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Crítica: A Bela e a Fera (2017)

por em 16 de Março de 2017
Detalhes
 
Gênero
Ano de lançamento

2017

Título original

Beauty and The Beast

Duração

129 minutos

Roteiro

Stephen Chbosky e Evan Spiliotopoulos

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Em sua nova era, os estúdios da Disney decidiram investir em algo para recontar clássicos antigos: os live actions. E assim nasceram Malévola, Cinderella e agora, A Bela e a Fera, que estreou hoje em todo o país.

La Belle et La Bête

Protagonizado por Emma Watson e Dan Stevens, o filme bebe um pouco mais em sua inspiração, a adaptação da fábula de Gabrielle-Suzanne Barbot feita por Jeanne-Marie LePrince de Beaumont. Tais elementos podem ser vistos em vários momentos, como na cena em que vemos o motivo que leva ao aprisionamento de Maurice, por exemplo.

Mas nem tudo do filme de 1991 foi deixado de lado. A maldição que afeta a todos os moradores do castelo retorna e com isso podemos rever velhos companheiros ao passo em que conhecemos novos personagens como o piano de cauda Cadenza (Stanley Tucci, arrasador como sempre!). As incríveis canções de Alan Menken e Howard Ashman também estão de volta, emocionando nos momentos certos. Destaques para a belíssima “Beauty and the Beast”, maestralmente intepretada por Emma Thompson; e para a divertida “Be Our Guest”, que nos presenteia com a ótima voz de Ewan McGregor.

A Bela e a Fera

Um outro ponto que acabou sendo herdado da animação e que não só surpreendeu positivamente mas contribuiu para o filme foi a questão do protagonismo. Em todos os outros filmes de “princesas”, temos uma protagonista clara, o que não é o caso aqui. Em 1991, foi feita a escolha criativa de priorizar o protagonismo da Fera, como o personagem que mais se desenvolveria e tal qual uma rosa, desabrocharia. Neste longa isso foi mantido e a atuação cheia de nuances de Stevens tornou tudo ainda mais maravilhoso.

Canções

Como dito anteriormente, as canções da dupla Menken-Ashman foram mantidas, o que é uma ótima forma da Disney homenagear Howard Ashman, falecido durante a pós-produção do filme de 1991. No entanto, como o verdadeiro protagonista que é, a Fera ganhou uma canção-solo, “Evermore”. Outras canções foram criadas exclusivamente para este filme, como a ária inicial entoada por Audra McDonald. Infelizmente, algumas músicas tiveram de ficar de fora, como foi o caso de “Human Again”, lançada na Edição Especial Diamante em 2010.

Com exceção de Watson, que teve uma boa ajuda de programas de edição de voz, o restante do elenco mostrou que são muito mais do que carinhas bonitinhas e que possuem vozerões para ninguém botar defeito.

A Bela e a Fera

Para o single da canção-título, houve um medo muito grande, já que na versão anterior, ela fora cantada por Celine Dion e Peabo Bryson. No live action de 2017, Ariana Grande e John Legend foram os encarregados de entoar a mais famosa canção da trilha. Somando a eles, Josh Groban também emprestou sua voz para uma versão de “Evermore” e a sra Dion retornou à esta história com “How Does a Moment Lasts Forever”, que pode ser ouvida nos créditos finais.

O elenco

Emma Watson foi o primeiro nome divulgado e a atriz franco-britânica parecia ter sido feita para a personagem. Inteligente, destemida, persistente, além de claro, muito bonita. Parecia até bom demais para ser verdade e sua escolha era exaltada.

Contudo, e posso até ser polêmica, mas desde o anúncio de Watson como a princesa, sabia que algo não cairia bem. Sua Bela não é A Bela. Ela trouxe uma dose de arrogância e prepotência para a personagem que não convinham. Em suma, sua atuação não foi das melhores.

Falar sobre as atuações de Kevin Kline, Ewan McGregor, Sir Ian McKellen, Emma Thompson e companhia é chover no molhado, já que são monstros da atuação. Cada um conseguiu tornar seu personagem próprio, nos fazendo esquecer um pouco as atuações de 1991.

Tavez os dois personagens mais difíceis de escalar tenham sido Gaston e a Fera, por suas personalidades dúbias, cada qual à sua maneira. Gaston por ser um homem extremamente lindo e arrogante, mas que sempre soube disfarçar isso muito bem. A Fera por seu desenvolvimento de um príncipe arrogante e uma besta sem esperança para um homem gentil, amável e carinhoso, que finalmente aprendera a ser uma pessoa boa. Uma salva de palmas para o incrível trabalho de Luke Evans e Dan Stevens. Stevens incorporou seu personagem de tal forma que é impossível desassociá-lo dele.

A Bela e a Fera

Polêmicas

Aliás, que filme cheio delas! Começamos com a jogada de marketing da Disney ao anunciar que por exigência de Emma Watson, a Bela estava se tornando mais feminista. A verdade é que os tempos são outros e fazer a personagem da mesma forma que em 1991 não traria bons frutos. Logo, por quê não usar a fama feminista de nossa atriz principal para indicar essas sutis mudanças? Só que daí ao dizer que ela exigiu acaba rotulando o filme como “feminista”, o que limita sua audiência.

Outra questão, agora mais para o final da divulgação, foi sobre o personagem LeFou, vivido por Josh Gad. LeFou tornou-se oficialmente o primeiro gay em um filme Disney. Para a comunidade LGBTT foi uma vitória, ainda que tímida. Todavia, quem presta atenção ao clássico indicado ao Oscar de Melhor Filme percebe que realmente só oficiaizaram o certo. Só que essa oficialização não veio sem brigas, já que vários cinemas se recusaram a exibir o filme após isso. Uma pena, mas mostra que nosso mundo ainda é bastante intolerante com o que foge do status quo.

Relacionamentos abusivos

Com a era da problematização, muito se falou sobre a Síndrome de Estocolmo que Bela poderia sofrer de. Nessa síndrome, a pessoa captiva se apaixona perdidamente por seu captor, por isso todos logo associavam-na à camponesa feita de prisioneira em um castelo. Nessa nova versão, fica claro que esse não é o caso. O que não impede esta relação de ser abusiva da mesma forma e até mesmo uma péssima inspiração para jovens mulheres mundo afora, que acabam achando poder mudar um homem se elas reamente forem merecedoras dele. E em suma, essa é a moral da história, junto com “nunca julgar um livro pela capa”. Apesar de nossa protagonista ser decidida e independente, o que para a época da trama, é um ultraje, ela ainda se prende muito aos conceitos de “mulherzinha”.

Curiosidades

  • “Dama de Villeneuve” era o título real de Gabrielle-Suzanne Barbot, a criadora da história. Nessa nova adaptação, é o nome da pequena aldeia onde Bela e Maurice moram.
  • Apesar de não ser citado em nenhum momento do filme, é de conhecimento geral que o nome da Fera é Adam.
  • Susan Egan, que interpretou Bela na peça da Broadway, considerou Emma Watson a escolha perfeita para o papel. Já Paige O’Hare, a dubladora da personagem nas animações e jogos Disney, ofereceu à protagonista aulas de canto.
  • Ewan McGregor manteve o sotaque francês imposto ao personagem de Lumiére por Jerry Orbach em 1991.

A Bela e a Fera

Considerações finais

Um grande remake, recheado de canções para ninguém botar defeito. A Bela e a Fera é um dos filmes do ano, sem sombra de dúvidas.

Trailer oficial

A Bela e a Fera

Elenco: Emma Watson, Dan Stevens, Luke Evans, Kevin Kline, Josh Gad, Ewan McGregor, Ian McKellen e Emma Thompson
Diretor: Bill Condon
Estréia: 16 de março de 2017E