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Crítica: A Grande Muralha

por em 18 de fevereiro de 2017
Detalhes
 
Ano de lançamento

2017

Título original

The Great Wall

Duração

1h44

Roteiro

Tony Gilroy

Positivos

- Filmografia incrível;
- Coreografia de luta muito boa;
- História clichê, porém divertida;
- Personagens cativantes;
- Trilha sonora boa;
- etc.

Negativos

- Matt Damon poderia ser melhor;
- Cenas um pouco confusas nos primeiros cinco minutos de filme;

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Sinopse
 

No século XV, um grupo de soldados britânicos está combatendo na China, e se depara com o início das construções da Grande Muralha. Aos poucos, percebem que o intuito não é apenas proteger a população do inimigo mongol e que a construção esconde um grande segredo.

 

O resumo que me deram quando eu fui assistir “A Grande Muralha” foi a seguinte: um filme em que tem a Muralha da China, monstros e o Matt Damon. Eu fiquei tensa. Já estava esperando mais um blockbuster flopadíssimo, com uma trama clichê, casalzinho, ação razoável e efeitos especiais respeitáveis (já que iria assistir em 3D IMAX). Fiquei feliz em estar errada.

A trama é a seguinte: temos um grupo de seis pessoas, mais ou menos, fugindo no deserto na China, todos estrangeiros. Eles estão fugindo de um monte de, sei lá, assaltantes do deserto? Ou coisa assim? Nem lembro mais. O começo no filme não é muito promissor. É bem confuso, na verdade. Eles estão fugindo, um cara leva uma flechada no joelho e não morre, então eles se escondem em uma caverna, do nada aparece um bicho, eles matam o bicho com uma movimentação de câmera loucamente calculada para não relevar nada, a não ser o braço do ser no chão, que foi decepado por Matt Damon (que até então eu não sabia o nome). Só restam o principal e um amigo, que após recolherem o braço monstruoso desse ser, voltam para o deserto, onde acabam parando na Muralha e dão de cara com um exército grandioso, que os aprisionam. Felizmente, ou infelizmente para eles, um grupo de monstros verdes (nomeados de Tao Tei pelos chineses) atacam a Muralha e eles ajudam a defender o local com muita habilidade e ganham o respeito do General. Então rola aquela velha trama de “estrangeiros que falam em inglês que tem uma habilidade sobrenatural em alguma coisa se deparam em outro país com uma situação delicada e ajudam a salvar a nação e viram heróis. YAY!” Em um resumo bem grosseiro, seria isso.

Mas porque eu adorei o filme?!

Bem, começamos pelo fato de que depois desse começo bem confuso, o filme começa a ficar realmente interessante. Primeiro pelo exército chinês. Ele é composto de 4 comandantes – sendo um desses uma mulher – e um general. Cada um deles tem uma cor e uma função. Por exemplo, os vermelhos são arqueiros, as azuis (sim, são todas mulheres) são as lanceiras, os pretos são os espadachins e assim por diante. A colometria desse filme é incrível, com cada cor tendo algum tipo de relevância na história.

Outra coisa incrível também foi o cuidado com os detalhes. Esse foi um dos primeiros filmes blockbuster que eu vi que um estrangeiro, no caso, um britânico, foi para um país que fala uma língua desconhecida – nesse caso chinês – e a população inteira não fala inglês! Os chineses falavam mandarim! Eu fiquei muito aliviada com isso. Além disso, o figurino também estava maravilhoso. As armas muito detalhadas, a armadura de cada comandante e cada exército sob o seu comando estavam muito incríveis. Cada comandante tinha um animal, que era representado a partir da configuração da sua armadura e do seu capacete. Um deleite para os olhos. E eu não sou expert em cultura chinesa, mas a impressão que passou é que eles procuraram respeitar o máximo possível, provavelmente porque o diretor é chinês, outro ponto mega positivo. E a trilha sonora tá muito boa também.

Já que eu citei o diretor, em uma pesquisa super rasa, descobri que ele também dirigiu “O Clã das Adagas Voadoras” e “Herói”, ambos filmes chineses INCRÍVEIS, com tudo uma estética que enche os olhos, com histórias que deixam você vidrado, coreografias que o deixam maravilhados… O nome dele é Zhang Yimou. Agora voltando ao filme.

Os personagens estão ótimos. Matt Damon está fazendo o típico estrangeiro com habilidades além do comum com sede por heroísmo, mas não dá para não gostar. Ele é um cara legal. E temos o seu parceiro, que é representado por ninguém menos que Pedro Pascal, que é o alívio cômico do filme e o amigo sem escrúpulos. Além disso, temos a maravilhosa Jin, a comandante do exército azul, com a sua coragem e fé. O filme também conta com Willen Defoe, nosso eterno Duende Verde, que faz um personagem bem secundário, mas relevante.

A história em si é clichê, mas é muito bem executada. Deram uma trama simples: um local que precisa ser protegido de monstros, um exército muito bem treinado, heróis e heroína corajosos, inimigos quase invencíveis, uma pitada de comédia, um pouco de drama e muita ação que enche os olhos de prazer. E o mais importante: NÃO TEM CASALZINHO! Perdoem o spoiler, mas foi uma das coisas que me deixou mais feliz. Coisa irritante toda vida que tiver um homem e uma mulher em tela eles serem obrigados a ter algum relacionamento!

Mas enfim, “A Grande Muralha” me surpreendeu de uma forma muito positiva, e eu acho que é um filme que vale a pena assistir. Ele vai estrear dia 23 de fevereiro aqui no Brasil, então fiquem atentos