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Crítica: Além da morte

por em 18 de outubro de 2017
Detalhes
 
Ano de lançamento

2017

Título original

Flatliners

Duração

115 minutos

Roteiro

Ben Ripley; Laurence Mark

Positivos

+ Bom elenco;
+

Negativos

- Faltou desenvolvimento;
- Motivação péssima dos personagens;
- Faltou terror e drama;
- Final ridículo;
- Sustos previsíveis.

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Sinopse
 

Cinco estudantes médicos iniciam uma experiência para descobrir o que há depois da morte, esperando conseguir renome dentro da área. Ao parar seus corações por curtos períodos de tempo, eles disparam uma experiência de quase-morte. Mas logo eles são forçados a confrontar os pecados de seus passados enquanto a investigação se torna perigosa e paranormal.

 

“Além da morte”, dirigido por Niels Arden Oplev (que também dirigiu “Os homens que não amavam as mulheres” na versão sueca, a primeira temporada de “Mr. Robot” e a única temporada de “Under the Dome”), é um claro remake do filme “Linha Mortal”, de 1990, dirigido por Joel Schumacher e tem em seu elenco nomes como Julia Roberts, Kevin Bacon, Kiefer Sutherland (ou o cara do “24 horas”) e Oliver Platt. O plot dos dois filmes é muito parecido: cinco estudantes de medicina que tem muito interesse na vida pós morte e vão pesquisar. Mas esse novo longa tem várias coisas diferentes. Vamos por partes.

Nesse novo longa, cinco estudantes de medicina – Courtney (Ellen Page), Jamie (James Norton VIII), Marlo (Nina Dobrev), Sophia (Kiersey Clemons) e Ray (Diego Luna) – iniciam um experimento para saber o que acontece com o nosso cérebro quando morremos, e para isso, eles precisam morrer por alguns minutos. Tudo começa de maneira muito divertida: morrer não é tão doloroso, os amigos são muito competentes em ressuscitá-los e ao voltar da morte, eles parecem se tornar pessoas melhores, mais inteligentes. Mas tudo tem um preço, tudo começa a dar errado, e consequências terríveis acontecem.

A real é que a única interessada em saber o que acontece no vida pós-morte é a Courtney, que anos antes sofreu um acidente de carro e sua irmãzinha não sobreviveu, o que a deixou obcecada em saber o que acontece com as pessoas depois que morrem. Ela convence Sophia e Jamie – os elementos mais influenciáveis do grupo – a se juntarem a esse experimento maluco. Eles não conseguem ressuscitar a amiga (porque, além de tudo, não são tão bons em medicina), então Sophia convoca Ray, que é um estudante brilhante, e como consequência, Marlo o segue e todo mundo meio que cai de paraquedas na parada pós-morte que Courtney iniciou. Não preciso nem dizer que Ray consegue ressucitá-la. Após o susto, eles acabam aceitando tudo, pois veem que Courtney começou a acessar partes do seu cérebro que antes não tinha acesso, e tecnicamente ficou mais inteligente. É quando Jamie resolve que é o próximo.

A verdade é que a motivação deles não são as descobertas científicas – que por acaso não tem relevância alguma na história, sendo citado por, sei lá, cinco segundos no filme – e sim a vontade de ser o melhor. Marlo compete arduamente com Ray, então ela resolve que vai morrer e passar mais tempo morta que qualquer um, só para mostrar a ele que ela é melhor. Sophia quer morrer e voltar para poder passar nos exames, porque vive um relacionamento abusivo com a mãe, que a pressiona tanto para ser a melhor em tudo que ela parece ter um bloqueio. No fim das contas, estudos científicos passam longe da mente deles, mesmo sendo a desculpa inicial apresentada. O único que só participa para ressuscitar os amigos é Ray, o mais esperto, que resolve que morrer não é bem a praia dele. Ah, e soltar uma piada super infame. Eu diria que é uma piada com Star Wars, mas na verdade seria uma piada de referência à Star Wars.

Um detalhe para o fato de que com tudo isso acontecendo, eles praticamente não dormem, ficam direto na farra, porque morrer parece deixar eles ligadões. E claro, tem também as cenas deles correndo no hospital, e praticamente sem ir as aulas ou trabalhar como internos porque estavam ocupados ficando bêbados. E eu fiquei me perguntando que mundo é esse que eles vivem, porque eu vi três temporadas de Grey’s Anatomy e o povo não podia nem mijar direito. Mas enfim, é tanto problema junto, que é mais fácil relevar.

Após essas experiências de morte, descobrimos que todos (menos o Ray) tem algum pecado do passado, algo que fizeram que foi bem ruim. E então começam as cenas de “jump scare” que são ridículas de tão previsíveis. Os personagens são “assombrados”, por assim dizer. O que começou como algo divertido, de repente começa a dar muito errado.

O filme é, no fim das contas, bem entediante. Tinha horas que eu ria de nervoso, porque eu não estava acreditando no que tava vendo. É tudo muito clichê, e tentaram dar um ar de terror que não deu certo. Faz muito tempo desde que eu assisti “Linha Mortal”, o percussor, mas me lembro que havia um suspense bem legal, com um final excelente. “Além da morte” tenta e falha. Não tem nada de aterrorizante, e eles acabaram com toda a pegada científica da coisa. Aliás, tentaram ser um conto de fadas e dar uma lição de moral no final, que é tão ruim, que se perde de tão mal explorado.

Os personagens deveriam ter uma carga dramática pesada, mas eu só vi um monte de gente mimada que não sabe lidar com a própria vida. Ray parece ser a exceção, e nem a casa dele mostram, o que me faz pensar que ele deve ser o pobre da equação, porque os outros personagens vivem muito bem e temos uma tour pela casa deles! No fim das contas, são todos mal explorados. O modo como são apresentados no começo do filme é o modo como vamos continuar vendo eles até o final. Não tem exatamente um crescimento, ou um desenvolvimento, até porque nem mesmo uma apresentação sobre eles temos. Somos jogamos na trama repentinamente, com uma motivação muito fraca e um desenrolar típico de uma série de adolescente.

Eu gosto muito de alguns atores que estão no filme, e eu acho bem desperdício. Eu indico assistirem ao “Linha Mortal”, mas parem nele. “Além da morte” é de morrer de tédio.