filme. E diferente da forma tradicional de escolher trilha sonora, em que primeiro se monta a cena e depois se analisa qual musica pode ser aplicada, nesse filme fica claro que a música foi escolhida antes mesmo de escrever as primeiras linhas do roteiro.

Assistindo Em Ritmo de Fuga você percebe bem a “mão” do diretor. Por exemplo, se você já assistiu “Todo Mundo Quase Morto (Shaun of the Dead)”, vai lembrar da cena em que os protagonistas matam um zumbi ao som da banda Queen, com todos os elementos do cenário servindo como instrumentos musicais; se viu “Chumbo Grosso (Hot Fuzz)” vai reconhecer a ação frenética nas cenas de perseguição de carro onde o diretor abre o plano e te mostra, durante a luz do dia, toda a beleza de uma cena de corrida; e se assistiu o Scott Pilgrim Contra o Mundo (Scott Pilgrim vs. the World)” vai reconhecer a identidade visual do diretor.

Mas enfim, o que é esse filme? É um musical? É um filme de ação? Eu te respondo dizendo que é um filme de assalto ao estilo Tarantino, mas sem a violência e o sangue característicos do diretor. As cenas de ação são inusitadas e os pontos de virada do filme vão te pegar realmente de surpresa. Nas cenas onde não há ação, Edgar Wright usa os diálogos para explorar os personagens demonstrando suas personalidades, mas sem chegar ao ponto de mostrar suas reais motivações, sempre sustentando um ar de certa tensão, já que não fica claro o que cada um é capaz de fazer. No longa, o elemento de flashback é usado apenas quando necessário. Não vemos aqui um roteiro preguiçoso explicando tudo de forma explícita ou por meio de flashback a todo tempo, os diálogos tem o tempo certo e revelam o que deve ser revelado, deixando sempre um mistério no ar.

A história se desenrola sob a perspectiva de Baby (Ansel Elgort), um cara que é um misto de ingenuidade e sagacidade. A primeira vista ele aparenta ser nada mais que um garoto tentando parecer cool, mas quando ele começa a dirigir você entende por que ele é crucial para o que esta acontecendo, entretanto, toda ação tem sua consequência. E nas palavras do próprio diretor: “O filme começa com o sonho de como é ser um motorista de fuga, mas rapidamente se transforma no pesadelo de ser um criminoso”.

Depois de assistir Em Ritmo de Fuga fiquei meio triste da Marvel não ter deixado o Edgar Wright dirigir a sua versão do Homem Formiga. E já que eu citei a Marvel, quem conhece o trabalho desse diretor sabe que ele é um geek de carteirinha. E por este motivo sempre vemos referências em seus filmes. E com esse não é diferente. Temos referência a Blade Runner, Clube da Luta, Monstros S.A., Os Batutinhas, Django Livre, Bonnie e Clyde entre outras…

Mas e ai, o filme vale um ida ao cinema? Com certeza sim. Em Ritmo de Fuga é um filme inovador que pode ser considerado um tipo de musical de ação e com certeza vai te proporcionar uma ótima experiência cinematográfica. Ah… e se querem uma dica, esse filme deve ser visto em uma sala onde a qualidade de áudio é boa. A minha indicação é que veja esse filme em IMAX, mas para os que não tem acesso a essa beleza de tela gigante e som maravilhoso, é só escolher a sala de cinema com a melhor qualidade de áudio e ser feliz.

Trailer

Colaborou neste post: João Pedro