Escape Room EUA – A Guerra das Costas!

por em 20 de maio de 2016
 

Post escrito por Gustavo (lodix) e Jota

Escape Room já deixou faz tempo de ser algo pouco conhecido ou obscuro. Se isso é verdade no mercado brasileiro, fica ainda mais escancarado no mercado norte-americano, especialmente nos Estados Unidos. Procure no Google de qualquer grande cidade e você encontrará não somente um grande quantidade, mas uma ampla diversidade de tipos de salas, temáticas e mecânicas.

Para trazer mais dessa realidade para vocês, eu e o Gustavo resolvemos fazer um post conjunto, para falar de alguns Escape Rooms da costa leste e costa oeste americana. Sim, as experiências foram bastante diferentes – e as nossas taxas de saída com sucesso também!

Costa Oeste – Califórnia 

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Para quem não sabe a California é famosa por ter concebido o primeiro Escape Room, um jogo temporário e conceitual, baseado nos mistérios de Agatha Christie. Por isso, é de se esperar um local de novas idéias e tendências dos jogos e foi isso que encontrei.

Escape Room LA: The Alchemist

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Fui atrás dessa sala porque fiquei sabendo que ela é uma das mais conceituadas da atualidade.

O jogo tem capacidade de até 10 pessoas e um sistema não sequencial de resolução, ou seja, sua equipe precisa se dividir para conseguir evoluir.

Um ponto importante é a temática, pois o jogo conseguiu explorar bem toda a mística ao redor da alquimia, colocando elementos chave da alquimia no jogo, principalmente no que se refere à decoração da sala que é extremamente bem feita e com muita atenção nos detalhes.

O que essa sala tem de diferente é o grande número de surpresas e interatividade da sala. Pra não dar nenhum spoiler, posso dizer que o sentimento é de estar em um set de um filmagem e a qualquer momento algo novo pode acontecer (bem vindo a Hollywood). Mesmo sem o uso de cadeados convencionais e um repertório muito variado de enigmas, o jogo tem boa fluidez.

O único ponto que não gostei, mas é algo pessoal, é o nível de complexidade dos enigmas. Minha preferência são os complexos, que após resolver te dão uma sensação de superação. No entanto, provavelmente devido ao tamanho da sala, os enigmas foram simples, mas em uma quantidade avassaladora.

O resultado, não consegui sair, mas joguei sozinho um jogo pra dez. Por isso, é muito importante ter um bom time e reconhecer seus pontos fortes e fracos, por exemplo: eu sou péssimo em procurar itens escondidos.

Scrap Entertainment: Real Zero Escape – Trust on Trial

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Apesar do primeiro Escape Room ter sido desenvolvido na Califórnia, a primeira empresa a transformar a brincadeira em um jogo e comercializar foi a japonesa Scrap. Ou seja, nessa viagem, não poderia deixar de jogar em sua filial americana.

O jogo escolhido foi o Real Zero Escape, baseado na série de jogos de escape game virtuais desenvolvidos pela [Chunsoft], que é parceira na criação da sala.

A ambientação da sala é excelente, incluindo vários easter eggs para quem já conhece os jogos da série e uma narrativa que acompanha a história original, e apesar disso, quem conhece o jogo não tem nenhuma vantagem. Além disso, a decoração é simples, mas eficiente.

O jogo é extremamente dinâmico, cheio de reviravoltas e exige muita interação entre as pessoas do grupo. A fluidez é excelente, jogar um Escape Room da Scrap é confortável pois você percebe que cada elemento foi pensado, testado e repensado inúmeras vezes até a sala ficar pronta, não há arestas.

O que achei de mais interessante foi a necessidade de envolvimento de todos no jogo. A dinâmica criada exige um trabalho colaborativo entre todo grupo, mas feito de uma forma extremamente harmoniosa e natural. Além disso, a complexidade de cada enigma estava no ponto ideal.

Costa Leste – Nova Iorque 

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A cidade de Nova Iorque na verdade não é uma só, mas múltiplas, com os seus  bairros mais tradicionais, TriBeCa, SoHo, Bronx, Brooklin… Com poucos dias e pouco tempo, o primeiro desafio foi encontrar um Escape Room que fosse diferente e  tivemos sucesso em um bairro onde não esperávamos encontrar nosso jogo favorito. Entra: Chinatown!

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Andando pela Canal Street, partindo da Broadway no Downtown, vemos o cenário gradualmente mudar: as tendas de rua, os letreiros em outros idiomas, as ruas mais carregadas da comunidade chinesa. E, logo atrás de um templo budista, chegamos na Mission Escape Games!

Mission Escape Games – The Initiation

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O estabelecimento, administrado inteiramente por chineses de segunda ou terceira gerações rapidamente mostra os traços da cultura oriental, no caso, a disciplina e atenção às regras, ao fazer questão de assegurar que esse macaco velho aqui entendesse o que são os Escape Room, mesmo com minha insistência em explicar que já havia escapado de algumas tantas salas, em diversos locais, essas explicações são puladas.

Um diferencial neste escape é o sistema de reserva das salas, onde é permitido a reserva individual, ou seja, se meu grupo não estiver completo, outras pessoas ou grupos dividem o horário.

E para minha sorte ou azar, dessa vez, fui o único jogando a sala, naquele horário, o que levou a uma experiência bem diferente.

A sala escolhida tinha uma temática de sociedade secreta, onde eu era o pretendente a uma vaga em um grupo similar aos Iluminatti, com direito a facções internas que disputavam minha atenção.

A sala, a primeira vista, parecia um escritório normal, como se fosse a sala de estar de algum magnata. Mas, em pouco tempo, o pessoal do Mission Escape foi me surpreendendo.

Sem entregar os segredos da sala, a mesma foi se transformando, painéis secretos abrindo, labirintos sendo apresentados, com mecânicas que variavam desde os tradicionais cadeados (poucos) mas passando por ondas de radio, magnetismo, trancas secretas, sistemas de crachá… e bonequinhos dançantes. Sim, como eu me odiei por não sacar a dança daqueles bonequinhos logo de saída!

Nunca havia jogado sozinho. A ausência de um grupo para conversar e trocar ideias foi difícil no começo, até que o game master (o observador de plantão), me incentivou a falar sozinho. Apesar de parecer coisa de doido, mudou todo o jogo. E nos momentos de real entrave, as dicas foram precisas, me indicando ao caminho certo, mas nunca me dando a resposta.

Voltando ao diferencial da sala: a engenharia por trás das grandes revelações. Realmente incríveis e muito bem feitas. Os enigmas levavam a soluções lógicas que, com uma boa dose de susto, se revelavam em sequências que mudavam literalmente o quarto. E o ultimo enigma, bom… melhor uso de fundo falso, camera e touchpad que ja vi.

No final das contas, consegui sair, mesmo sozinho, o que vocês podem imaginar que o pobre Jota nunca vai parar de ouvir! Mas não seria honesto em dizer que não houve uma “colher de chá” pelos meus novos amigos de Chinatown.