Especial 168 anos de morte de Edgar Allan Poe

por em 7 de outubro de 2017
 

Há 168 anos, exatamente no dia 7 de outubro do ano de 1849, Edgar Allan Poe faleceu. Poeta, romancista, crítico literário e editor, integrante do movimento Romancista Norte-Americano, considerado o pai dos romances de ficção policial, também contribuiu para o gênero ficção científica. O seu poema mais popular é “The Raven” ou, “O Corvo”, lançado em meados de 1845. Mas vamos por partes.

                     

Vida e morte

Edgar Poe nasceu em Boston, em 19 de janeiro de 1809. Recebeu o sobrenome “Allan” após o falecimento de sua mãe e o abandono de seu pai (ambos atuavam em um teatro flop), sendo acolhido por John e Frances Allan. Apesar de não ter sido formalmente adotado, o casal o registrou com seu sobrenome, e por serem de uma família abastada, puderam lhe dar uma educação de qualidade, inclusive vivendo por algum tempo na Europa, mas acabaram voltando aos EUA.

Na adolescência, ele ingressou na Universidade de Virgínia. Entretanto, após um ano ele teria sido expulso por conta de sua vida boêmia e indisciplinada. Em outras palavras, beberrão, raparigueiro e apostador, e infelizmente para o moço, a Universidade era muito rígida em relação ao comportamento dos alunos (se é que se pode dizer isso). Nessa época ele também se desentendeu com seu pai adotivo, graças a esse mesmo comportamento [email protected]@. As fontes contam que ele teria enganado diversas vezes o pai, reclamando sobre não ter dinheiro o suficiente para pagar coisas na Universidade e pedindo por mais, tudo isso para usar essa bufunfa extra para manter seu vício em apostas, já que vivia sem dinheiro. Aparentemente, podemos acrescentar “perdedor” na sua conta de extravios de caráter. Sem o suporte do pai, ele tentou sobreviver com “freelas” e outros trabalhos estranhos (essa foi a descrição que eu encontrei: “Odd Jobs”), mas no final, não conseguiu se sustentar.

Sua carreira como escritor começou pouco depois de sair da Universidade e se alistar às forças armadas (com o intuito de ganhar dinheiro, já que se sustentar tava difícil e o exército pagava o suficiente), com a publicação de uma coleção de poemas intitulada “Tomerlane and Other Poems”, lançada em 1827. Ele ficou apenas dois anos no exército, e resolveu se reconciliar com seu pai adotivo após o falecimento de sua mãe, em 1828. Papai John teria feito um acordo com Poe: ele voltaria a sustenta-lo, desde que o filho entrasse para a Academia Militar dos Estados Unidos em West Point. Talvez em uma tentativa de corrigir o caráter do rapaz, nunca se sabe.

Antes de entrar para a Academia, ele lançou seu segundo livro, em 1829, intitulado “Al Aaraf, Tamerlane and Minor Poems”, e aproveitou umas férias na casa de sua tia viúva em Baltimore, onde conheceu sua futura esposa, Virgínia, que se eu tiver acertado nos cálculos, tinha então sete aninhos. Poe então ingressou à Academia de West Point em 1830. Mesmo assim, ele e o pai continuaram se desentendendo, e dessa vez houve um rompimento real e oficial entre os dois, de forma que John Allan levaria para o túmulo o seu desgosto com o rapaz.

Em 1831, Edgar sai da Academia: ele teve que sair antes de ir à Corte Marcial por ser indisciplinado. Embora indisciplinado não seja bem a palavra, já que diz-se que ele era um pouco além disso. Ele seria desrespeitoso, negligenciaria o dever, e se recusaria a comparecer às aulas, à igreja, entre outras coisas (uma dessas coisas deve incluir a bebida, fator comum em toda a sua vida). Poe então partiu para Nova York, lançando o seu terceiro livro, “Poems”, com a ajuda de seus ex-colegas da Academia de West Point, que adoravam o seu humor satírico e devem ter se decepcionado ao descobrirem que não investiram em algo engraçado. Nunca saberemos. Como livros não davam dinheiro, ele ficou sem ter como se sustentar e voltou para Baltimore, para morar com a tia.

Aquela era uma terrível época para escritores. De acordo com as minhas pesquisas, Poe teria sido o primeiro escritor (conhecido) a tentar sem uma editora. Não haviam leis internacionais relacionados a direitos autorais, e por isso os editores preferiam copiar os lançamentos britânicos ao invés de pagar os escritores norte-americanos. Quem ainda tinha um editor, muitas vezes recebia ou pagamentos atrasados ou menos do que merecia. O próprio Poe teve que se humilhar diversas vezes para conseguir dinheiro.

Finalmente, em 1835, Poe conseguiu emprego como assistente de editor do jornal “Southern Literary Messenger”, em Richmond. Porém, ele foi demitido por ir trabalhar bêbado. Um fator comum na vida dele é ser expulso, demitido, excomungado, excluído, ou o que for, por causa da bebida. Além de “voltar para a casa da tia” quando isso acontece.

Após a demissão, ele acabou voltando novamente para a casa da tia (não falei?), em Baltimore, e conseguiu uma licença especial para casar com a prima, Virgínia Clemm. Ela tinha apenas 13 anos, e ele, 26. Há um questionamento se eles realmente se casaram nessa época, pois logo após conseguir essa licença, Poe voltou para Richmond, onde fez mil e uma promessas de que iria melhorar ao antigo chefe e conseguiu o emprego de volta, levando Virgínia e a mãe dela com ele. Aqui temos a confirmação de que em Richmond aconteceria o casamento religioso (eles alegaram que Virgínia tinha 21 anos). Isso em 1836, e ele trabalhou novamente no “Southern Literary Messenger” até 1837.

Agora, quero dar um parêntese só para apontar para o fato de ele ser, literalmente, um pedófilo, já que ele inventou até idade para se casar com a prima de 13 anos, com quem ficaria casado por mais ou menos 11 anos. Plus, já ficou claro que ele era um alcoólatra de carteirinha. Algo de errado não está certo. Mas ele já está morto, então vida que segue.

Em 1839, ele teria conseguido emprego como editor assistente no “Burton’s Gentleman’s Magazine”.  Assim como no trabalho anterior, ele publicou diversos trabalhos críticos, artigos, reviews e histórias. Porque, apesar de eu não ter citado antes, era isso que ele fazia. Além disso, ele lançou o livro “Tales of the Grotesque and Arabesque”, conseguindo ganhar algum dinheiro com a publicação e recebendo até mesmo algumas críticas positivas. Pelo que eu entendi, os outros livros passaram praticamente despercebidos pelo mundo.

Houveram novas mudanças de emprego, todas dentro do meio literário, além de intenções de novo projetos – que só seriam lançados após a sua morte, quando em 1842 Virgínia adoeceu de tuberculose. Poe, sem saber lidar com a tristeza da doença de sua esposa, começou a se entregar cada vez mais à bebida. A essa altura, havia sangue no álcool dele.

Ele voltou a Nova York, onde se tornou editor do “Broadway Journal”, e depois, bem depois, se tornaria o seu proprietário. Mas antes, em 1845, no dia 29 de janeiro, ele publicou o famoso poema “The Raven” ou, “O Corvo”, no jornal “Evening Mirror”, onde trabalhou. O poema se tornou imensamente popular, tornando Poe um nome conhecido, mesmo que tivesse recebido uma miséria pela publicação ($9 dólares).

Broadway Journal” foi à falência em 1846, quando Poe já era seu proprietário, e Virgínia faleceu em 1847. Poe ficou extremamente instável depois de tanta desgraça. Ele chegou a cortejar a poetisa Sarah Helen Whitman depois disso tudo, mas como ele vivia bêbado e continuava com um comportamento, digamos, errante, não deu certo. A família da moça era contra, e digamos que ela mesma não deveria ter ficado muito feliz com ele.  Poe então voltou para Richmond, e passou a se relacionar com um antigo amor de sua infância, Sarah Elmira Royster.

Então, em 1849, o autor foi encontrado delirando nas ruas e levado até o hospital, onde faleceu no dia seguinte: 7 de outubro de 1849. A causa da morte é um mistério, apesar de que na época os jornais anunciaram como uma inflamação cerebral, que seria algo comum para pessoas alcoólatras. Suas últimas palavras teriam sido “Senhor, ajudai minha pobre alma” (Lord, help my poor soul).

A literatura de Poe

Conhecido autor gótico, ele sempre tratava de temas como a morte, luto, decomposição, ressurreição; escreveu contos e romances de horror, além de mistério; fez sátiras, utilizando-se do humor com ironias e extravagâncias. E isso é o mínimo. Como eu já citei no começo, ele teve seu pézão influenciando também a ficção científica, como na obra “The Balloon-Hoax”. Poe fez muitos trabalhos voltados para o povão, o que agradou geral.

Como crítico literário, ele influenciou muitos autores. Eu cheguei a estudar Poe como crítico literário na faculdade (eu sou estudante de letras meu povo <3) e me lembro claramente de muitas ideias dele, como os contos precisarem ser curtos, para que o leitor possa ler tudo de um fôlego só, e se o escritor não fez isso, a obra precisa ser repensada. A ideia é que a emoção fosse sentida de uma vez só, causar muito impacto. Se quiserem entender um pouco mais, indico o livro “A filosofia da composição”, que Poe lançou em 1846. Você pode encontrar AQUI.

Uma curiosidade sobre o autor é que ele costumava ser mais popular na Europa, onde Charles Baudelaire, um grande fã seu, traduzia suas obras.

Edgar Allan Poe deixou para nós, leitores, contos, poemas, romances (com temas policiais e de horror), além de críticas literárias. Como dito antes, ele foi um pouco de tudo: poeta, romancista, crítico literário e editor. E sua influência vem seguindo gerações. Por exemplo, com o personagem “C. Augustine Dupin” da história “Os Assassinatos da Rua Morgue”, ele abriu portas para personagens icônicos como Sherlock Holmes, Miss Maple ou Hercule Poirot, além de personagens mais atuais, como Cormoran Strike.

Algumas de suas obras são “O Corvo”, “A Máscara da Morte Escarlate”, “O gato preto”, “A queda da casa de Usher”, “O barril de Arnontillado”, entre muitos, muitos outros mesmo.

Obras inspiradas em Edgar Allan Poe

Como dito, Poe foi um influenciador, tanto antes, quanto agora. No cinema então, existem inúmeras obras que se basearam no autor, e eu vou citar apenas cinco delas. No meio literário com certeza existem milhares outras, mas no momento irei me abster.

  1. A começar pelo curta “Vincent”, do diretor Tim Burton, que foi escrito e dirigido por ele mesmo em 1982. Esse curta fala de um garotinho que ama Edgar Allan Poe e sonha em ser Vincent Price, um ator que participou de várias adaptações cinematográficas da obra de Poe. Você pode assisti-lo AQUI.
  2. A obra “Os assassinatos da rua Morgue” se tornou filme em 1932, dirigido por Robert Florey. A história gira em torno do Dr. Mirakle, um cientista que quer provar a teoria da evolução de Darwin, misturando sangue de macaco e pessoas. É quando entra o detetive Pierre Dupin para resolver o crime. O filme também é estrelado por Bela Lugosi. Você pode assisti-lo AQUI
  3. O filme “A Colina Escarlate”, do diretor Guilhermo Del Toro, lançado em 2015. O próprio diretor alegou que o filme é uma mistura de “Jane Eyre” com “A queda da casa de Usher”. O enredo é sobre Edith, que se casa com Sir Thomas Shape e vai morar em uma remota mansão gótica. Coisas estranhas acontecem, e a jovem vai descobrir o que está acontecendo. Se alguém leu o livro de Charlotte Brönte ou o conto de Poe, já sabe que o filme tem tudo para ser um suspense incrível. (Clique AQUI para o trailer)
  4. O poema “O Corvo” tem várias adaptações cinematográficas, mas uma delas, mais recente, mistura suspense com drama e tem John Cusack no elenco principal. Lançado em 2012, e dirigido por James McTeigue, a história se passa com Edgar Allan Poe sem inspiração, bêbado e infeliz, quando começam a acontecer assassinatos que são exatamente iguais aos das histórias do autor. O detetive pede que Poe o ajude a parar o assassino, quando alguém próximo do autor de repente começa a correr perigo. (Clique AQUI para o trailer)
  5. George Romero, juntamente com Dario Argento, dirigiram o filme “Dois olhos satânicos”, lançado em 1990. Cada um conta uma história: “O Gato preto” e “A verdade sobre o caso Valdemar”. (Clique AQUI para o trailer)

E é isso pessoal! Espero que tenham gostado dessa pequena síntese sobre um dos mais influentes escritores do mundo, mesmo que ele tenha milhares de desvios de caráter. Já são fãs de Edgar Allan Poe? Conhecem, mas nunca leram? Comentem com a gente.