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“Boneco de neve”: será que o novo suspense é tão bom quanto o livro?

por em 22 de novembro de 2017
Detalhes
 
Ano de lançamento

2017

Título original

The Snowman

Duração

119 minutos

Roteiro

Jo Nesbo; Matthew Michael Carnahan

Positivos

+ Fotografia bonita;
+ Bons atores;
+ Trilha sonora razoável;
+ História com potencial

Negativos

- Plot mal desenvolvido;
- Desperdício de bons atores em arcos mal trabalhos;
- Final podre;
- Previsível

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Sinopse
 

Quando uma mulher desaparece, a única pista deixada para trás é um cachecol rosa encontrado envolta de um estranho boneco de neve. O detetive Harry Hole (Michael Fassbender) começa suas investigações e percebe que o crime parece obra de um serial killer.

 

     

Boneco de neve” é um drama policial com uma pontada de terror. Ou assim está escrito na descrição do filme. Baseado no romance de Jo Nesbo com o mesmo nome, “Boneco de neve” traz no elenco alguns nomes icônicos como Michael Embuste Fassbender, J.K Simmons (que conhecemos como J. Jonah Jameson na trilogia do Homem Aranha do Sam Raimi), Val Kimer, Rebecca Fegurson etc etc. Do mesmo diretor de “Deixa ela entrar” (a versão sueca), esse novo thriller é apenas um rastro de decepção. Em entrevista, o diretor – Tomas Alfredson – contou que não tiveram muito tempo para gravar, então não puderam colocar tudo o que tinha no papel nas telas e o resultado é um filme picotado e cheio de falhas.

A história começa com o passado trágico de uma criança desconhecida, que presencia o suicídio da mãe. Anos se passam, e o foco se torna o policial Harry Hole (Fassbender) – um homem aparentemente alcóolatra e perdido na vida. É quando ele conhece a jovem policial Katrine Bratt, que está investigando o desaparecimento de uma mãe. É quando Harry resolve interferir e tudo começa a deslanchar em uma história macabra de assassinato e… A quem eu estou tentando enganar?

Fassbender tenta fazer um papel convincente com seu personagem, mas ele é tão mal desenvolvido, que não faz diferença o seu esforço. Harry é o típico tira fodão: ele é inteligente, uma lenda, o melhor do seu ramo. Sendo que ele é problemático, mas não há um desenrolar narrativo nesse sentido. Não criamos empatia por ele, nem entendemos boa parte das suas motivações. No geral, é para ele ser fodão e pronto. Aceitem.

Os outros personagens também são extremamente rasos e mal desenvolvidos, inclusive, ainda estou me perguntando se Val Kimer está mesmo lá, já que suas aparições parecem mais aleatórias do que parte da trama. A personagem Katrine, que inicia no centro do enredo, é uma songa monga que só serve para atrapalhar a história, sinceramente. Ela é uma policial e está ali para trabalhar em uma investigação, mas seu interesse é outro, e ela age das piores maneiras sempre.

A história em si, o suspense, começa se desenvolvendo bem. Tem toda aquela coisa de mulheres assassinadas que fazem parte de lares turbulentos, os misteriosos bonecos de neve que parecem ser os favoritos do serial killer para indicar assassinato… Porém, todavia, entretanto, o filme começa a jogar informação demais, coisa que não é pertinente para a trama e que não vai se desenvolver depois. Acaba deixando a narrativa um pouco confusa. Por exemplo, em dado momento, o assassino invade a casa de Harry. Pra quê? Qual o intuito? Ele simplesmente entra, finge que é o cara que está fazendo um serviço e vai embora. A cena é 100% descartável, não tendo um pingo de finalidade – ou melhor, parece ter a intenção de mostrar ao público que o assassino tem uma obsessão incomum por Harry ou que ele é mais esperto do que imaginamos, não sei. No fim das contas, é uma cena desnecessária, porque o próprio filme já mostra de várias outras maneiras que o assassino é obcecado pelo policial. Sério, VÁRIAS OUTRAS MANEIRAS.

A trilha sonora é bastante interessante, mas às vezes ela não funciona muito bem, e acaba quebrando o clima. E tem uma música em específico que eles utilizaram como “música do assassino”, que só é usada duas vezes e pronto. Ficou bem estranho.

A fotografia do filme é linda. Como o filme se passa na Noruega, é tudo bem monocromático, pois está o tempo todo nevando. Há muitos tons de branco e cinza, e as paisagens são bem exploradas. Aliás, parecem ter gravado cenas inteiras só para mostrarem a paisagem. E os personagens tem pele de crocodilo, porque apesar de nevar o tempo inteiro, o próprio Harry raramente usa luvas, por exemplo.

No fim das contas, é um filme que tem tudo para ser bom, mas quanto mais chega ao final da história, pior vai ficando. E não é spoiler, mas o final é bem bosta. Além de ter um desenvolvimento tão lento, que torna o filme, que tem quase duas horas de duração, muito cansativo. Apesar de tudo, me deixou curiosa para ler o livro e observar as diferenças. Suponho que a história original tenha se desenrolado muito bem, pois pelo que pesquisei, o livro é bem elogiado e até mesmo comparado com “O silêncio dos inocentes”, de Thomas Harris. Então eu espero que o livro faça jus a essa comparação, pois comparar com o homem que criou Hannibal… Ou é muito audacioso, ou estão desesperados para atrair público. Vamos descobrir.

 

Trailer: