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Blade Runner 2049: a prova de que uma continuação pode ser feita da maneira divertida.

por em 5 de outubro de 2017
Detalhes
 
Ano de lançamento

2017

Título original

Blade Runner 2049

Duração

165 minutos

Roteiro

Hampton Fancher; Michael Green; Ridley Scott; Philip K. Dick

Positivos

+ Trilha sonora;
+ Personagens;
+ Fotografia;
+ História <3 + Piada sobre Deckard ser ou não um Replicante

Negativos

- Jared Leto tem pouco tempo em tela;
- Alguns momentos poderiam ter sido encurtados

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Sinopse
 

Trinta anos após os acontecimentos do primeiro filme, a humanidade está novamente ameaçada, e dessa vez o perigo pode ser ainda maior. Isso porque o novato oficial K (Ryan Gosling), desenterrou um terrível segredo que tem o potencial de mergulhar a sociedade no completo caos. A descoberta acaba levando-o a uma busca frenética por Rick Deckard (Harrison Ford), desaparecido há 30 anos.

 

Antes de “Blade Runner – O caçador de androides”, Phillip K. Dick, o autor do livro que deu origem a esse clássico, comentou estar ansioso para vê-lo nas telonas. Infelizmente o filme só saiu em 25 de junho 1982, com Ridley Scott na direção, e o autor já havia falecido, em fevereiro, sem ver a obra completa. E mesmo após essa versão de 82, houveram várias modificações, até chegar à que mais conhecemos.

No primeiro longa estamos no ano de 2019, em uma Los Angeles decadente e futurista. O oficial Deckard é tirado da aposentadoria para caçar quatro replicantes que fugiram para a Terra de uma das colônias e aposentá-los (eufemismo para mata-los).  Em um resumo extremamente grosseiro, o enredo seria esse, mas a história, como todos sabemos é muito, mas muito mais complexa do que isso. Em “Blade Runner 2049”, o diretor manteve todas as boas coisas do seu antecessor, mas soube inovar e deixou sua marca nesse novo filme.

A história começa com K, um replicante que é um “policial” ou um Blade Runner. Ele é mandado para investigar um suspeito de ser um replicante antigo, um daqueles que não só não se produzem mais como são proibidos, e acaba descobrindo algo que pode mudar tudo.

Eu não quero revelar mais do que isso, pois eu quero todos tenham as mesmas surpresas que tive. A começar que estão vendendo o filme como uma ação frenética: não é. Assim como o primeiro Blade Runner, o seu foco passa longe de ser a ação, embora tenham momentos em que ela se faz necessária, só faz parte da consequência, sem tomar de conta do gênero do filme. E uma pequena observação: eu amei o plot twist. <3

Antes de lançar o filme, o diretor lançou três curtas que ajudam a entender um pouco mais sobre a história. O primeiro é um curta que se passa em 2022, mostrando a rebelião dos replicantes, e o blecaute que se sucedeu, apagando os seus registros (assista AQUI). No segundo, a história se passa em 2036, onde o personagem de Jared Leto, Wallace, é o homem que comprou a tecnologia Tyrell e pretende recomeçar o comércio de replicantes, que após o blecaute tem sido proibido. Exceto que os replicantes criados por ele obedecem de maneira cega – o que me lembrou muitos as leis de Asimov. É uma cena chocante e muito necessária (assista AQUI). E por último, esse se passa em 2048, e dá uma palhinha sobre o personagem de Dave Batista (Assista AQUI!).

Com todas essas informações em mãos, eu posso garantir que a história é bem fechada, seguindo um traço linear até o seu final, sem se perder muito em divagações. As questões filosóficas apresentadas no primeiro filme se mantém e se estendem, tratando com delicadeza todos os temas com o qual já nos habituamos e outros que nos deparamos agora. “O que nos faz humanos?” ainda é uma questão relevante, mas ele aprofunda o tema.

Os personagens são incríveis. Todos os atores e todas as atrizes fizeram seus papéis com maestria, apesar de um leve desapontamento com Jared Leto, pois, sinceramente, ele poderia ser cortado da trama que não ia fazer tanta diferença. Esperei um destaque maior. Com um personagem que é megalomaníaco, com uma vilania que descende da sua imagem de si mesmo como Deus, esperei mais tempo em tela com ele, mas não teve. Harrison Ford está maravilhoso, como sempre. Tem alguns momentos em que Deckard não fala nada, mas você sabe o que ele está pensando mesmo assim, e é lindo. Ryan Gosling se redimiu para mim, depois de “La La Land”, que me perdoem quem gosta, mas eu detestei. Ele como K está magnífico, atuando com todas as nuances necessárias para esse personagem. Aplausos de pé.  Além de todos esses machos alfas no filme, temos Luv e Joi, que são destaques incríveis para o enredo, e eu não falarei muito sobre elas, pois não tem o que dizer, só sentir. A química do elenco é magnifica também, e sabemos que Harrison Ford vem sofrendo um leve bullying por ter acertado sem querer o Ryan Gosling em uma cena de ação.

A trilha sonora é instigante. Hans Zimmer e Benjamin Wallfisch fizeram um trabalho fenomenal, e ainda se utilizaram de referências à trilha original feita por Vangelis, que se torna cada vez mais aparente a medida que o filme se desenvolve. Aliás, a trilha sonora se pega muito mais por saber quando manter o “silêncio”, salientando momentos tensos e suavizando quando necessário. É maravilhoso.

A fotografia desse filme está de encher os olhos, junto com os cenários que mistura o futuro sucateado, mas tecnológico, em uma cidade poeirenta, suja, e há tanta coisa em tela que as vezes fica impossível de se ver tudo. E você quer ver tudo, pois o jogo de câmera utilizado faz com que você queira ver tudo! E para isso, é muito provável que seja necessário assistir mais de uma vez. São muitos detalhes!

Algo curioso que eu notei foi o jogo de cores. Em várias cenas, há uma brincadeira com as cores laranja e azul. São cores que se contrastam em vários momentos, e como mostrado no trailer, temos cenas que são totalmente no tom laranja. Eu não entendo de cores do cinema, mas você que entende depois pode vir me contar. Obrigada.

Denis Villeneuve fez um filme que provavelmente não vai agradar muita gente, mas que é extremamente nostálgico e autentico ao mesmo tempo. E sinceramente, quem não gostar, pode ir para o cantinho e ter vergonha de si mesmo, pois esse filme é um filme para se amar com carinho.

Nosso colega, Álvaro, também assistiu ao longa! Confira as suas impressões:

Toda adaptação, reboot ou continuação traz algumas dúvidas sobre se vai ser uma boa história. O repertorio passado de continuações, como por exemplo, O “Quarteto fantástico”, é que confirmam essas dúvidas.

Mas “Blade Runner 2049” é um dos filmes que fogem desse medo. Continua a história do original, dá uma nova roupagem com elementos modernos, mantem o mesmo nível de desafio à mente do espectador, deixando de ser apenas um filme de ação.

Destaques que valem muito durante o filme: trilha sonora e efeitos de som, que tornam o ambiente do filme muito melhor; elenco de presença indiscutível. Destaque para Harrison Ford, que parece entrar apenas para passar o bastão. Não vi lá muita diferença do que foi feito com Han Solo.

O enredo durante o filme te leva para mil possibilidades, porém com uma continuidade de ação e suspense. O ponto alto se dá pela questão filosófica, não achei outras palavras. O medo da relação homem e máquina se mantém.

Uma relação amorosa meio impossível acontece nesse filme também, para causar certa estranheza. No primeiro filme, um relacionamento entre humano e uma replicante era uma grande novidade. Hoje esse efeito já não seria o mesmo.

Se repete a mesma ideia em ambos os filmes: será que o interesse da máquina não era apenas uma manifestação da necessidade humana?

Alguns estão dizendo que é melhor que o primeiro, mas comparar agora é fácil, já que a época é outra.

TRAILER: