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“Assassinato no Expresso do Oriente” a nova adaptação da rainha do mistério estréia nos cinemas!

por em 29 de novembro de 2017
Detalhes
 
Ano de lançamento

2017

Título original

Murder on the Orient Express

Duração

114 minutos

Roteiro

Michael Green, Agatha Christie

Positivos

+ Elenco incrível;
+ História envolvente;
+ Mistério cabuloso;
+ Fotografia maravilhosa;
+ Boa trilha sonora;
+ Plot twist <3

Negativos

- Uma ou duas cenas desnecessárias e que não acrescentam em nada;
- Há um aumento das cenas dramáticas;
- Indo em direção ao horizonte.

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Sinopse
 

O que começa como um luxuoso passeio de trem pela Europa rapidamente se desdobra em um dos mistérios mais elegantes, tensos e emocionantes já contados. Do romance da autora mais vendida do mundo, Agatha Christie, “Assassinato no Expresso do Oriente” conta a história de treze estranhos presos em um trem, onde todos são suspeitos. Um homem deve correr contra o tempo para resolver o quebra-cabeça antes que o assassino ataque novamente.

 

Agatha Mary Clarissa Christie, nascida em 1890, contista, dramaturga, romancista e poetisa, rainha do mistério, autora de 72 romances e com um deles sempre figurando o top 10 de mais vendidos do mundo (“E não sobrou nenhum”). Em sua biografia é contado como ela desenvolveu a história do famoso “Assassinato no Expresso do Oriente” (publicado em 1934), uma de suas mais conhecidas obras, que já foi adaptada diversas vezes para as telas. A ideia para a história do livro teria vindo de uma das viagens de Agatha no Expresso do Oriente, juntamente com uma história que bombou nos jornais da época (que não podemos citar, pois é spoiler).  Agora temos a nossa versão de 2017, com direito a um elenco monstruosamente topster.

Hercule Poirot, o famoso detetive, precisa pegar o Expresso do Oriente e no meio da viagem ocorre um assassinato. Presos à caminho da Iugoslávia por uma tempestade de neve, Poirot precisa desvendar o mistério antes que o assassino fuja ou outra pessoa seja uma vítima.

Parece um enredo super simples, e de certa forma, é. Porém, temos um cenário claustrofóbico (o trem), diversos personagens para suspeitar (são mais ou menos 10-11), um morto com um caráter questionável e o melhor detetive do mundo, reunidos em uma trama bem contada. A atuação de Kenneth Branagh como Poirot está impecável, trazendo o humor irreverente do personagem, assim como a sua postura austera e a sagacidade dele. Ele é o foco da narrativa, já que é a pessoa encarrega de desvendar o mistério. Uma das melhores coisas do filme é nos colocar sempre, em momentos estratégicos, no ponto de vista do detetive, para que possamos “ver o que ele vê”. Eu suponho que a ideia é que desvendemos junto com ele o assassinato, ao invés de só observar o modo como ele trabalha, como no caso do filme de “Sherlock Holmes”.  Poirot é um homem complexo, bem construído, e muito bem apresentado no filme, com cenas acertadas e bem focadas em demonstrar que tipo de pessoa ele é. Fãs do livro deverão ficar satisfeitos (eu, ao menos, fiquei) e quem não conhece, tem a chance de conhecê-lo de uma maneira divertida e rápida, sem necessidade de muitas explicações ou reviravoltas para isso.

Os outros personagens não têm muito tempo em tela, já que são muitos, mas é interessante perceber como uma boa atuação faz diferença em um filme assim. Mesmo que não tenhamos como aprofundar nossa relação com eles, os atores e as atrizes capricham nos trejeitos, no tom da fala, nas expressões, e assim podemos entender que tipos de pessoas aqueles personagens são. O figurino ajuda demais nessa caracterização, caprichando para exibir a individualidade de cada um. E elenco bom tem até de sobra. Já citei Keneth (que também é o diretor, diga-se de passagem), porém também temos Daisy Ridley, Josh Gad, Judi Dench (nossa eterna M <3), Michelle Pfeiffer, Penélope Cruz, Willem Dafoe, Olivia Colman, Johnny Depp etc.

Uma coisa interessante no filme é que deram uma dualidade interessante ao personagem de Poirot, sempre muito certinho, com uma bússola moral impecável, sempre atrelado à linha do “certo e errado”. Exceto um ou dois momentos desnecessários na trama, todas as suas reflexões são bem pontuais, trazendo esse questionamento (sobre o que é certo ou que é errado) à tona.  À medida que o filme avança, só fica melhor.

O desenrolar dos fatos e da resolução do mistério são muito bem amarrados. Cada ponto que é colocado em pauta vai tendo seu desfecho, com explicações plausíveis, que trazem um final dramático e surpreendente, que segue em direção ao pôr do sol, ou ao nascer do sol, não sei. Ao horizonte. Sim, essa cena em direção ao horizonte existe, e foi uma das poucas cenas que eu achei bem tosco, mas deve ser porque eu tenho pouca inclinação ao piegas.

Eu não tive surpresas com o desfecho, porque eu sou muito fã da autora e já tinha lido o livro antes do filme, mas quem não sabia o final gostou bastante da surpresa. Ou foi o que me disseram. Outro colega apontou a falta de desenvolvimento dos personagens, mas como eu já disse, são muitos e temos que lembrar que o filme tem outro foco. Imagino que a ideia principal seja justamente conhecer os suspeitos o mesmo tanto que o próprio detetive para assim sempre ter uma pulga atrás da orelha com todo mundo. Se apegar faz mal meu povo.  

A fotografia é maravilhosa e é ressaltada sempre que possível, com uns ângulos muito favoráveis às paisagens do estrangeiro. Temos cenas lindíssimas de Istambul, por exemplo.

A trilha sonora é bem gostosa de ouvir, funcionando sempre a favor das cenas – inclusive introduzindo o silêncio em alguns momentos, aumentando o impacto necessário naquele instante. Eu com certeza não vou me lembrar das músicas depois, mas eu sou uma batata.

Uma curiosidade: o roteirista, Michael Green, esteve em projetos como “Blade Runner 2049”, “Deuses Americanos” e “Logan”, mas também em coisas horrendas como “Lanterna Verde” no currículo. Porém, ele não é o único a ser culpado por esse fracasso, então eu fico feliz que “Assassinato no Expresso do Oriente” figure em mais um sucesso nessa lista. E também, o diretor esteve envolvido em maravilhosos filmes, então tinha poucas chances de dar errado.

Eu espero que todos gostem dessa nova adaptação. Ele tem sim um ritmo um pouco lento, e provavelmente algumas pessoas não vão gostar, mas o filme não é longo, e trabalha bem a sua atmosfera cativante. Temos até uma ou duas cenas mais agitadas! Então assistam, e fiquem atentos aos detalhes. Eu desafio vocês a descobrirem quem é o assassino antes do detetive Poirot!

Trailer Original:

Melhor Trailer: