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Crítica de filme: “Mãe!”

por em 20 de setembro de 2017
Detalhes
 
Ano de lançamento

2017

Título original

Mother!

Duração

115 minutos

Roteiro

Darren Aronofsky

Positivos

- Filme angustiante, tenso, claustrofóbico;
- Atores espetaculares;
- Ambientação tensa;
- História impactante

Negativos

- Expositivo demais
- Algumas cenas que poderiam ter sido condensadas
- Em alguns momentos, parece ser longo demais

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Sinopse
 

Um casal tem o relacionamento testado quando pessoas não convidadas surgem em sua residência acabando com a tranquilidade reinante.

 

Dirigido por Darren Aronofsky (que, para quem não sabe, também é diretor de “Réquiem for a dream” e “Cisne Negro”), “Mãe!” não é exatamente o tipo de filme que dá para se explicar. Ele é uma espécie de analogia à uma das histórias mais famosas do mundo, e começa de maneira extremamente claustrofóbica. Como assim Becky? Estou confuso (a)! Bem, deixa eu explicar melhor.

Tudo começa com ela (Jennifer Lawrence) procurando pelo marido (Javier Barden) em uma casa enorme e silenciosa, tudo em cores pastéis e nada de trilha sonora. No início de tudo há alguns sustos esperados, mas eles vão diminuindo a medida que a história se desenrola. Essa escolha de cores, a falta de trilha sonora, as reações da atriz… tudo me deixou nervosa no começo, como se algo estivesse sempre errado e eu não soubesse o quê. Após a personagem encontrar o marido (num susto clássico), vemos várias cenas que nos dão uma ideia do plot dos dois: ele é um poeta, e ela só cuida da casa. No caso, ela reconstrói a casa dele. Então chega um casal na casa (Michelle Pfiffer e Ed Harris), e o marido acolhe os dois, ao que a esposa se sente extremamente incomodada com isso, pois ele toma decisões sem falar com ela. Apesar disso, ela aceita e tenta se sentir à vontade com a situação, mas não consegue. A partir daí as coisas vão se desenrolando de maneira complicada, e eu não posso dizer mais nada, pois seria spoiler.

A personagem de Jennifer Lawrence (por que ninguém tem nome nesse filme), é apagada, submissa, passiva, o que ajuda a dar uma tensão nas cenas, pois seu marido, Javier Barden, é expansivo, sorridente, acolhedor. Não há uma comunicação verdadeira entre eles, sendo em muitos casos, um relacionamento claramente abusivo.

O filme tem cenas bem pesadas, então é para quem não tem estômago fraco. Também não é um filme de terror, então não esperem por isso, mesmo que hajam cenas que são pura angústia, e, como eu disse, boa parte do filme traz uma carga meio claustrofóbica, como se a personagem estivesse presa em algo que ela não pode lidar ou sair. Essa sensação se dá porque a história é contada basicamente do seu ponto de vista. A câmera está sempre focada nela e no que ela está fazendo. Está por cima do seu ombro, nas suas costas ou no seu rosto. O que ela vê, nos vimos. O que ela sente, está sempre estampado. E Jennifer Lawrence fez um trabalho maravilhoso de atuação.




Também temos Michelle Pfiffer, que é outra atriz excelente, e a personagem dela é meio perturbante. Ela parece ser expansiva, meio agressiva, sedutora. Ela está sempre agindo de maneira diferente, e em contraste com a personagem de Jennifer Lawrence, temos um prato cheio na tela para apreciar. Além disso, temos Ed Harris, que é o cara de preto da série “Westworld”, e eu já sempre espero que as coisas vão dar errado perto dele. Mas aqui o papel dele é totalmente diferente, ele é um homem extrovertido, interessado no personagem de Javier Barden, emotivo, fraco. E o próprio Javier, que já sabemos que é incrível, um personagem que é um dos pontos chave da trama. Carismático, amoroso, sempre gentil com todos, acolhedor, e ao mesmo tempo, outra coisa, que você vai percebendo ao longo da trama.

Aparentemente muitas pessoas não estão gostando do filme, e eu devo admitir que quando acabou, eu não sabia se eu tinha gostado ou não. Eu estava simplesmente em choque, até que minha colega do canal Cinemaginando me contou sobre a entrevista que ela viu em que o diretor comenta sobre o que ele realmente quis dizer nesse filme, e eu definitivamente decidi que adorei.

No fim das contas, o filme tem uma mensagem muito pesada, e é necessário que se assista e tirem as próprias conclusões.

 

SPOILER ZONE

Para quem ficou curioso e acha que não estraga a sua experiência cinematográfica, ou simplesmente não se importa, eu vou dizer um pouco sobre o que o filme representa, de acordo as palavras do diretor. Vou resumir, é claro, e quem tiver interesse em ler tudo, é só ler AQUI. Eu procurei traduzido, mas não encontrei. Enfim.

De acordo com Aronofsky, o filme seria a recriação da história bíblica, onde Javier seria Deus, Lawrence é Gaia, ou Mãe Terra, Pfiffer e Harris seriam Adão e Eva, então os filhos deles que aparecem são Caim e Abel (e daí você tira o que acontece), e a casa onde eles vivem é basicamente o paraíso.

Não direi mais do que isso, por que aí sim seriam spoilers pesados. A informação acima pode sim modificar um pouco a maneira como você assiste o filme, mas não estraga a experiência (eu acho que não). Agora, se você já assistiu e não sabia disso, sua mente deve estar meio que explodindo (eu me senti assim, ao menos, ao saber da informação) e se você não assistiu ainda, você precisa. Principalmente para ter a sua própria percepção da história.

Trailer: